
Com curadoria de Uiara Azevedo e design artístico e visual de Flávio Vignoli, a exposição apresenta um panorama da trajetória das artes visuais no Palácio das Artes e da produção artística brasileira contemporânea. O acervo da Fundação Clóvis Salgado reúne atualmente cerca de 350 obras, entre pinturas, desenhos, esculturas, fotografias, instalações, videoartes e performances, construídas ao longo de mais de cinco décadas.
O título da mostra faz referência ao poema Sete Faces, de Carlos Drummond de Andrade, e orienta uma proposta curatorial que privilegia relações entre obras, artistas e públicos, sem buscar interpretações únicas ou respostas definitivas.
O eixo curatorial, intitulado “Ontem, hoje e sempre”, parte da compreensão do Palácio das Artes como uma instituição dedicada ao fomento, à formação e à democratização do acesso às artes visuais. A exposição revisita essa trajetória por meio de obras incorporadas ao acervo em diferentes momentos, resultado de doações de artistas, programas de incentivo, editais e premiações.
Segundo a Uiara Azevedo, que foi Gerente de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado por 10 anos, entre 2015 e 2025, “as artes visuais dão início ao Palácio das Artes, que foi o primeiro lugar em Belo Horizonte a dar espaço aos novos artistas, tanto na época quanto posteriormente”.
A exposição também recupera a história do próprio acervo. Inicialmente formado principalmente por pinturas e desenhos de artistas mineiros ou atuantes no estado, o inventário passou a incorporar, a partir da década de 1990, produções contemporâneas de diferentes regiões do país e em variados suportes. Desde 2016, o acervo também foi ampliado por meio do Prêmio Décio Noviello, anteriormente denominado Edital de Ocupação de Artes Visuais da FCS.
Para a atual gerente de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado, Tairine Pena, a diversidade é uma das principais características da coleção. “Ao todo são cerca de 350 obras no inventário, todas muito variadas. A título de exemplo, temos trabalhos de nomes tão fundamentais quanto a Beatriz Milhazes ao lado de obras que vieram da Feira Hippie de Belo Horizonte, então o acervo em si e a exposição são também um movimento que busca valorizar o fazer artístico em todas as suas formas e nuances, fortalecendo a cena artística em Minas Gerais e abrindo o Palácio ao cânone e às vanguardas que vêm de fora. Logicamente, fizemos um recorte para a exposição, com o intuito de contar a história do Departamento de Artes Visuais da Fundação Clóvis Salgado [hoje Gerência de Artes Visuais] e, por meio desse relato, trazer um panorama da própria arte em Minas e no Brasil. Celebrar os 55 anos do Palácio por meio do acervo é também evidenciar o trabalho contínuo de preservação, pesquisa e difusão que sustenta essa coleção. Estamos desenvolvendo ações de catalogação, conservação e restauro que ampliam o conhecimento sobre as obras e garantem sua permanência para as próximas gerações. Paralelamente, investimos na produção de conteúdo e na formação de público, com o lançamento de uma publicação dedicada ao acervo, a realização de encontros sobre curadoria, conservação e restauro e de atividades educativas. A circulação simultânea das obras em diferentes espaços, como o Tribunal de Justiça de Minas Gerais e, posteriormente, em Sabará, reforça nosso compromisso de tornar esse patrimônio cada vez mais acessível e conectado à sociedade”.
Os quatro espaços expositivos apresentam diferentes recortes da atuação do Palácio das Artes ao longo de sua história. Na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, o público encontra um panorama geral do acervo, com obras que vão das primeiras doações às incorporações mais recentes, incluindo trabalhos de Décio Noviello, Jorge dos Anjos, Marco Paulo Rolla, Sara Ávila, Fayga Ostrower, Laura Belém, Frans Krajcberg, Nydia Negromonte e Amilcar de Castro.
Já a Galeria Mari’Stella Tristão dedica-se à paisagem mineira como um dos eixos estruturantes do acervo, reunindo obras de artistas como Carlos Bracher, Frederico Bracher Filho, Marina Nazareth, Genesco Murta e Lorenzato.
Nas galerias Arlinda Corrêa Lima e Genesco Murta, o foco está na vocação formativa do Palácio das Artes e em iniciativas de incentivo à produção artística, como o Prêmio Décio Noviello e o Programa ArteMinas. O recorte inclui trabalhos de Julia Panadés, Carolina Botura, Marta Neves, Desali, Élcio Miazaki e Froiid.
A mostra também apresenta novos diálogos entre obras históricas e produções contemporâneas. Entre eles está uma instalação site-specific da artista Juliana Gontijo, desenvolvida especialmente para o espaço expositivo a partir da obra Rompe Mato, apresentada originalmente na edição de 2019 do ArteMinas. Outro destaque é a presença do poema Notícia dada pela manhã, de Teresinha Soares.
Para Uiara Azevedo, a exposição representa não apenas uma celebração do passado, mas também a continuidade da história construída pelo Palácio das Artes. “É interessante pensarmos na mostra não somente como a celebração de um legado, mas como, em si mesma, um novo capítulo dessa história. A Juliana Gontijo [artista belo-horizontina que transita entre pintura, desenho, fotografia, vídeo e escrita], por exemplo, está fazendo um site-specific nas Galerias Arlinda e Genesco retomando uma obra dela, chamada "Rompe Mato", que foi exposta no ArteMinas 2019, uma edição apenas de mulheres. O site-specific é um tipo de suporte que varia a cada lugar em que é montado, e o Palácio foi um dos primeiros espaços a trabalhar com esse tipo de projeto, que agora, no nosso caso, está se renovando e gerando um outro trabalho. Teremos também um poema da Teresinha Soares na exposição, “Notícia dada pela manhã” – o mesmo que estava aqui na mostra dedicada a ela em 2018; então o que antes era uma celebração à produção dessa artista gigantesca, com a presença dela aqui conosco, agora se torna uma homenagem póstuma mais do que merecida e uma forma de mantermos a obra dela viva. Celebrar os 55 anos do Palácio das Artes é isto: revisitar um percurso que moldou a paisagem cultural de Minas Gerais e do Brasil, entendendo a arte como presença viva que continua atravessando gerações e abrindo caminhos”.
Serviço
Exposição “Acervo Palácio das Artes – seria uma rima, não seria uma solução”
Abertura: 9 de junho (terça-feira), às 19h
Período expositivo: 10 de junho a 6 de setembro
Horários: Terça-feira a sábado, de 9h30 às 21h; domingo de 17h às 21h
Local: Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, Galerias Arlinda Corrêa Lima, Genesco Murta e Mari’Stella Tristão – Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Entrada gratuita