
A programação reúne nomes e grupos de diferentes vertentes da dança, entre eles a Cia. de Dança Palácio das Artes, o projeto Corpo Cidadão, braço social do Grupo Corpo, e os bailarinos Max Júnior, Luiza Braz e Lima Dorta. A proposta da quinta edição é aproximar diferentes linguagens, trajetórias e modos de produção e ampliar os espaços de criação, formação e intercâmbio entre artistas e público.
A abertura acontece nesta terça-feira, no Teatro Marília, com “Impulsos”, da Cia. de Dança Palácio das Artes. Criado pelos coreógrafos Alan Keller e Alex Soares, o espetáculo é formado por duas coreografias, “PLOT” e “60 Grãos”.
Em “PLOT”, Keller parte do questionamento sobre a identidade e os personagens assumidos pelos indivíduos. Já “60 Grãos”, de Alex Soares, encontra inspiração no hábito de Ludwig van Beethoven de preparar seu café utilizando exatamente 60 grãos. A coreografia estabelece uma relação entre o rigor criativo do compositor e as sensações físicas provocadas pela cafeína.
No dia seguinte, o Teatro Marília recebe três trabalhos. Bárbara Santana e Dalton Correia apresentam “Nó de Nós”, investigação sobre as relações humanas construída a partir da metáfora do nó. Em “Chroma Kê?”, Max Júnior utiliza como ponto de partida a tecnologia do chroma key para transformar o palco em um ambiente no qual acontecimentos, ficção e realidade se misturam. Luiza Braz completa a noite com “#Solo”, trabalho dedicado às experiências de deslocamento e à busca por pertencimento.
O projeto Corpo Cidadão apresenta, na quinta-feira (3), os espetáculos “Entre Linhas” e “Vago Mundo”. Com coreografia de Sandra Santos e trilha sonora de Divan Gattamorta, “Entre Linhas” parte da musicalidade para investigar como a escuta pode organizar movimentos, trajetórias e estados de presença, sem construir uma narrativa definida.
Em “Vago Mundo”, os intérpretes transitam entre experiências coletivas e individuais, ora estabelecendo conexões, ora seguindo fluxos próprios.
Na sexta-feira (4), Lima Dorta leva ao Teatro Marília o solo “Red Dance Rescue | SOS BR”, inspirado no legado dos Red Dancers e de artistas como Edith Segal, Jane Dudley, Pearl Primus e Anna Sokolow. A programação do dia também inclui “Reencontro de Improviso”, apresentado por um coletivo mineiro formado por Bárbara Maia, Carol Vilela, Clara Lins, Lívia Espírito Santo, Abu, Pedro Alves (Pedroka), Willian Rosa e Cris Diniz.
Dança encontra o audiovisual
Paralelamente aos espetáculos, o Teatro Marília recebe, entre os dias 2 e 4, a “Mostra Videodança”. Sob o tema “Videodança em trilha: corpo, câmera e lugar”, serão exibidos dez trabalhos produzidos entre 2022 e 2026 e selecionados pela curadora, artista, pesquisadora e realizadora audiovisual Luísa Machala.
Os vídeos exploram diferentes possibilidades de encontro entre dança e audiovisual, passando por paisagens urbanas e naturais e por temas como memória, infância, coletividade e afeto. As sessões antecedem os espetáculos programados para os três dias.
Outra frente da mostra são três residências artísticas realizadas no CRDançaBH pelos artistas baianos Hugo Martins, fundador do Hub Cultural Afrometáforas; Jai Bispo, dançarino, coreógrafo e pesquisador; e Agnaldo Fonseca, professor de danças afro-brasileiras e bailarino do Balé do Teatro Castro Alves.
As residências são destinadas a artistas previamente selecionados por edital, mas os resultados das experiências poderão ser acompanhados pelo público. Os processos desenvolvidos durante as atividades serão apresentados no sábado (5), no Teatro Marília, durante a “Mostra de Resultados das Residências Artísticas”.
Formação e políticas culturais
A programação também abre espaço para discutir as políticas públicas voltadas às artes em Belo Horizonte. No sábado, o CRDançaBH recebe a mesa “Políticas culturais, direitos e os caminhos para as artes em Belo Horizonte”, dedicada a temas como a Lei de Incentivo à Cultura e o Plano Municipal de Cultura.
Participam do encontro a secretária municipal de Cultura, Cida Falabella; a presidenta da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof; a diretora de Promoção das Artes da Fundação Municipal de Cultura, Paula Senna; a bailarina Denise Acquarone; a educadora e dançarina Scheylla Bacellar; e integrantes do Comitê Gestor do CRDançaBH.
Para Cida Falabella, a diversidade da programação reflete características da própria produção artística da capital mineira. “Ao reunir diferentes linguagens, trajetórias, modos de criação e perspectivas, a Mostra amplia o espaço para que artistas da cidade apresentem seus trabalhos e estabeleçam novas conexões com o público. É também uma forma de reconhecer e valorizar a dança em sua pluralidade, que contribui para a nossa cena cultural demonstrar uma força tão importante”, ressalta.
A presidente da Fundação Municipal de Cultura, Bárbara Bof, destaca a consolidação de um espaço da cidade dedicado à linguagem. “A Mostra CRDançaBH reafirma a importância de Belo Horizonte contar com um equipamento dedicado à dança e ao desenvolvimento de sua cena artística. Ao abrir espaço para diferentes artistas, propostas e processos, o CRDançaBH amplia as possibilidades de criação, troca, circulação, e contribui para que a dança tenha cada vez mais presença e reconhecimento na vida cultural da cidade. E chegar à quinta edição da Mostra é motivo de celebração e de reafirmação das políticas públicas para o setor”, afirma.
A vertente formativa inclui ainda a oficina “TRANSGRAHAM”, ministrada por Lima Dorta na Escola de Belas Artes da UFMG, na quinta-feira. A atividade trabalha a estética e a técnica da dança moderna Graham a partir das existências e da ocupação de pessoas dissidentes. São oferecidas 20 vagas, sem necessidade de inscrição prévia.
A quinta edição termina no dia 8 de setembro com o “Palco Aberto de Dança”, no Teatro Marília. O projeto cria um espaço de experimentação e compartilhamento entre artistas de diferentes estilos, linguagens e trajetórias e aproxima os trabalhos do público.
Serviço
5ª Mostra CRDançaBH
Quando: 1º a 8 de setembro
Onde: CRDançaBH e Teatro Marília (Avenida Professora Alfredo Balena, 586 - Santa Efigênia)
Escola de Belas Artes UFMG (Avenida Presidente Antônio Carlos, 6627 - Pampulha)
Quanto: Gratuito.