
Paralelamente à construção dos espaços expositivos, a área de 126 hectares que receberá o museu passa por uma transformação paisagística de grandes proporções. Estão sendo plantadas 15 mil árvores e 1 milhão de arbustos, cactos e plantas floríferas no terreno, localizado em uma região de morros e vales vizinha à Reserva Particular do Patrimônio Natural Inhotim (RPPN Inhotim) e à Área de Proteção Ambiental Paz (APA Paz).
A paisagem é concebida pelo próprio Bernardo Paz, inspirado pela amizade e pela colaboração que manteve com o paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994). O projeto privilegia árvores frutíferas e floríferas, distribuídas em arranjos densos pelo terreno, que também contará com um parque botânico e uma área de mata.
Primeiro pavilhão terá obras monumentais
O pavilhão de Michael Heizer, nascido em Berkeley, nos Estados Unidos, em 1944, será dedicado às instalações de grande escala Displaced Replaced Mass #3 (1993) e Negative Wall Sculpture #1 (1993).
O artista é uma figura fundamental da Land Art, movimento surgido nos Estados Unidos no fim da década de 1960. Filho de arqueólogo e neto de geólogo, Heizer dedicou grande parte da trajetória à criação de esculturas monumentais diretamente em paisagens desérticas ou utilizando elementos delas.
O edifício que receberá as obras foi projetado a partir do detalhamento das instalações preparado pelo próprio artista e terá iluminação controlada. A montagem integra a primeira fase do Museu Bernardo Paz, cuja pré-inauguração dos primeiros pavilhões e instalações está prevista para setembro de 2027.
Além de Heizer, essa etapa terá pavilhões dedicados a Anna Maria Maiolino, Sonia Gomes, Pedro Moraleida, Sandra Gamarra e Laura Belém. Também estão previstas esculturas de grande porte e ambientes artísticos de Frida Orupabo, Mario Garcia Torres, Torkwase Dyson e Giuseppe Penone.
Ao todo, o projeto prevê a construção de mais de 20 galerias e pavilhões, além de instalações e esculturas ao ar livre. Os espaços receberão trabalhos da coleção de Bernardo Paz, formada por cerca de 3 mil obras e composta por artistas de diferentes gerações, origens e linguagens.
“O Museu Bernardo Paz está criando raízes e florescendo a partir da crença no potencial criativo dos encontros inesperados. Este é um lugar para descobrir novas relações entre a arte e paisagens de diferentes tipos, entre artistas e públicos que ainda não se conheceram, e entre a comunidade de Brumadinho e um público vindo de todo o mundo. Tudo isso está se unindo aqui, e tudo isso é para as pessoas”, pontua Bernardo Paz.
Museu terá centro comunitário
O projeto também prevê um centro comunitário na entrada do museu, com biblioteca e ateliês de arte destinados à população de Brumadinho. Futuramente, um pavilhão dedicado à música e à dança deverá ser construído no parque.
Segundo Paulo Miyada, diretor artístico do Museu Bernardo Paz, a proposta é criar um espaço que ultrapasse modelos tradicionais de museus. “Em um momento em que há uma sensação global predominante de possibilidades cada vez mais reduzidas — seja na cultura, na sociedade, no meio ambiente ou na política —, esperamos que o Museu Bernardo Paz seja um lugar de renovação dos imaginários. Em uma paisagem repleta de conjunções que desafiam noções estabelecidas de museu e de paisagem, criam-se oportunidades intensas de criação, inspiração e transformação”.
Consultor curatorial sênior do novo museu e cofundador do Inhotim, Allan Schwartzman também relaciona o projeto à trajetória anterior de Bernardo Paz. “Bernardo Paz abriu possibilidades sem precedentes para os museus de arte contemporânea ao fundar o Inhotim há 20 anos. Com essa instituição marcante já estabelecida, ele agora vai além dela, rumo a um novo território experimental. Há uma abundância criativa no Museu Bernardo Paz — um senso distintivo e radical de descoberta — que será deslumbrante tanto em alcance quanto em força imaginativa”.
Bernardo Paz criou e financiou o Inhotim a partir de 2004, com inauguração em 2006. Em 2022, ele doou o patrimônio cultural à associação sem fins lucrativos responsável pela administração do instituto.
O Museu Bernardo Paz será uma organização sem fins lucrativos independente do Instituto Inhotim, com gestão, financiamento, programação e modelo de governança próprios. As duas instituições trabalham na elaboração de protocolos de convivência e colaboração de longo prazo.