Estado de Minas "PAISAGENS INVENTADAS"

Aída Fischer transforma rochas e minerais em paisagens que desafiam o olhar

Mostra reúne 26 obras no MM Gerdau e cria novas possibilidades de representar rios, montanhas e o universo a partir da matéria do Quadrilátero Ferrífero


postado em 25/09/2026 10:42 / atualizado em 25/09/2026 10:56

Artista mineira produz tinta a partir de rochas e mineirais coletados por ela(foto: Fresta Company/Divulgação)
Artista mineira produz tinta a partir de rochas e mineirais coletados por ela (foto: Fresta Company/Divulgação)
Tintas, pigmentos, terras e experimentações. A diversidade mineral de Minas Gerais ganha formas, cores e significados em “Paisagens Inventadas”, primeira exposição da artista mineira Aída Fischer, no MM Gerdau - Museu das Minas e do Metal, aberta ao público de 24 de setembro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027. A mostra, que reúne 26 obras, apresenta pinturas e objetos artísticos construídos a partir de pigmentos minerais e fragmentos de rochas do Quadrilátero Ferrífero. 

 

No circuito pensado pela artista, o público vai contemplar paisagens inspiradas em elementos naturais como rios, lagoas e ventos e ter o olhar impactado na simbiose entre a materialidade do solo mineiro e as diferentes possibilidades de representação da natureza.
 
Para absorver a obra de Aída Fischer é importante conhecer sua origem e, assim, captar sua essência traduzida em cada tela, pintura e objeto que cria. Aída nasceu em Lagoa da Prata, onde viveu até os 13 anos, e cresceu às margens do rio São Francisco. Origem marcada por cenários que a marcariam para sempre. Ela revela que se encantava com a paisagem do cerrado misturada às plantações de cana-de-açúcar, com a terra vermelha exposta. A ponte de ferro sobreo rio São Francisco era palco da futura artista que lá de cima ficava “apreciando a sinuosidade da água, o leito do rio, as margens com o barro craquelado”. E de Lagoa da Prata a lembrança da praia artificial e passeios constantes por lá são inesquecíveis. “Essas memórias visuais são inspirações até hoje”.
 
A pintura de Aída Fischer combina planejamento e gesto, mas também deixa espaço para a ação da água, dos minerais e de processos físicos e químicos. Em cada criação ela equilibra controle e imprevisibilidade. O que explica uma frase que ela gosta muito de falar que é: “Projetar, construir, deixar a natureza agir”. Esse é, assegura, o seu lema. Ela conta que, no processo de criação, faz o projeto da paisagem inventada, a pesquisa dos materiais, coleta minerais em Minas Gerais e faz uma tinta artesanal com eles. Depois que o projeto, a pesquisa e a tinta artesanal estão prontos, ela começa a pintura.
 
Aída revela que a pintura é feita no chão. “Gosto de pintar com grandes pincéis e com a tinta superdiluída em água. É uma pintura gestual com planejamento. O projeto fica no subconsciente e o meu corpo executa”. Depois, ela conta, vem a parte da secagem, que é onde a natureza age. “É onde o barro craquela, é onde o leito do rio seca, onde a tela se deforma formando pequenas “montanhas”. É muito lindo ver os processos físicos e químicos agindo”. Neste processo criativo, Aída entrega que é embalada, normalmente por música, do rock à música clássica, e vai apreciando a transformação e concepção da criação. Dessa maneira, para uma obra ficar pronta, leva muito tempo. “É um processo demorado”, diz.
 
A fosforescência e as constelações 
 
Segunda Constelação do Rio das Velhas (foto: Samuel Mendes/Divulgação )
Segunda Constelação do Rio das Velhas (foto: Samuel Mendes/Divulgação )
Em sua primeira exposição, Aída apresenta a fosforescência, que permite que as obras revelem diferentes paisagens conforme a iluminação. Uma experiência de pesquisa que será vivenciada pelo público numa dança entre a luz natural, a luz ultravioleta (UV) e escuridão. Aliás, um dos momentos de destaque da exposição diante dessa interação da obra com a luz ultravioleta, uma experiência que desloca o território terrestre para uma dimensão cósmica.
 
A artista explica que a fosforescência surgiu de um desejo simples: “pintar o céu estrelado”. O que condiz com sua alma de observadora das paisagens e das estrelas. Ela tem telescópio e gosta de astronomia. 
 
No processo, Aída revela que pintou algumas paisagens noturnas, mas não estava satisfeita com o resultado. Um dia, ela conta, pesquisando sobre as propriedades da pedra fluorita, resolveu comprar tinta fluorescente. “E foi estudando sobre fluorescência que cheguei à fosforescência. Aí, resolvi pintar o céu estrelado com fosforescência, para que cada paisagem tivesse o dia e a noite. Mas eu queria noites alegres, com o céu repleto de estrelas. E aí surgiram as constelações”. Portanto, todas as obras da exposição são constelações, que estão nos títulos das obras.
 
Entre as 26 obras, Aída entregue para deleite do público não só pinturas, mas também objetos artísticos construídos a partir de pigmentos minerais e fragmentos de rochas do Quadrilátero Ferrífero. Ela afirma que essa exposição foi pensada para que cada obra guardasse um pedacinho de Minas Gerais dentro dela. Não é apenas pintura de uma paisagem. “É uma paisagem inventada com elementos minerais de uma paisagem real. Então, as telas são paisagens com céu estrelado. E os objetos artísticos são planetas e meteoros inventados com rochas de Minas Gerais. Rochas que seriam descartadas na construção civil e na mineração se transformaram em meteoros e planetas fosforescentes”.
 
A arquitetura e a família
 
Formada em arquitetura, Aída começou a pintar nos anos 1990. Ela conta que a formação acadêmica aprimorou seu olhar, a ensinou a analisar formas, cores, texturas e composição visual. É com esse olhar técnico, ela ressalta, que faz o projeto de cada obra. “Minhas obras começam com um projeto de uma paisagem inventada, com uma análise rigorosa da composição formal e das cores”. Criações autorais, mas que tem como referência Henri Matisse, o pintor, desenhista, escultor e gravurista francês, considerado um dos artistas mais importantes e revolucionários do século XX. “É o artista que mais admiro e ele também analisava a composição formal e as cores”, afirma Aída.
 
Apesar de pintar há décadas, Aída só entrou no mercado de arte aos 50 anos. Para ela, a prioridade sempre foi a família, com dedicação exclusiva à criação dos filhos. No entanto, durante todo esse período, ela estudou, pintou e aprimorou sua arte. “Nunca parei de pintar, mas sou extremamente perfeccionista e só agora senti que minhas obras estavam prontas para o público. E é uma alegria imensa poder expor no Museu Gerdau das Minas e do Metal, um museu que tem tudo a ver com meu trabalho”.  Museu, aliás, que aproxima arte, ciência e território.

Serviço
Exposição: Paisagens Inventadas 
Artista:  Aída Fischer 
Data:  de 24 de setembro de 2026 a 28 de fevereiro de 2027
Local: MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal 
Endereço: Praça da Liberdade, n.º 680, Prédio Rosa, Bairro Funcionários, em Belo Horizonte -MG
Contato artista: aidafischer.oficial@gmail.com e (31) 99520-9180 e @aidafischer.oficial
Contato Gerdau: @mmgerdau 


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