Estado de Minas ECONOMIA

Consumo essencial sustenta crescimento do comércio em Minas

Estado registra avanço acima da média nacional em novembro, apesar de cenário econômico ainda desafiador


postado em 22/01/2026 08:20 / atualizado em 22/01/2026 08:29

Entre os destaques do comércio estão os setores de artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria(foto: Fecomércio MG/Divulgação)
Entre os destaques do comércio estão os setores de artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria (foto: Fecomércio MG/Divulgação)
O comércio varejista de Minas Gerais apresentou desempenho acima da média nacional em novembro, segundo dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE e analisada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG. O volume de vendas do varejo restrito no estado cresceu 1,3% na comparação com outubro, superando o avanço registrado no país (1,0%).

O resultado indica retomada do ritmo no curto prazo, impulsionada principalmente por segmentos ligados ao consumo essencial e recorrente. Entre os destaques estão os setores de artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria, além de equipamentos de informática, que seguem refletindo um comportamento mais seletivo por parte das famílias.

Na comparação com novembro de 2024, o varejo mineiro registrou crescimento de 1,1%, desempenho ligeiramente inferior ao observado no Brasil (1,3%), mas ainda positivo em um contexto de desaceleração do consumo no país. O dado contrasta com o ritmo mais intenso observado no mesmo período do ano anterior, quando o crescimento nacional foi significativamente maior.

Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o cenário aponta para uma adaptação do setor às atuais condições econômicas. “Mesmo com restrições no orçamento das famílias, o comércio mineiro tem mostrado capacidade de resposta. O consumidor está mais cauteloso, mas continua priorizando itens essenciais e de maior valor percebido”, avalia.

No acumulado de janeiro a novembro, Minas Gerais apresentou crescimento de 0,1% no comércio ampliado, enquanto o Brasil registrou retração de 0,3% no mesmo período. Já no acumulado de 12 meses, o desempenho do estado ficou estável (0,0%), frente a uma queda de 0,2% no cenário nacional, reforçando a posição relativamente mais sólida do varejo mineiro.

O comércio ampliado também teve resultado positivo em novembro, com alta de 0,9% em Minas Gerais na comparação mensal, acima do avanço nacional (0,7%). O desempenho foi puxado principalmente pelo segmento de material de construção, enquanto o setor de veículos segue pressionado, refletindo o ambiente de crédito mais restrito e os juros elevados.

Segundo Fernanda Gonçalves, o momento exige atenção estratégica por parte dos empresários. “Os dados mostram que Minas Gerais está conseguindo sustentar um desempenho melhor que o do Brasil, mas o cenário ainda é desafiador. Planejamento financeiro, gestão de estoques e leitura cuidadosa do perfil do consumidor serão decisivos para atravessar os próximos meses”, afirma.

A avaliação da Fecomércio MG indica que, apesar da perda de fôlego em alguns segmentos, o comércio mineiro encerrou novembro com sinais de equilíbrio e resiliência, mantendo desempenho acima da média nacional em um contexto econômico ainda marcado por cautela e desaceleração do consumo.

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