
Nesse cenário, o desenvolvimento/capacitação da liderança aparece como o principal desafio e prioridade para as organizações, citado por 57,4% dos respondentes, o percentual mais alto dos últimos cinco anos. Em seguida estão a transformação e/ou evolução da cultura organizacional e engajamento/comprometimento das pessoas. A saúde mental, que anteriormente figurava entre as principais prioridades, caiu de posição: antes ocupava o segundo lugar (30%) e agora é apontada por 19,3% dos respondentes.
A contratação de profissionais qualificados ganhou relevância entre as prioridades, passando de 12% para 21,9%. A Inteligência Artificial também segue em alta, subindo de 9% para 18,7%.
O relatório ainda indica mudanças nas características valorizadas nas lideranças. Após três anos com a empatia no topo, a capacidade de entregar resultados assumiu o primeiro lugar (57,4%). Ainda assim, habilidades relacionadas à gestão de pessoas permanecem essenciais: 49,8% dos respondentes apontam a “comunicação eficiente” como competência necessária para quem exerce cargos de liderança.
Embora a saúde mental não figure entre os principais desafios imediatos, o relatório aponta avanço na forma como as organizações tratam o tema. “Esse movimento indica uma maior maturidade na abordagem do assunto, com avanços em orçamento, práticas mais estruturadas e crescimento das empresas que realizam mapeamento de riscos psicossociais, possivelmente impulsionados por exigências regulatórias no país e pelo aprendizado acumulado ao longo dos últimos anos”, explica Daniela Diniz, diretora de comunicação e relações institucionais do GPTW e coordenadora do estudo.
Entre os formatos de trabalho, o modelo 100% presencial lidera com 51,1%, seguido pelo híbrido, com 41,3%. No entanto, empresas que operam exclusivamente de forma presencial relatam maior dificuldade para preencher vagas quando comparadas às que adotam modelos híbridos ou remotos.
Diversidade, ESG e tecnologia
Em Diversidade, Equidade e Inclusão, os temas continuam relevantes para a maioria das organizações (59,7%), mas enfrentam limitações orçamentárias. Na América Latina, cerca de 20% das empresas afirmam que o assunto não é uma pauta estratégica, evidenciando desalinhamento entre discurso e prática.
Na agenda de ESG e Sustentabilidade, 42,5% consideram o tema estratégico e essencial para a longevidade do negócio, enquanto 19,9% ainda não o veem dessa forma. Em outros países latino-americanos, a integração à estratégia aparece ligeiramente maior (45,8%) do que no Brasil.
Em Inovação e tecnologia, o uso da inteligência artificial apresentou crescimento, mas ainda é considerado incipiente. Muitas organizações concentram investimentos no aspecto tecnológico, deixando em segundo plano a capacitação das pessoas para o uso estratégico das ferramentas. No ranking geral, a inteligência artificial ocupa a 8ª posição, enquanto competências como resolução de problemas complexos, resiliência e pensamento crítico permanecem entre as prioridades.
Metodologia
A pesquisa foi realizada entre novembro e dezembro de 2025 e reuniu 1.577 respondentes — 1.346 no Brasil e 227 na América Latina. A maioria ocupa cargos de liderança na área de Recursos Humanos, em empresas de diferentes portes, principalmente dos setores de tecnologia e telecomunicações; serviços e financeiro.
Entre os participantes predominam profissionais da geração Y ou Millennials (50,2%), seguidos pela geração X (35,6%) e pela geração Z (9,4%). No Brasil, os estados com maior representatividade foram São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná.
O levantamento analisa temas como Mercado de Trabalho, Diversidade e Inclusão, ESG, Saúde Mental, Formação e Desenvolvimento de Pessoas, Liderança e Modelo de Trabalho, além de identificar os maiores desafios da gestão de pessoas e as prioridades organizacionais para 2026.