Aparelho comprova origem do vinho mesmo com a garrafa lacrada

Pesquisadora consegue identificar os íon metálicos presentes na bebida

por Encontro Digital 17/08/2016 15:27

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Não seria prático confirmar a origem de um vinho sem precisar abrir a garrafa? Isso já é possível graças a uma pesquisa da USP (foto: Pixabay)
Obter informações sobre vinhos tintos sem violar o lacre da garrafa e sem comprometer o conteúdo, de forma que a bebida ainda possa ser vendida após a análise, foi o objetivo de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Química da USP, em São Carlos, no interior de São Paulo. O trabalho da pesquisadora Esther Scherrer acompanhou a concentração de íons metálicos, como manganês, ferro e cobre, presentes no vinho e, com isso, conseguiu provar se o local de produção da bebida é realmente o que está especificado no rótulo. Para fazer isso, utilizou-se um equipamento de ressonância magnética nuclear semelhante àqueles usados em hospitais para exames clínicos. Terminada a medição, a garrafa de vinho continua exatamente como estava antes.

O estudo analisou um total de 53 garrafas de vinho tinto, buscando a maior variedade possível entre países e tipos de uva, para observar qual destas características surtia maior influência nos resultados. Vale dizer que íons metálicos estão naturalmente presentes nas bebidas que consumimos, sejam alcoólicas ou não, em concentrações variadas.

"O vinho não é uma bebida destilada, por isso a concentração de metais nele está diretamente ligada ao solo onde a uva foi plantada e também ao clima do local. Diferentes locais de origem geram perfis diferentes de concentração de íons metálicos, sendo possível descobrir a origem do vinho olhando apenas para estes elementos", afirma Esther Scherrer.

O trabalho utilizou um equipamento de ressonância muito semelhante aos utilizados em hospitais, só que menor. Enquanto o aparelho para análises clínicas consegue analisar um ser humano inteiro deitado, este foi projetado para amostras com até 10 cm de largura. "O equipamento é basicamente um ímã gigante que observa como a amostra se comporta quando está dentro do seu campo magnético. Por isso, metais que interagem com ímãs, como o ferro e o manganês, podem ser observados nessas medidas", explica a pesquisadora.

De acordo com Esther, num futuro próximo, o aparelho poderá ser usado em supermercados, para que o consumidor analise o produto desejado (vinho, azeite ou frutas frescas) antes de comprá-lo. "Havendo um banco de dados robusto e confiável, poderá ser desenvolvido um equipamento para que o consumidor analise a garrafa que tem interesse e descubra se ela realmente veio da origem que está no rótulo", aponta. "O sistema poderá ser útil para combater falsificações antes que o consumidor pague pelo produto".

(com Aência USP)

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