No primeiro mês de funcionamento, Mercado da Boca é considerado um sucesso

Mais de 40 mil pessoas já passaram pelo local, no Jardim Canadá, que foi inspirado em projetos internacionais como o Mercado da Ribeira, em Lisboa

por Carolina Daher 25/04/2018 14:44

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Ronaldo Dolabella/Encontro
O espaço do chef Ivo Faria é vizinho ao do francês Emmanuel Ruz: opções de cardápios para todos os gostos (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
É de deixar qualquer um de boca aberta. A começar pelo espaço. Assim que se chega ao Mercado da Boca, no Jardim Canadá, é impossível não reparar nos detalhes que tomam conta de todo o ambiente. Com projeto assinado por Gustavo Penna, o galpão de 4.000 m2 apresenta imensas janelas de vidro circulando todo o imóvel de linhas retas. Dividido em dois andares, uma imensa torre de panelas atravessa os dois pisos. Se a ideia é também comer com os olhos, o Da Boca acertou em cheio.

Mas o melhor mesmo vem de dentro das panelas dos mais de 20 estabelecimentos espalhados por ali. Tem comida para agradar a todos os gostos - e não é força de expressão, acredite. "A minha vida está mais do que resolvida aqui", comemora a nutricionista Manuela Zoffoli, de 35 anos. Enquanto ela provava uma entrada de lula do Rullus Buffet, a pequena Maria Eduarda Zoffoli, de 7 anos, esbaldava-se com um sanduíche do W Burger, do chef Gael Paim. "E a minha filha mais nova está na área kids se divertindo. Ou seja, é programa para toda a família", diz Manuela referindo-se à caçula, Maria Fernanda, de 2 anos.

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Os chefs Henrique Gilberto e Rafael Viana, do Rullus Buffet: pratos novos toda semana (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
A experiência gastronômica é rica. Logo na entrada está o espaço do chef Ivo Faria, do Vecchio Sogno. Diferentemente do restaurante - que serve comida italiana -, no Boca Ivo investe na carne de porco. "A minha proposta é acabar com certo preconceito que a carne de porco ainda desperta", diz. "É uma das proteínas mais saudáveis, e tudo que tem no porco é bom. Do focinho ao rabo", diz ele, que assina receitas como a barriga de porco com mandioca cremosa (R$ 36) e o nhoque de inhame com salteado de porquinho em molho de champignon cremoso (R$ 39).

Ao lado do Ivo está Emmanuel Ruz, dono de uma estrela no conceituado Guia Michelin, com o seu restaurante Lou Fassum. Para nossa alegria, há dois meses o chef trocou Grasse, na França, por BH. Seu primeiro empreendimento é no Boca. "Amo Minas Gerais e a sua riqueza natural", diz ele, que vai logo afirmando que seu prato preferido atualmente é o feijão-tropeiro. No seu espaço, no entanto, a estrela é a tradicional comida francesa. São sete pratos, com valores de 33 a 55 reais. O mais pedido é o boeuf bourguignon gratinado com batata (49 reais). "É um sucesso", resume o chef.

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O chef Cristóvão Laruça, da Tasca Lusitana: comida portuguesa de raiz e pratos exclusivos (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Os preços são um grande atrativo. Segundo o sócio Renato Guerra, o Mercado da Boca quer democratizar o acesso à alta gastronomia, ou seja, fazer com que todos tenham a chance de experimentar pratos assinados por grandes chefs por um valor que cabe no bolso. O maior desafio dos empreendedores, no entanto, é cultural. Com pouco mais de um mês de funcionamento, Renato acha que o público ainda está entendendo como é o funcionamento de um espaço como esse. Uma das reclamações recorrentes é que frequentadores marcam lugares nas mesas comunitárias enquanto muitos precisam comer em pé. "Estamos fazendo campanhas nas redes sociais e também vamos colocar avisos pedindo que isso não aconteça. É uma questão de conscientização", explica Renato. "Queremos que o público entenda o conceito e que viva essa experiência ao máximo." São 940 assentos espalhados pelos dois andares. "As mesas comunitárias são uma tendência no mundo inteiro e acreditamos que é uma forma bacana de conhecer pessoas. Não é só a comida, o Mercado quer ser um programa para seus frequentadores."

A representante comercial Viviane Block, de 31 anos, e a estudante Bárbara Braga, de 26, resolveram conhecer o espaço numa sexta-feira na hora do almoço. Fora dos horários de pico (ver quadro), as amigas conseguiram sentar e pedir seus pratos com calma. "É um lugar maravilhoso e estamos encantadas", disse Bárbara, que escolheu um arroz com polvo do Zé Trindade, comandado pelo chef Fred Trindade. "Só sentimos falta de encontrar guardanapo e talheres nas mesas", diz Viviane, completando em seguida: "Sabemos que é assim no resto do mundo e precisamos nos acostumar. Na verdade, nós, brasileiros, somos preguiçosos." Por ali, não existem garçons. É cada um por si. O pagamento é através de um cartão próprio. É com ele que o cliente pagará o que consumir em todos os estabelecimentos disponíveis. Segundo o próprio Mercado, o ticket médio por pessoa é de 100 reais.

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Manuela Zoffoli com a filha Maria Eduarda, de 7 anos: programa para toda a famíla (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Não é difícil gastar o que se tem no cartão. É um mar de possibilidades para quem gosta de comer bem. Comida mexicana, havaiana, mineira, italiana, todas dividindo espaço e convivendo na mais perfeita harmonia. Representante de Portugal, o Tasca Lusitana, do chef Cristóvão Laruça, do restaurante Caravela. "Aqui fazemos uma abordagem da comida de uma forma mais descontraída", explica ele, que quis reproduzir no Boca uma verdadeira tasca lisboeta, ou seja, um estabelecimento que vende comida do dia a dia, sem frescuras, mas com muito sabor. Estão no cardápio os tradicionais bolinhos de bacalhau com queijo Serra da Estrela (30 reais, com 8 unidades) e pastéis de nata (R$ 8). Uma receita só servida ali é o lombo de bacalhau com grão-de-bico, vinagrete de fumeiro e migas de broa (45 reais), eleito o melhor prato da Festa Portuguesa de BH, no ano passado.

Para acompanhar essas belezuras gastronômicas, tem vinho. A carta da adega Garrafeira tem 67 rótulos, divididos em tinto, branco, rosé e espumante. A bebida também é vendida em taça. Se o seu negócio é um bom coquetel, dois bares preparam combinações clássicas e diferentonas. Um deles, o G&T, usa exclusivamente gin no preparo de suas 19 receitas, como no caso do Tanginrina (gin, morango, abacaxi, 1883 lichia, suco de laranja e espuma de tangerina). Os valores variam de 20 a 60 reais, de acordo com a escolha do destilado. Em um outro bar, os frequentadores também encontram cervejas e chopes artesanais.

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Viviane Block e Bárbara Braga sentiram falta de talheres e guardanapos nas mesas: "Nós, brasileiros, somos preguiçosos", diz Viviane (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
E se quiser que o programa acabe em pizza, tudo bem. Tem a Prima Napoletana, com seus sete sabores. Já se desejar apenas um belisquete, basta correr no La Boqueria (leia-se Boca do Forno), que vende porções de seus salgados famosos como o camarão empanado e a coxinha de frango com catupiry. Outros chefs bambambãs também dão o ar da graça: Clóvis Viana, do Patuscada; Felipe Rameh, do Alma Chef; Flávio Trombino, do Xapuri; Rodrigo Zarife, do Ro.za; Jaime Solares, da Borracharia Gastrobar... É tanta comida boa que dá até gosto de ver.

Números do primeiro mês

  • Investimento: R$ 8 milhões

  • Público: 9,5 mil pessoas por semana

  • Assentos: 940

  • Vinhos vendidos: 6 mil taças

  • Chopes vendidos: 25 mil

  • Sobremesas vendidas: 14 mil

  • Horários de pico: quinta e sexta entre 20h e 22h; sábado e domingo entre 12h e 15h

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