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Estado de Minas BEM-ESTAR

Leite e laticínios integrais ajudam o coração, diz estudo

Consumo desses produtos também pode favorecer a longevidade


postado em 12/09/2018 10:30 / atualizado em 12/09/2018 10:58

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)
Consumir três ou mais porções de leite e produtos lácteos por dia está ligado ao menor risco de problemas cardiovasculares e à redução da mortalidade. O efeito parece mais pronunciado entre aqueles que bebem leite integral ou iogurte. Esta é a conclusão de um estudo que avaliou mais de 100 mil pessoas de 21 países diferentes. A informação foi divulçgada pelo jornal espanhol El País.

Até então, autoridades de saúde e especialistas em nutrição sempre recomendaram a ingestão de laticínios semi ou totalmente desnatados. A justificativa para isso se deve à grande quantidade de gordura saturada presente na versão integral desse tipo de alimento, o que causa elevação na taxa de colesterol, por exemplo – gerando várias doenças cardiovasculares, principal causa de mortalidade no mundo.

Agora, um dos maiores estudos feitos até o momento questiona as recomendações que mostram uma conexão entre o leite, em particular o integral, e a boa saúde do coração. Desde 2003, dezenas de cientistas vêm realizando um estudo epidemiológico com populações urbanas e rurais de 21 países nos cinco continentes. Os mais de 136 mil voluntários de 35 a 70 anos foram entrevistados para conhecer seus hábitos alimentares e foram acompanhados por cerca de nove anos.

Os últimos dados disponíveis, divulgados em julho, mostram que cerca de 6,8 mil participantes morreram durante o acompanhamento, sendo que duas mil devido a problemas ligados ao coração. Outros 2,6 mil sofreram infarto do miocárdio; 2,7 mil tiveram acidente vascular cerebral (AVC); e outros 500 foram diagnosticados com insuficiência cardíaca grave. Ao cruzar esses dados com as dietas dos voluntários, os autores do estudo, que foi publicado na revista científica The Lancet, observaram que aqueles que consumiam produtos lácteos estavam menos propensos a estar entre os mortos ou sofrer algum problema cardiovascular grave.

"Há muitos fatores envolvidos nos padrões de consumo, como a diferente cultura alimentar dos países envolvidos. Mas, não importa o país analisado, sempre vemos a mesma tendência", comenta o pesquisador Mahshid Dehghan, da Universidade McMaster, do Canadá, principal autor do estudo, em entrevista para o El País.

O grupo de alto consumo de laticínios integrais apresentou taxa de mortalidade de 3,4%, enquanto os que não consumiam leite e derivados alcançaram taxa de 5,6%. Em relação aos problemas cardiovasculares, houve menos mortes (0,9%) no primeiro grupo em relação ao segundo (1,6%), e também menos AVC's não fatais (1,2% contra 2,9%, respectivamente). Apenas a quantidade de infartes não registrou diferenças significativas.

Para a pesquisa, foi levada em conta uma dieta com consumo médio diário de 244 gr de leite ou iogurte integral, 15 gr de queijo ou cinco gramas de manteiga.

"Há um erro generalizado de que ingerir produtos lácteos é prejudicial à saúde cardiovascular e o estudo deixa claro isso", diz a epidemiologista Nita Forouhi, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra,  em entrevista para o jornal espanhol. "Os resultados não são novos, mas o estudo acrescenta novos conhecimentos num contexto global envolvendo os cinco continentes. Pesquisas anteriores se concentraram quase exclusivamente em países ocidentais desenvolvidos", acrescenta a especialista.

Embora a pesquisa mostre uma relação entre o consumo de leite integral e os benefícios para a saúde do coração, não é capaz de explicar os mecanismos reais por trás disso. Além disso, não foi levado em conta o fator genético e como cada organismo lida com o consumo de gorduras saturadas.

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