É exatamente o que vem acontecendo por aqui. Alguns estabelecimentos seguem os passos de São Paulo, terra conhecida por suas padocas – verdadeiras instituições onde é possível encontrar no mesmo espaço sushibar e pizzaria. Claro que com algumas adaptações ao nosso paladar. Inaugurada há seis meses, a Casa Grão, no Santo Agostinho, tem isso tudo aí e, claro, muito pão de queijo. Além do tradicional, a gerente de produção Glória Bonifácio criou uma receita que leva milho e é finalizada com fubá (R$ 34,90, o quilo). "É um dos produtos mais pedidos", diz ela, que produz uma lista de mais de 500 itens de padaria e confeitaria. Em um espaço de 1.200 m2 com capacidade para 300 pessoas sentadas, a Casa Grão oferece café da manhã (R$ 49,90, o quilo), almoço (R$ 59,90, o quilo, durante a semana e R$ 69,90 aos sábados, domingos e feriados), café da tarde (R$ 49,90, o quilo) e à noite um menu à la carte. Há ainda pizzaria, sushibar e hamburgueria. "Somos um centro gastronômico que vende até pão", brinca o sócio Emerson Lessa, que comanda o negócio com Job Marcos Pires Heleno.

Na mesma linha, o Hangar dos Pães tem uma vista de tirar o fôlego: a cabeceira do aeroporto e a lagoa da Pampulha. Com projeto do arquiteto Lucas Lage, o imóvel tem 1.000 m2 com capacidade para 280 clientes sentados e lembra uma sala de embarque. A decoração inspirada no universo da aviação, no entanto, é coadjuvante perto da variedade de produtos oferecidos pelo estabelecimento. Da cozinha saem mais de 400 itens: desses, mais de 30 são pães. "Havia uma carência de um espaço assim nas regiões Norte e Nordeste", diz o empresário Rafael de Siqueira Vieira, que chega a receber 2 mil pessoas por dia. O café da manhã (R$ 38,90 de segunda a sexta e R$ 42,90 aos sábados, domingos e feriados) é servido das 6h30 às 11h. A partir de 11h30, entra em cena o almoço (R$ 39,90, o quilo de segunda a sexta e R$ 49,90, sábados, domingos e feriados), preparado pelo chef Antônio Gomes, que passou pelo bufê Célia Soutto Mayor.
Na contramão das superpadarias, mas em dia com o discurso de atender as minorias, a Seleve aparece como a salvação para os intolerantes a glúten e leite. Localizada na esquina das ruas Santa Catarina e Antônio Aleixo, em Lourdes, a padaria é extremamente segmentada. Logo na porta, há um cartaz pedindo que as pessoas não consumam produtos não originais ali. "Levamos o assunto a sério. É fundamental preservar o ambiente seguro", diz a nutricionista Fernanda Nogueira, que abriu há dois anos o estabelecimento com a irmã, a farmacêutica Ana Tereza Nogueira. Por ali, os clientes encontram 36 itens de fabricação própria. Bolos, salgados e tortas, além de pães, como o de fôrma Fibras, que leva farinha de grão-de-bico e mix de sementes e outros 15 ingredientes (R$ 21,50). Todos os dias, a casa oferece um brunch. O combo café da manhã custa 28,90 reais e é composto de cesta de pães, ovos mexidos, antepastos, expresso, suco de frutas ou chá. De segunda a sexta tem executivo com cinco pratos, como o estrogonofe vegano (R$ 32,90), preparado com pupunha, cogumelo-paris, molho de tomate, leite vegetal e conhaque, servido com arroz de couve-flor, batata-doce palha assada e saladinha do dia. Os sanduíches fazem sucesso e o Indiano (R$ 28,90) – baguete, bionese, frango, tomate cereja, creme de castanha-de-caju, e curry e alface – é uma delícia. Tapiocas, omeletes, salgados e sobremesas completam o menu.
O negócio vem dando tão certo que a Seleve acaba de ser formatada para se transformar em franquia, a partir de 290 mil reais. "É muito trabalho, muito estudo, mas vale a pena", afirma Fernanda. Vira e mexe, as irmãs escutam histórias que as fazem acreditar que estão mesmo no caminho certo. "Tem uma mãe que busca pão de hambúrguer aqui e leva ao MCDonald’s para o filho celíaco poder lanchar com os amigos", conta Ana Tereza. Outro dia, uma cliente entrou na loja e depois de dar uma mordida no pão agradeceu: "Fazia mais de 30 anos que não comia um pãozinho de sal".
O mercado de padarias em Minas*
- 7 mil empresas
- 14 mil pontos de venda
- 4 milhões de consumidores/dia dentro das lojas
- 80 mil empregos diretos e 180 mil indiretos
- 9 bilhões de reais por ano de faturamento
*Fonte: Amipão - Sindicato e Associação Mineira da Indústria de Panificação