Estado de Minas RECONHECIMENTO

Cachaça mineira conquista medalha internacional na França

Produzida em Felixlândia, Flor das Gerais recebeu prata em concurso de bebidas orgânicas e mantém feito inédito do Brasil na premiação


postado em 20/05/2026 07:01 / atualizado em 20/05/2026 07:10

Porto Douro, rótulo extra premium da marca recebeu reconhecimento na competição francesa(foto: Davi Getúlio/Divulgação)
Porto Douro, rótulo extra premium da marca recebeu reconhecimento na competição francesa (foto: Davi Getúlio/Divulgação)
A poucos dias do Dia Mineiro da Cachaça, celebrado nesta quinta-feira (21), uma cachaça produzida no interior de Minas voltou a colocar o Brasil em evidência no mercado internacional de bebidas orgânicas. A Flor das Gerais, destilaria de Felixlândia, na região Central do estado, conquistou, pelo segundo ano consecutivo, uma medalha no Concours International des Produits Biologiques, realizado na França e considerado uma das principais premiações mundiais do segmento.

Desta vez, o reconhecimento veio com a Porto Douro, rótulo extra premium da marca, que recebeu medalha de prata na competição internacional. A bebida é envelhecida por dez anos em tonéis de carvalho europeu e finalizada em barris que anteriormente armazenaram vinho do Porto. Lançada no mercado em 2025, a cachaça já acumula prêmios nacionais e internacionais, incluindo medalha de ouro no Concurso de Qualidade da Cachaça da Emater-MG.

Com a nova conquista, a Flor das Gerais mantém um feito raro: o Brasil soma apenas duas medalhas na história do concurso francês — ambas da destilaria mineira. Em 2025, a Dorna Única, envelhecida por quatro anos em amburana, conquistou medalha de ouro na mesma competição.

Responsável técnico da empresa, o engenheiro agrônomo Daniel Duarte afirma que a premiação reforça a consistência do trabalho desenvolvido pela destilaria ao longo das últimas décadas. “É um concurso com padrões técnicos elevados, que reconhece vinhos, cervejas e destilados produzidos de forma biológica, sem o uso de agrotóxicos. Receber esse reconhecimento pelo segundo ano consecutivo mostra que estamos no caminho certo, produzindo uma cachaça de ótima qualidade, alinhada às boas práticas ambientais e capaz de competir internacionalmente”, afirma.

A Porto Douro integra uma estratégia iniciada pela Flor das Gerais em 2017 para fortalecer a produção de cachaças especiais e ampliar a atuação da marca no segmento extra premium. O projeto envolveu pesquisas acadêmicas, análises sensoriais e estudos sobre envelhecimento da bebida.

O primeiro resultado desse reposicionamento foi a Dorna Única, lançada em 2022 e rapidamente premiada em concursos nacionais e internacionais. Agora, a Porto Douro representa o segundo rótulo da linha especial da destilaria, que já planeja uma terceira edição, prevista para ser lançada entre 2028 e 2029.

Além das premiações, a Flor das Gerais também se destaca pelo modelo de produção. A empresa foi a primeira cachaça certificada como orgânica em Minas Gerais, recebendo o selo do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) em 2009.

Representante da quarta geração da família à frente da produção, Daniel Duarte afirma que o reconhecimento internacional também simboliza um processo iniciado há mais de duas décadas. “Esse reconhecimento internacional valoriza um trabalho iniciado há mais de 20 anos, quando começamos a transição da agricultura convencional para a produção orgânica”, ressalta.

A produção orgânica da destilaria segue critérios que incluem o não uso de agrotóxicos no cultivo da cana-de-açúcar e práticas voltadas à preservação ambiental e às condições de trabalho no campo.

A história da Flor das Gerais começou há mais de um século, na Fazenda Mourões, em Felixlândia. O local ainda preserva um engenho de madeira tracionado por bois, construído em 1912 pelo bisavô de Daniel Duarte.

Hoje, a produção ocupa uma área de 60 hectares e inclui um projeto próprio de envelhecimento sustentável, baseado no cultivo de espécies destinadas à tanoaria, madeira utilizada na fabricação de barris. “A ideia é compensar a madeira utilizada hoje e, no futuro, produzir nossos próprios barris. Estamos plantando espécies tanoeiras para garantir sustentabilidade ao processo e fortalecer nossa independência produtiva”, explica Daniel.

Segundo ele, o trabalho desenvolvido atualmente também é resultado da atuação dos pais, Adão e Lúcia Duarte, responsáveis pela operação da fazenda e pela continuidade do conhecimento transmitido entre gerações. Atualmente, a destilaria produz cerca de 10 mil litros por ano e chega a triplicar o número de trabalhadores durante o período de safra, entre maio e setembro.

Concurso Amphore

Criado em 1996 pelo jornalista e especialista Pierre Guigui, o Concours International des Produits Biologiques et en conversion, também conhecido como Concurso Amphore, é dedicado exclusivamente a bebidas orgânicas. A competição reúne anualmente produtores de diversos países e avalia vinhos, cervejas e destilados por meio de degustações às cegas, realizadas sob critérios internacionais de análise sensorial.

Na edição mais recente, cerca de 500 amostras foram avaliadas por aproximadamente 80 jurados internacionais. O concurso possui certificação ISO 9001 e é reconhecido oficialmente pelas autoridades francesas, incluindo a Direção Geral de Concorrência, Consumo e Repressão a Fraudes (DGCCRF).

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