Crossfit pode ser praticado também por crianças

por Daniela Costa 17/10/2016 14:42

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Victor Schwaner/Encontro
Os irmãos Vitor e Thomas Melo, com Enzo e Angelina Diniz, divertem-se nos exercícios: movimentos são feitos de forma lúdica, com intensidade moderada, por meio de jogos com bolas, argolas e cordas (foto: Victor Schwaner/Encontro)
A aparência frágil não faz o pequeno Enzo Diniz, de 5 anos, desistir do desafio. Com coragem e persistência, ele se mantém, mesmo que por alguns segundos, dependurado nas argolas. Mais experiente, a irmã Angelina, de 7 anos, já executa movimentos ousados no aparelho. Fichinha para quem, desde pequena, pratica ginástica artística e natação. "Infelizmente, as crianças de hoje não têm a liberdade que tínhamos na infância, quando podíamos  brincar nas ruas. E ainda ganharam muito mais responsabilidades. Por isso, acredito que as atividades físicas sejam tão fundamentais", diz o pai dos dois, o administrador de empresas Marcelo Diniz.  E não são só os adultos que pegam pesado na hora dos treinos. Disciplina, coordenação motora, força e equilíbrio são requisitos básicos para os praticantes mirins do crossfit. A modalidade é conhecida pela prática de movimentos rápidos e treinamentos variados. Claro que, em se tratando de crianças, os exercícios são feitos de forma lúdica, com intensidade moderada, por meio de jogos com bolas, argolas e cordas. "Elas fazem exercícios como saltos, corrida, deslocamento de cargas e arremessos de bola próprios para a idade", explica a educadora física Carolina de Paula Wendling, do The Box Crossfit.

Assim como em qualquer esporte, os benefícios para a garotada são vários. A começar pelo combate ao sedentarismo e aos vícios tecnológicos. Mesmo que por pouco tempo, TVs e videogames perdem a supremacia. Em contrapartida, a realização de uma gama de movimentos diversificados promove o desenvolvimento motor, a melhora da capacidade aeróbica e o ganho de flexibilidade e força. "Boa parte das atividades é feita em grupo, e o intuito é desenvolver o potencial físico, as capacidades cognitivas, o pensamento estratégico e a sociabilização de cada aluno", diz o educador físico Luciano Silveira Coelho, do Crossfit BH.

Victor Schwaner/Encontro
Além de ginástica olímpica, pilates e dança de rua, há dois meses Isabela Silva, 9 anos, pratica crossfit. "Ela mesma é quem escolhe o que fazer. Conforme o ritmo dela", diz a mãe, a advogada Ceres Silva (foto: Victor Schwaner/Encontro)
Enquanto Thomas Melo, de 5 anos, aventura-se a escalar uma corda, seu irmão Vitor, de 7 anos, faz estripulias na argola. A mãe, a arquiteta Flavia Melo Tarmo, assiste a tudo orgulhosa. Ela conta que os filhos se sentem em uma gincana. "Eles adoram. Lembra muito as aulas de educação física que eu tinha quando pequena", diz. O gasto de energia é garantido, mas é preciso ficar atento a algumas particularidades. Segundo a médica pediatra e hebiatra Lívia Rodrigues Dias de Paiva, crianças e adolescentes apresentam condições físicas bem diferentes dos adultos, que precisam ser respeitadas. Por gastarem menos oxigênio durante os exercícios, possuem menor estoque de glicogênio e gordura corporal, o que equivale a menos energia para queimar, maior intolerância ao calor e menor período de recuperação entre uma atividade e outra. "Isso significa que se deve substituir a prática de atividades contínuas e de longa duração por curtas e espaçadas, ao longo do dia", orienta Lívia.

A especialista explica que, por volta dos 7 anos de idade, completa-se o desenvolvimento motor da criança. É nessa fase que habilidades relacionadas a marcha, corrida, arremesso e saltos atingem a sua plenitude, o que explica o fato de alguns pimpolhos praticarem vários esportes ao mesmo tempo. A exemplo de Isabela Silva, de 9 anos, que, além de ginástica olímpica, pilates e dança de rua, há dois meses pratica crossfit. "Ela mesma é quem escolhe o que quer fazer. De acordo com o ritmo dela", diz a mãe, a advogada Ceres Silva.

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Aos 5 anos, Thomas Melo já se aventura a escalar uma corda: como em uma gincana (foto: Victor Schwaner/Encontro)
O período entre os 10 e 13 anos compreende a fase de maiores transformações físicas e psíquicas, quando se inicia a puberdade. "Esses dois momentos, tanto da criança quanto do pré-adolescente, requerem bastante cuidado para não comprometer o crescimento do esqueleto ósseo", diz Lívia. Aos 12 anos, e praticando crossfit há nove meses, Ana Vitória de Souza e Silva não teve nenhum problema. Acostumada às exigências do balé, pratica atividade física se divertindo. "É muito legal. Cada dia fazemos algo diferente e interessante", diz. Ao matricular os filhos em uma academia, a orientação é ter sempre acompanhamento profissional e verificar se há sobrecarga, cobranças excessivas, além de incentivo ao uso de suplementos nutricionais e anabolizantes. "Nos pré-adolescentes, sinais como ganho de peso rápido, o surgimento de músculos e espinhas, alteração de sono, irritação e engrossamento da voz de forma precoce servem como alerta", orienta Lívia. Tomados esses cuidados, a versão leve e lúdica do crossfit kids não oferece riscos, segundo ela. Pelo contrário, é uma maneira divertida de incentivar as crianças a ter um estilo de vida ativo e saudável.

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