Festas rooftop se espalham por BH

Baladas realizadas em coberturas e terraços de edifícios conquistam público notívago da capital mineira

por Rafael Rocha 16/10/2017 15:55

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Samuel Gê/Encontro
A balada no terraço do hotel Othon Palace, no centro: bons drinques e boa música à beira da piscina (foto: Samuel Gê/Encontro)
Um tapete vermelho estendido logo na entrada é pisado por saltos altos de causar vertigem. Seguranças engravatados congestionam-se na função de evitar que algo incomode quem chega. As quintas-feiras andam movimentadas no Othon Palace. Nesse dia, a imensa maioria de quem passa pela recepção não quer se hospedar em nenhuma suíte de um dos hotéis mais tradicionais da cidade. Ao entrar no elevador e apertar o botão do 25º andar, uma turma jovem e antenada segue direto para a cobertura. Vão em busca do Raro Sky Bar, uma estrutura que recebe festas no estilo rooftop (telhado, em inglês), espécie de balada feita em terraços de prédios que tem se tornado moda na capital.

O formato é comum em grandes cidades estrangeiras, e no Brasil já havia chegado a outras capitais. Em Belo Horizonte a ideia parece ter pegado. "Esse tipo de evento reúne tudo o que o mineiro gosta: comida farta, bebida e céu aberto", avalia Túlio Carregal, um dos responsáveis pelo Night Market, cobertura no bairro Estoril que todas as sextas e sábados recebe um público animado no topo de um prédio de três andares.

Samuel Gê/Encontro
Os organizadores da festa no Othon Palace, Vinícius Gregório, Bernardo Gregório e Lucas Montandon: "A cada semana nosso público só aumenta", revela Lucas (foto: Samuel Gê/Encontro)
Além da vista deslumbrante do nosso belo horizonte, o clima despretensioso de uma balada em área aberta e com o céu estrelado parece ser a fórmula de sucesso para atrair público fiel. DJs de lounge, drinques caprichados e uma dedicação esmerada ao xaveco ajudam a fazer a fama dos rooftops. Há quem seja assíduo, como o ator e produtor José Luiz Silveira, que bate cartão no Night Market desde a inauguração, um ano atrás. "Parece que estamos na cobertura de algum amigo, não parece que é um evento", diz.

A produção envolvida na cobertura do Othon Palace não é tão despretensiosa assim. As cerca de 250 pessoas que ocupam a área dividem-se entre a borda de uma bela piscina, onde uma cabine de DJ foi montada, e o bar de Filipe Brasil, de onde saem aproximadamente 400 drinques, principalmente receitas feitas com gin, o destilado do momento. À la Kenny G, um saxofonista aparece eventualmente para entreter a clientela. A bela paisagem do Parque Municipal e o horizonte todo iluminado conferem um tom cosmopolita ao local. É tanta badalação que dia desses um hóspede reclamou do barulho e chamou a polícia. Desde então, o andar debaixo fica totalmente vago para evitar incomodados.

"Junto do DJ Rodolfo Britto, recebemos convite do hotel para fazermos algum evento nesse espaço. Apresentamos o projeto e eles gostaram", diz Vinícius Gregório, um dos organizadores.

Telma Terra/Divulgação
A Downtown Rooftop, no Hotel Dayrell, no centro: festa começa no pôr do sol e avança noite adentro (foto: Telma Terra/Divulgação)
As festas têm reunido o que os produtores mais gostam: gente disposta a gastar dinheiro e com energia de sobra para dedicar horas a uma festa. "A cada semana nosso público só aumenta", revela Lucas Montandon, sócio de Vinícius. Ele informa que seu telefone não para de tocar nos últimos tempos. Quem liga são garotas e rapazes interessados em entrar na balada, que não cobra entrada, mas conta com uma disputada lista de reserva. "É o lugar que mais vende coquetel na cidade", calcula o bartender Filipe. Todas as rooftops consultadas por Encontro falam em expansão.

Realizadas em prédios improváveis, as festas têm levado um público notívago a frequentar regiões onde antes habitava um deserto do entretenimento. "Há anos eu não frequentava o centro da cidade, mas meus amigos me disseram que aqui virou point e vim conferir", disse o professor universitário Ronaldo Garcia, que foi para a festa no Othon Palace após sair do trabalho. Acompanhada de amigas, a estudante de medicina Laura Junqueira também olhava o ambiente com curiosidade. "Eu nunca havia visto uma festa em hotel. Gostei disso, mas espero que role paquera. Eu vim para isso", disse Laura, que também ligou para Lucas pedindo liberação de sua entrada.

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A estudante de medicina Laura Junqueira (à dir.), as amigas Karoline Paiva (à esq.) e Altiva Melo curtiram pela primeira vez uma festa de hotel: à procura de paquera (foto: Samuel Gê/Encontro)
Em outro canto da cidade, no Hotel Ramada Encore Virgínia, o bairro Luxemburgo é destino para quem anima ir a uma balada vibrante ao ar livre em plena quinta-feira. Há um ano e meio, a cobertura do prédio de 18 andares é ponto de encontro não somente dos belo-horizontinos. "Metade do nosso público é formada pelos hóspedes do hotel", calcula a gerente geral, Pollyanna Sousa. Aniversariantes que queiram fazer sua celebração por ali ganham uma hospedagem para até duas pessoas caso levem mais de 20 convidados ao local. "É uma forma também de o hotel gerar outras receitas", explica Pollyanna ao informar sobre a motivação do estabelecimento em montar uma balada dentro de suas instalações.

O cenário inspirador fica ainda mais imperdível quando a festa acontece durante o pôr do sol e emoldura a Serra do Curral, como acontece na Downtown Rooftop, realizada no Hotel Dayrell. "O pôr-do-sol é a principal atração da nossa festa", diz Matheus Menezes, relações-públicas responsável pelo rooftop, também instalado no centro. Tudo começou quando a empresária Iris Chaves, sua amiga, o convidou para organizar sua festa de aniversário naquela cobertura. Deu tão certo que eles acabaram virando sócios. "Fiquei encantado com o local e vi ali uma oportunidade de negócio", relembra o promoter. A festa começou pontual e tornou-se um sucesso inesperado. "Foi algo despretensioso e nem imaginávamos que fosse virar o que virou", revela Matheus.

Divulgação
O terraço do Hotel Ramada Encore Virgínia, no Luxemburgo: metade do público das baladas é formada por hóspedes (foto: Divulgação)
A paisagem panorâmica não anima apenas quem está à procura de paquera. Serve de inspiração também para casais com planos mais sólidos, como a dupla formada pela veterinária Marina de Souza Costa e pelo advogado Lucas Motta, que se conhecem há pouco tempo e escolheram a vista privilegiada do Othon para um chamego. "Um espaço desses é perfeito para namorar", comentou Marina. Para paquerar, namorar ou somente tomar um bom coquetel, o céu é o limite.

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