Oficinas visam estreitar o vínculo entre mães e seus bebês

As atividades são voltadas para mulheres que estão na chamada fase de puerpério

por Felipe Figueiredo 23/10/2017 13:27

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Ronaldo Dolabella/Encontro
A bailarina e fisioterapeuta Carolina Vaz (no centro), da oficina Dançando com Bebês: "O final da gestação e o pós-parto compreendem uma fase difícil para as mães e por isso a própria interação com outras mulheres é fundamental" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
O nascimento de um filho causa uma revolução na vida de muitas mães. É comum ouvir relatos de mulheres queixando-se de passar um grande período reclusas, principalmente por não encontrarem espaços e atividades adequadas para realizarem com um bebê de poucos meses. Por isso, começaram a surgir na cidade algumas iniciativas com ênfase na ressocialização de mães. É o caso do Cine Materna, sessões de cinema para quem está acompanhada de bebês de até 18 meses, seguidas de bate-papo sobre as atrações. Alguns projetos têm a intenção, ainda, de estreitar o vínculo entre mães e seus pequenos, como nas oficinas Dançando com Bebês e Voz Materna.

As atividades são voltadas principalmente para mulheres que ainda se encontram na chamada fase de puerpério - período subsequente ao parto que abrange uma série de transformações físicas e hormonais até que o corpo da mulher volte ao estado pré-gravidez. Essa etapa costuma durar de seis a oito semanas, podendo se estender dependendo da capacidade de regeneração de cada organismo. "O final da gestação e o pós-parto compreendem uma fase difícil para as mães e por isso a própria interação com outras mulheres é fundamental", diz a bailarina e fisioterapeuta Carolina Vaz, criadora do projeto Dançando com Bebês. A ideia foi fundir suas duas paixões: a dança e o desenvolvimento motor. Crianças até 9 meses de idade, que ainda não engatinham, são o alvo do projeto. "Após nove meses, as demandas para o bebê passam a ser outras. Como ele ganha alguma autonomia, fazer uma atividade colado à mãe já não é tão importante."

A fisioterapeuta explica que a dança ajuda o bebê a compreender melhor o próprio corpo. "Estudos comprovam que os bebês expostos à música, ao ritmo e às vivências corporais precocemente tendem a alcançar o desenvolvimento motor mais cedo", acredita. Os encontros ocorrem uma vez por semana, no bairro Serra, na região Centro-Sul. As mães vestem wrap slings e fixam seus bebês na vestimenta (um pedaço de pano que deixa mulher e criança abraçadas). Depois, elas se posicionam em círculo para receber as instruções de Carolina, responsável pela criação das coreografias e escolha do repertório musical. "Dou preferência a músicas mais calmas, como cantigas de roda e canções acústicas", afirma.

Gláucia Rodrigues/Encontro
A musicista Marcela Nunes (à esq.), da Voz Materna, com seus filhos João, de 1 ano, e Julia, de 5, e a psicóloga Ana Luiza Nunes: as crianças acompanham o ritmo ditado no violão, na flauta ou em instrumentos de percussão (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
Para a relações-públicas Daniela Fonseca, mãe da pequena Gabriela, de 2 meses, a atividade é extremamente gratificante. "Eu estava em busca de algo para fazer fora de casa, onde eu pudesse participar com a minha filha", diz. "Percebi que ela se divertiu." Mãe de Sarah, de 5 meses, a médica Bárbara Nascimento recomenda a oficina para quem está cansada de ficar em casa. "Eu já estava querendo fazer algo fora há algum tempo e encontrei na oficina uma alternativa interessante de me exercitar e me conectar com minha filha."

Ao alocar um tapete colorido no centro da sua sala de estar, no bairro Floresta, na região Leste, preenchê-lo com chocalhos e instrumentos pequeninos, a musicista Marcela Nunes, mãe de João, de 1 ano, e Julia, de 5, transformou a própria casa em um espaço musical destinado a receber mães e filhos. Com a ajuda de sua irmã, Ana Luiza Nunes, psicóloga e doula (mulher que orienta e assiste gestantes na hora do parto), nasceu a oficina Voz Materna. Mães de recém-nascidos ou crianças um pouco maiorzinhas sentam em roda no tal tapete colorido. É aí que Marcela dá início à atividade, ditando o ritmo no violão, na flauta ou em instrumentos de percussão. Marcela e a irmã puxam o coro para as mães soltarem a voz. Logo, os pequenos começam a agitar seus chocalhos, pandeiros ou bater nos tambores e bongôs. "Cada filho pega um instrumento, mas eles vão trocando durante as músicas. No final, acabam mostrando sua preferência por algum", conta Marcela. Ana Luiza, por sua vez, ressalta a importância de as mães compartilharem suas angústias e alegrias. "Sempre terminamos em uma roda de conversa", diz a psicóloga. "As mulheres trocam experiências e percebem que muitas vezes o que elas acreditavam ser falhas só delas não é exclusividade de uma pessoa só."

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