Matriz de Conceição do Mato Dentro está sendo recuperada

Construída no início do século XVIII, a igreja possui relógio inglês e sacristia com pinturas coloniais

por Rafael Campos 10/01/2018 16:19

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Raiane Vieira/Divulgação
Sacristia da matriz de Conceição do Mato Dentro: pinturas coloniais, de autoria ainda desconhecida, representam a Paixão de Cristo (foto: Raiane Vieira/Divulgação)
Blim-blém! Blim-blém! As badaladas do sino anunciam a boa-nova em Conceição do Mato Dentro, na região Central do estado. A matriz de Nossa Senhora da Conceição está, aos poucos, voltando à cena do município de quase 18 mil habitantes e inúmeras riquezas naturais. Em restauração desde 2012, o templo do início do século XVIII está rodeado por andaimes. No seu interior, especialistas com movimentos cirúrgicos revelam detalhes cobertos pelo tempo. No entanto, já é possível conferir o resultado de tanto esforço: o relógio inglês, com 200 anos de história, voltou a funcionar em agosto, acionando o sino. Em novembro, foi a vez de a sacristia ser reinaugurada, com altar do Senhor do Bonfim, pinturas parietais (feitas sobre o reboco) e que recriam a Paixão de Cristo. Há ainda esquadrias, o forro com a representação das três virtudes (Fé, Esperança e Caridade) e dos cinco sentidos ao redor da Sagrada Família. O projeto de restauração foi orçado em 8,5 milhões de reais e está sendo custeado pela mineradora Anglo American, como contrapartida por sua atuação na região.

Intervir em uma edificação dos idos de 1720 não é tarefa fácil. O engenheiro Alexandre Leal, coordenador de projetos e obras da Anglo American, diz que a cada dia é uma surpresa diferente. "Vários elementos artísticos estão sendo descobertos. É um verdadeiro quebra-cabeça de arte", diz Alexandre, referindo-se ao forro da sacristia, recém-recuperado.

Raiane Vieira/Divulgação
Sino de 200 anos voltou a badalar em agosto: anunciando as boas-novas na cidade de 18 mil habitantes (foto: Raiane Vieira/Divulgação)
A autoria da matriz de Nossa Senhora da Conceição ainda é um mistério. Portugueses e artistas da região são citados como responsáveis pelos trabalhos. "Estamos estudando contratar um historiador para nos ajudar a descobrir, já que o Livro de Receitas e Despesas da paróquia desapareceu", diz a restauradora Dulce Senra, responsável técnica pelas obras de restauro, que comanda 38 profissionais. O que se sabe - e dá até para notar - é que elementos do barroco têm forte presença, além do ouro e da prata.

O secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, afirma que o templo é mesmo um valioso tesouro de arte colonial brasileira. "Estou escrevendo um artigo e já tenho 20 laudas sobre essa igreja. Trata-se de uma verdadeira obra-prima", diz o secretário. A igreja foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1948.

Atualmente, os restauradores trabalham no altar-mor e nos dois laterais. As intervenções na nave principal da igreja devem começar em breve. Dona Maria Costa Lima Guimarães, de 95 anos, gostou de reencontrar a igreja onde se casou em 1946. "Fiquei muito emocionada ao ouvir o sino tocar novamente", diz a senhora, mais conhecida como dona Maroca, mãe de 11 filhos, todos batizados ali. A previsão é de que a obra seja concluída no final de 2018, quando a igreja se juntará a outras importantes edificações históricas da cidade como as igrejas do Rosário e de Santana, o Santuário do Bom Jesus do Matozinhos, o Mercado Municipal e o casarão da prefeitura. O desejo é de que a matriz reabra as portas de vez em 8 de dezembro: Dia de Nossa Senhora da Conceição.

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