Hospital Madre Teresa, no bairro Gutierrez, é referência em atendimento humanizado

A unidade médica começou pequena, em uma antiga chácara de 11 mil metros quadrados. Hoje atende mais de 40 especialidades médicas

27/04/2018 15:41

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Violeta Andrada/Encontro
As irmãs Fabiana Cândido, diretora geral do Hospital Madre Teresa, e Sandra Zanotto, superiora da comunidade: hospital cresceu junto com o bairro Gutierrez (foto: Violeta Andrada/Encontro)
No início da década de 1980 ainda era possível ver o pôr do sol da capela do Hospital Madre Teresa, na avenida Raja Gabáglia. A maioria dos prédios que hoje ocupa o horizonte e o entorno da instituição, no bairro Gutierrez, chegou depois. Desde então, o tempo voou levando adiante o ousado projeto da congregação das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada. Lideradas pela irmã madre Teresa, elas assumiram, em 1949, a gestão do antigo Sanatório Marques Lisboa. Trinta anos depois, com boa visão do futuro, promoveram a transformação do espaço dedicado ao tratamento da tuberculose em um hospital geral.

O hospital que começou com 100 leitos em uma chácara de 11 mil metros quadrados se transformou em uma referência não só em Belo Horizonte, mas em todo o país em diversas áreas médicas e em cirurgias de alta complexidade, como as cardiovasculares, neurocirúrgicas e de ortopedia. O crescimento ocorreu aos poucos. Hoje, são mais de 40 especialidades médicas em um grande complexo com certificações internacionais que aferem a qualidade. Índices como o de infecção hospitalar abaixo do exigido pelas organizações internacionais do setor é uma outra referência do hospital. O desafio da transição foi grande, combinou uma dose de coragem com empreendedorismo e vocação missionária. "Quando chegou a Belo Horizonte, a convite do bispo metropolitano, no fim da década de 1940, madre Teresa ficou desanimada com o quadro que encontrou no antigo sanatório Marques Lisboa", diz Sandra Zanotto, superiora da comunidade religiosa do hospital. "Galinhas e outros animais conviviam no mesmo ambiente dos doentes." A sujeira era tanta que não se enxergava o piso. Depois de uma minuciosa avaliação, a religiosa chegou à conclusão de que não seria possível para a congregação assumir tamanha empreitada. Mas, olhando para o fim de um dos corredores pouco iluminados do antigo sanatório, ela viu uma luz brilhando, iluminando o Santíssimo, que representa a presença do Espírito Santo. "Então a madre disse: ‘Se Jesus está aqui, nós vamos ficar’. E assim a congregação decidiu arregaçar as mangas", recorda-se a irmã.

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O médico ortopedista e diretor técnico, Ronaldo Percopi, foi um dos primeiros a chegar ao corpo clínico: "O Hospital Madre Teresa está em constante construção" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Em 1982, a venda de partes do terreno no bairro Gutierrez serviu para financiar a construção de um prédio, colocando o antigo sanatório em condições de atender como um hospital geral. Surgiu aí o prédio com 35 mil metros quadrados de área construída. O médico ortopedista e diretor técnico do hospital, Ronaldo Percopi, foi um dos primeiros a chegar. Em 1986, seu desafio era criar uma clínica ortopédica. Percopi acompanhou o crescimento da instituição e reconhece o bom trabalho desempanhado também como hospital escola. Na ortopedia, por exemplo, são 32 membros e 12 residentes. "O crescimento do hospital foi lento, progressivo e bem planejado", diz. "A congregação tinha uma visão futurista." O médico destaca o sentimento de união do corpo clínico e enxerga o hospital da mesma forma que há 30 anos. "O Madre Teresa está em constante construção. Construindo e se reconstruindo com as novas gerações que vão chegando."

Moradora há mais de 30 anos do bairro Gutierrez, a psicóloga aposentada Helga Maria Guimarães não tem reclamações do vizinho. Além de ir ao hospital para consultas e urgências médicas, Helga frequenta a capela. Recentemente, teve sua primeira experiência de internação. "Meu marido fez uma cirurgia na coluna e precisamos passar o Natal aqui", conta. "Enfeitamos o quarto e recebemos a visita da vigília do Natal. Essa assistência humana é um pequeno detalhe que faz a diferença."

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Helga Guimarães há 30 anos é vizinha e usuária do Madre Teresa: "O atendimento humanizado faz muita diferença para quem está doente" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Com 50 mil atendimentos por mês e um corpo clínico formado por 400 médicos, os números do hospital são superlativos. Segundo a diretora geral, irmã Fabiana Cândido, o Madre Teresa pretende continuar em sua rota de crescimento. "Somos um hospital filantrópico e os nossos resultados são revertidos para obras sociais que dependem do nosso trabalho para seguirem adiante." A lista de projetos com a comunidade no entorno do Gutierrez é grande, mas algumas se destacam, como os recentes cursos para capacitação de copeiros e camareiras hospitalares, espécie de garçom com treinamento específico para a área hospitalar. "Muitos podem ser absorvidos pelo hospital, temos carência dessa mão de obra", diz irmã Fabiana. Segundo ela, nos avanços da instituição, a humanização está em destaque, com ações que têm como objetivo suavizar a permanência do doente no hospital. Para além do Gutierrez, o Madre Teresa se tornou referência em Minas e até mesmo no país, contribuindo para o desenvolvimento do bairro. "Cuidar da saúde é a vocação da nossa congregação", explica a irmã Zanotto. "É como Jesus diz no evangelho, eu estive doente e você me visitastes, cuidou de mim."

O Hospital em números

  • Fundado em 1982

  • 350 leitos

  • 40 especialidades médicas

  • 400 médicos

  • 50 mil atendimentos/mês

  • 1.100 cirurgias/mês1.600 colaboradores

Do Sanatório Morro das Pedras ao Madre Teresa

  • Na década de 1940, a congregação das Pequenas Missionárias de Maria Imaculada chega ao bairro Gutierrez

  • Em 1949, a congregação, liderada por madre Teresa de Jesus Eucarístico, assume o Sanatório Marques Lisboa, antigo sanatório Morro das Pedras, dedicado ao tratamento da tuberculose

  • Em 1982, é inaugurado o Hospital Madre Teresa, na avenida Raja Gabáglia

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