Lambida de cachorro ou gato faz mal?

A demonstração de afeto mais cativante dos pets pode transmitir algumas doenças

por Daniela Costa 13/06/2018 16:35

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Alexandre Rezende/Encontro
Na casa da advogada Nathalia Matoso Balsamão, a spitz alemão Juma Florentina só dorme ao lado da dona: "Sem dúvida, %u2028o animal bem cuidado não oferece riscos. Pelo contrário, só nos traz alegria" (foto: Alexandre Rezende/Encontro)
Em alcateias, o hábito de lamber a boca de outro lobo é sinônimo de respeito e afeição pelo líder, afinal, a hierarquia tem de ser respeitada. O mesmo acontece com os cães, que também não economizam lambidas quando querem informar que estão com fome, pedir a atenção do dono ou interagir com os companheiros da matilha. Já os gatos se lambem para fazer a higiene dos pelos. Verdadeiras personificações de limpeza, eles possuem uma língua áspera que lhes permite se lamberem, e a outros felinos, para retirar sujeirinhas inconvenientes. Para os animais, a lambida tem muitos significados e utilidades. Contudo, para que a convivência com humanos seja harmoniosa e não ofereça riscos à saúde, é necessário adotar algumas medidas preventivas.

Naturalmente, a boca dos animais possui uma flora bacteriana potencialmente patogênica, que pode causar diversas doenças quando vencida a barreira de proteção da pele. Em seu próprio organismo, essas bactérias os ajudam na limpeza e até cura de ferimentos. Mas, quando em contato com boca, nariz, olhos e feridas humanas, a demonstração de afeto mais cativante dos pets pode transmitir algumas doenças, especialmente em pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, como aquelas com baixa imunidade, idosos, crianças menores de 5 anos e gestantes. As incidências mais observadas são gastroenterite (inflamação que afeta o estômago e o intestino) e colecistite (inflamação da vesícula biliar). Mas nada que seja motivo para excluir os pets da sua vida. Segundo estudo realizado pela professora Leni K. Kaplan, da faculdade de medicina veterinária da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, em indivíduos saudáveis, que não se enquadram nos grupos de risco, a transmissão é bastante improvável. A afirmação se comprova na convivência diária entre humanos e animais, que ocorre desde as épocas mais remotas, sem trazer maiores complicações.

Violeta Andrada/Encontro
Uma das principais diversões do menino Bernardo Ferreira Braick é encontrar o seu grande amigo, o rottweiler Raul: "Antes de terem contato, tomamos o cuidado de levá-lo ao veterinário para garantir o bem-estar dos dois", diz o tio, Fabrício Ramos Braick (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Em se tratando de crianças, a orientação é evitar o contato com a saliva tanto dos bichos,quanto de gente, por no mínimo seis meses após o nascimento, até que se complete o ciclo de vacinação. "A saliva, em geral, contém bactérias que podem contaminar o bebê", explica o médico infectologista Mozar de Castro Neto. Outra medida recomendada é lavar sempre as mãos após o contato com os peludos. O risco de um animal saudável transmitir doença é mínimo, por isso é importante fazer visitas periódicas ao veterinário e manter sua vacinação em dia, assim como vermífugos e antiparasitários. Às vésperas de completar dois anos de idade, Bernardo Ferreira Braick adora acompanhar o tio à casa da família em São Sebastião das Águas Claras, em Nova Lima, para se divertir com o rottweiler Raul, de 4 meses. O engenheiro civil Fabrício Ramos Braick, de 28 anos, conta que o menino não se intimida com o tamanho do grandalhão, que é só chamego com a criança. "Antes de terem contato, tomamos o cuidado de levar o Raul ao veterinário para garantir o bem-estar dos dois", diz ele. A professora Junia Menezes Barbosa, da Escola de Veterinária da UFMG, ressalta a necessidade de também ser preciso cuidar da saúde bucal dos bichos. "É importante ficar atento às doenças da cavidade oral, como gengivite e tártaro, que favorecem a proliferação das bactérias", diz.

Pesquisa feita pelo Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo (USP) revelou que os pets beneficiam os bebês, aumentando sua imunidade contra doenças respiratórias e infecções. Seguindo a mesma linha, estudo realizado pelo Centro Infantil do hospital americano  John’s Hopkins, analisando a poeira retirada da casa de 467 recém-nascidos, mostrou que indivíduos que crescem tendo contato com algum nível de sujeira, o que inclui os pelos e secreções dos animais, têm o sistema imunológico mais desenvolvido. E os benefícios de se ter um amigo de quatro patas não param por aí. Eles também ajudam a combater a depressão e a solidão, a reduzir os níveis de estresse e a incidência de doenças comuns como dor de cabeça e resfriado. Na casa da advogada Nathalia Matoso Balsamão, há cinco anos a spitz alemão Juma Florentina é a dona do pedaço. A cadelinha é tão querida que só dorme ao lado da dona. "Sem dúvida, o animal bem cuidado não oferece riscos. Pelo contrário, só nos traz alegria." 

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