
A modernização administrativa, diz ele, não se sustenta sem critérios técnicos, transparência e foco em resultados. “Modernizar por modernizar não resolve. É preciso que a inovação chegue à ponta e melhore a vida do cidadão”, resume. Essa visão orienta os pilares de uma gestão marcada pela interiorização, integração entre atuação finalística e apoio institucional, e a criação de processos que facilitem o trabalho diário de promotores e servidores, inclusive com o uso responsável de novas tecnologias.
QUEM É
- Primeiro promotor de Justiça a assumir o comando da instituição imprime à gestão um olhar inovador, que alia tecnologia, escuta dos territórios
- Após seu primeiro ano no cargo, trabalha com o desejo de ser lembrado por um Ministério Público mais próximo do cidadão
- Em 2025, lançou o programa MP Inteligente, que incorpora Inteligência Artificial aos fluxos de trabalho, agilizando a elaboração de denúncias, entre outros
Entre os avanços concretos, Paulo de Tarso aponta o fortalecimento do enfrentamento ao crime organizado. Realizada em setembro, a Operação Custos Fidelis tornou-se um marco dessa atuação, simbolizando o compromisso do órgão com o combate direto e estruturado às organizações criminosas.
A modernização orientada por dados e tecnologia é outro marco de sua gestão. Com o lançamento recente do programa MP Inteligente, a instituição passou a incorporar Inteligência Artificial aos fluxos de trabalho, agilizando a elaboração de denúncias, representações e arquivamentos, além da transcrição de audiências e da integração de bases de dados. Ainda assim, ele destaca. “Para nós, é inegociável a supervisão humana, a proteção de dados e o respeito absoluto às leis e aos princípios éticos”, afirma.
Questões centrais da história recente de Minas Gerais foram incorporadas à agenda. Um exemplo é a criação do Núcleo de Acompanhamento de Reparações por Desastres (Nucard), dedicado exclusivamente a coordenar e fiscalizar o cumprimento dos acordos firmados após os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho. “Não se trata apenas de fiscalizar contratos, mas de garantir que a reparação chegue a quem sofreu o impacto e se traduza em resultados concretos”, destaca.
A educação infantil também ocupa lugar central na gestão. O projeto Crescer Juntos, voltado à ampliação de vagas em creches, integra uma estratégia de longo prazo. “Prevenir é tão importante quanto reprimir. A exclusão na primeira infância aprofunda desigualdades e produz ambientes de vulnerabilidade que, mais adiante, se refletem inclusive nos desafios da segurança pública”, afirma o chefe do MPMG.
Questões institucionais sensíveis, como a Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública e os limites orçamentários impostos ao Ministério Público, também permeiam sua administração. “A persecução penal demanda investimentos contínuos em inteligência, perícia e cooperação. Por isso, regras orçamentárias não podem se tornar obstáculos a investigações complexas”. Ao projetar o fim do biênio, o Procurador - Geral de Justiça revela o desejo de ser lembrado por um Ministério Público mais próximo do cidadão. “Um MP comprometido com as pessoas, sensível às desigualdades, firme na aplicação da lei e resolutivo”, define.