
Foi com essa disciplina que, em 1984, fundou a Nova Safra, empresa que se tornaria referência no food service mineiro. Instalada na Ceasa, em Contagem, a companhia cresceu abastecendo redes supermercadistas como Verdemar e SuperNosso com ingredientes premium e importados — muitos deles raros no mercado brasileiro da época. O ritmo também era de ponta: chegava às 5h, saía por volta das 18h ou 19h, numa rotina que se manteve por décadas.
QUEM É
- Empresário inaugurou, em julho deste ano, o Botânico Shopping, novo ponto de encontro da capital mineira
- Morador do bairro desde os anos 1980 e apaixonado pela região, empreendedor ergueu o centro de compras no terreno onde era sua casa
- Local tem arquitetura que preza pelo bem-estar e sofisticação e foi pensado para dialogar com um público exigente
Em 2021, aos 58 anos e prestes a se tornar avô, Brandi aceitou reduzir a marcha. Vendeu a Nova Safra e fez uma promessa à esposa: não trabalharia mais aos sábados. Construiu galpões para renda imobiliária e tentou viver um período de maior tranquilidade. Tentou — porque a inquietação empreendedora nunca o deixou, e ele próprio admite que ainda hoje não consegue ficar parado.
Morador do Belvedere desde os anos 1980 e apaixonado pelo bairro, Brandi começou a adquirir, pouco a pouco, imóveis vizinhos ao seu. Convencer os proprietários não foi simples — foram 13 negociações ao todo —, mas havia um propósito claro: criar um novo empreendimento que fosse, ao mesmo tempo, comercial e afetivo. Assim nasceu o Botânico Shopping, hoje uma das estrelas do novo momento vivido pela região.
Tradicionalmente conhecido por suas residências de alto padrão, o Belvedere passa por uma transformação impulsionada pelas mudanças no uso e ocupação do solo de Belo Horizonte. O comércio de luxo floresceu, e o Botânico Shopping tornou-se protagonista desse movimento. Seu projeto arquitetônico inovador foge ao padrão dos centros comerciais tradicionais e rapidamente conquistou moradores e turistas.
Brandi queria presentear o bairro. “Antes de erguer o empreendimento, encomendei uma pesquisa qualitativa para entender o que os moradores desejavam. O resultado foi um mix que combina conveniência e sofisticação: sacolão, padaria, espaço kids, restaurantes, pizzaria, barbearia, salão de beleza. O projeto foi alterado quatro vezes, sempre para incorporar novas casas adquiridas ao redor e ampliar a proposta”, conta o empresário.
Cada detalhe — do revestimento aos banheiros climatizados, do paisagismo ao mix de lojas — foi pensado para dialogar com um público exigente.
A estratégia funcionou. Em apenas quatro meses, o Botânico Shopping tornou-se o novo ponto de encontro da capital. Quem passa pelo Belvedere é atraído pelo charme do espaço que, mais do que um centro de compras, convida o visitante a desacelerar, sentir o aroma das jabuticabeiras e experimentar o luxo da simplicidade.
O projeto, em formato de “U”, assinado pelos arquitetos Lucy Volpini e Thiago Junqueira, com interiores de David Guerra e paisagismo de Ronaldo Moraes, ocupa 12 mil m² e abriga a maior área verde permeável entre shoppings mineiros. A praça central arborizada, o espelho d’água e o rooftop vegetado reforçam a vocação do espaço para o bem-estar. O design aberto valoriza a experiência sensorial, com circulação coberta, lojas de pé-direito alto e iluminação da Atiaia.
A curadoria de marcas combina sofisticação e pluralidade: Lauf, Milon, Auá e o Atelier Thais Mor integram o mix, além de uma galeria com sete labels de prestígio — Anna Barroso, Coven, Elisa Atheniense, Essenciale, Manolita, Printing e Tatiana Queiroz — e nomes como Camila Hermeto, ZEISS Vision Center e Decopa. No entretenimento, destacam-se a Dream Store, dedicada a produtos Disney, e a Casa do Sol Botânico, com parque indoor e outdoor e espaço gastronômico.
De comerciante disciplinado a empreendedor inquieto, Emílio Brandi não apenas ergueu um empreendimento de sucesso: ajudou a redesenhar o Belvedere e reafirmou sua própria vocação para transformar ideias em lugares onde a cidade se reencontra.