
O que parecia apenas um incômodo estético acabou se transformando em um divisor de águas. “Já estava insatisfeito com a aparência, e o divórcio foi um fator preponderante para tomar a decisão de realizar o procedimento”, conta Carlos. Após pesquisas e indicações, ele reuniu coragem e, em março deste ano, realizou o transplante capilar na Clínica Capillus New, no Belvedere. Os primeiros resultados começaram a aparecer por volta do quarto mês após a cirurgia. “O cabelo cresceu de forma consistente e com ótima densidade. O resultado superou minhas expectativas”, comemora. Mais do que recuperar os fios, o transplante capilar devolveu ao engenheiro algo ainda mais valioso: a confiança. “Minha autoestima melhorou bastante e estou muito feliz com o resultado”, afirma.

O transplante capilar surgiu a partir de 1939, no Japão, quando o médico japonês Shoji Okuda realizou os primeiros transplantes de pele para tratar pacientes com queimaduras e descobriu que os enxertos continuavam a produzir cabelo. No Ocidente, passou a ser amplamente divulgado a partir da década de 1970. E apesar da maioria dos atendimentos serem voltados ao público masculino, as mulheres que sofrem com rarefação capilar ou desejam redesenhar a linha do cabelo também têm sido beneficiadas. “A evolução dos métodos, especialmente com o uso do motor de microextração FUE (Follicular Unit Extraction), fio a fio, revolucionou os resultados, tornando-os cada vez mais naturais e duradouros”, explica João Paulo.
Segundo o dermatologista, a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície, é uma doença genética e hormonal mediada pelo DHT (dihidrotestosterona), derivado da testosterona. “Esse hormônio se liga aos receptores do folículo piloso, afinando o fio até a morte da raiz. Nas áreas onde o folículo já morreu, o tratamento clínico não surte efeito, aí entra a cirurgia”, explica. Contudo, para que o transplante seja indicado, é essencial que a doença esteja controlada. “A primeira regra é ter uma calvície estabilizada. Depois, avaliamos a área doadora e a expectativa do paciente. Não existe idade mínima ou máxima, mas o paciente precisa estar saudável e consciente do processo”, pontua. Atualmente, o procedimento é minimamente invasivo. “Em vez de uma grande incisão, como era feito antigamente, usamos micro bisturis que retiram unidades foliculares de menos de um milímetro. Isso reduz cicatrizes, dores e o tempo de recuperação”, detalha João Paulo.

O papel da tricologia na manutenção dos fios
Em fases iniciais do processo de calvície, onde ainda não ocorreu perda do folículo piloso, o processo pode ser interrompido com o uso de tratamento específico. O transplante ocorre em última instância, por meio da redistribuição de folículos capilares de áreas geneticamente resistentes à queda (como a parte posterior e laterais da cabeça) para áreas que estão com calvície ou pouca densidade. Essa redistribuição é possível porque os folículos doadores mantêm sua característica de não serem afetados por hormônios que causam a calvície, como a di-hidrotestosterona (DHT). O papel do dermatologista especializado em tricologia é essencial. “É ele quem avalia a saúde do couro cabeludo, identifica se realmente se trata de calvície ou outra condição, e define o melhor protocolo de tratamento. Existem alopecias autoimunes que contra indicam o transplante até que estejam controladas”, diz a médica Natália Chagas Eljaouhari, especialista em cirurgia geral e clínica médica, da Capillus New.
Os exames laboratoriais ajudam a mapear a saúde capilar. “Hemograma, função tireoidiana, testosterona, DHT, vitaminas B e D, zinco, ferro e ferritina são fundamentais para entender as causas da perda de cabelo”, reforça Natália. Segundo ela, as principais causas da calvície ou da rarefação capilar estão relacionadas a fatores genéticos (calvície hereditária), hormonais ou deficiência de nutrientes. Entretanto, existem outras causas como o uso de determinados medicamentos que podem agravar a queda de cabelo, uso de químicas ou procedimentos capilares, estresse físico ou emocional e doenças autoimunes.
Cuidados antes e depois do transplante capilar


O roteiro da transformação capilar
Diagnóstico
A queda de cabelo pode ter causas genéticas, hormonais, nutricionais ou emocionais. O primeiro passo é investigar, por meio de exames e avaliação clínica, o tipo de alopecia e se o transplante capilar é indicado.
Procedimento
Realizado em ambiente cirúrgico, o transplante capilar utiliza técnicas como a FUE (Follicular Unit Extraction), que extrai unidades foliculares individualmente, garantindo resultado natural e cicatrização rápida.
Pós-operatório
As duas primeiras semanas exigem cuidado máximo: não tocar a área receptora, evitar o sol e seguir corretamente as medicações. O resultado começa a aparecer a partir do primeiro mês, evoluindo até os 12 meses.
Impacto emocional
Mais do que estética, o transplante representa autoconfiança. Para muitos homens e mulheres, é o ponto de virada que resgata o bem-estar e a satisfação com a própria imagem.