Estado de Minas COPA DO MUNDO 2026

Mineiros cruzam fronteiras pelo sonho do hexa nos EUA, México e Canadá

Torcedores mineiros estão no Mundial com a expectativa de vivenciar a maior estrutura de entretenimento esportivo do planeta


postado em 17/06/2026 06:48 / atualizado em 17/06/2026 07:11

Gustavo Zech Coelho participa de seu quarto Mundial e passará 15 dias mergulhado no clima da Copa do Mundo, ao lado da mulher, Marcela; a filhota Sofia, de 4 anos, na foto acima, vai ficar em BH (foto: Pádua de Carvalho )
Gustavo Zech Coelho participa de seu quarto Mundial e passará 15 dias mergulhado no clima da Copa do Mundo, ao lado da mulher, Marcela; a filhota Sofia, de 4 anos, na foto acima, vai ficar em BH (foto: Pádua de Carvalho )
Na bagagem, o peso de cinco estrelas e o sonho incessante pelo hexa. Movidos pela paixão que só o brasileiro conhece, torcedores mineiros vão rumo à América do Norte para acompanhar a Copa do Mundo 2026, que acontecerá, pela primeira vez, em três países: México, EUA e Canadá, entre os dias 11 de junho e 19 de julho. Nas arquibancadas, o verde e amarelo promete transformar os estádios em verdadeiros caldeirões de emoção e esperança.
 
Com as malas prontas, Gustavo Zech Coelho, 47 anos, diretor do Minas Tênis Clube, conta que vai assistir aos jogos do Brasil da primeira fase, além da partida entre França e Senegal. Duas semanas inteirinhas no clima da Copa do Mundo. Apaixonado por futebol e pelo Clube Atlético Mineiro desde menino —  aos 7 anos, já entrava em campo com os jogadores do Galo e entoava o hino nas arquibancadas — , Gustavo está indo para o seu quarto Mundial fora do Brasil. Desta vez, terá a companhia da mulher, Marcela, e de um amigo. A filhota, Sofia, 4 anos, fica em BH. 
 
“Serão 15 dias entre Nova York e Miami, cidade onde morei por três anos e tenho amigos, lugar que adoro. Será bem legal, amo Copa do Mundo, curto, gosto de todos os esportes”, ressalta Zech, que é sócio da Zech Insurance, corretor franqueado da Prudential do Brasil.
 
Ele conta que esteve na Alemanha (2006), África do Sul (2010) e Rússia (2018): “Só quem vai a um mundial consegue sentir a energia, entender como é. A primeira fase é demais, com todas as seleções com suas torcidas presentes. A Fan Fest, o clima... Enquanto estiver saudável e com condições financeiras, quero ir a todos os Mundiais. A Copa da Alemanha foi marcante, uma viagem de 21 dias, com 15 amigos, passeios de trem pela Holanda e República Tcheca. O Brasil era um timaço, mas caímos nas quartas-de-final para a França, uma decepção”, lembra com uma ponta de tristeza.
 
E Gustavo é um torcedor a caráter. Na bagagem, as novas camisas da seleção brasileira —  a amarela, a azul e a verde do goleiro — e, claro, a blusa do Galo, além de uma bandeira do alvinegro: “Brasil e Galo juntos no coração”, determina. Quanto ao hexa, ele está reticente e prefere não apostar: “Difícil acreditar depois da péssima campanha nas Eliminatórias. Nem de longe somos favoritos, França, Espanha, Alemanha, Inglaterra e Portugal estão na frente. Mas quem sabe a camisa do Brasil pesa e o coletivo surpreende? Jogadores protagonistas não temos. São 24 anos sem título. Mas vou torcer. Muito.”
Quem também está com ingresso garantido para ver Brasil X Marrocos, na estreia da seleção na Copa do Mundo, é o empresário Márcio Schettino, 50 anos. Ele embarca para os EUA em 10 de junho e retorna dia 16. Na programação, entrega, “só futebol e muitos goles”. Para ele, a missão é uma só: “Diversão”.
 
Márcio Schettino com sua turma de amigos: eles sempre acompanham juntos as Copas do Mundo (foto: Arquivo Pessoal )
Márcio Schettino com sua turma de amigos: eles sempre acompanham juntos as Copas do Mundo (foto: Arquivo Pessoal )
Dono de uma filial do restaurante Jamie Oliver Kitchen, em Brasília, ele terá a companhia de amigos durante a viagem. No restante da competição, vai torcer por aqui, na companhia da mulher, Marcela, e dos filhos Maria Laura, de 13 anos, e Mateus, de 10, uma família atleticana: “Bem difícil conseguir ingresso, tudo muito caro. Então, retorno para torcer pelo hexa por aqui, indo de boteco em boteco, seja em BH ou no Rio de Janeiro, com outra leva de amigos.”
 
Filho do ex-presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF), Paulo Schettino, Márcio vai ao estádio desde os 5 anos: “Adoro futebol, acompanho, sou aquele torcedor ansioso e que sofre.” Ele conta que a primeira experiência em uma Copa fora do país foi em 2018, na Rússia. A França foi bicampeã diante da Croácia e o Brasil caiu novamente nas quartas-de- final, ao perder para a Bélgica. Nada que o desanime. 
 
Para valer a pena, ele curte com um grupo de amigos, com agregados cariocas e paulistas. “As melhores lembranças da Rússia foram do clima, gente do mundo inteiro, todos divertidos, solícitos. Nada de choque cultural, foi uma festa parecida com a do Brasil. O marcante foi termos saído de Moscou com 3 graus negativos para um jogo da seleção em Samara, uma cidade de praia, com 30 graus. O Brasil venceu o México por 2 a 0, gols de Neymar e Firmino. Mas seria eliminado na fase seguinte.”
 
Para esta edição, Márcio bota fé no hexa e é da turma que não é muito a favor de Neymar por lá. Quer o título para espantar de vez o trauma da eliminação na Copa de 2014 para a Alemanha, quando ele esteve presente no Mineirão: “Foi um jogo que não dá pra esquecer, a tragédia dos 7 a 1. Inacreditável.” 
Para milhões de brasileiros que fizeram dos EUA o seu lar, a Copa do Mundo de 2026 não é apenas um torneio, mas um reencontro de identidades em solo estrangeiro. Vivendo em um país onde o futebol não é o primeiro esporte, muitos imigrantes querem viver o torneio intensamente, como válvula para lidar com a saudade de casa, do churrasco, e da tradicional vibração verde e amarela. 
 
O empresário Ofli Guimarães e a esposa Renata Guimarães, que moram nos EUA, em Orlando, e vão acompanhar de perto a copa (foto: Arquivo Pessoal)
O empresário Ofli Guimarães e a esposa Renata Guimarães, que moram nos EUA, em Orlando, e vão acompanhar de perto a copa (foto: Arquivo Pessoal)
O empresário Ofli Guimarães, 40 anos, dono do restaurante Trintaeum e do Hotel Tribe, na Savassi, é um desses representantes. Ele mora na região de Orlando, nos EUA, há pouco mais de quatro anos, com a esposa, Renata, e os dois filhos. Atleticanos, confessam que,  desde a mudança para os EUA, não têm acompanhado tanto o futebol. No entanto, foram fisgados pela Copa: “Antes do sorteio dos grupos, eu e Renata compramos ingressos para um jogo em Miami, que será entre o 1º do Grupo J e o 2º do Grupo H. Infelizmente, não será do Brasil”, lamenta. 
 
Para Ofli, a ideia de que americanos não ligam para o futebol é passado. “Eles valorizam demais o esporte, qualquer esporte. Então, todo jogo é sempre um espetáculo. E parece que o futebol está ganhando cada vez mais adeptos e fãs por aqui também”. O empresário conta que os americanos costumam torcer bastante pela seleção dos EUA e, por isso, não acredita que vão adotar o Brasil como equipe: “Essa ideia de que ‘todo mundo torce pelo Brasil’ parece ser mais forte dentro do próprio Brasil do que fora dele. Na minha percepção, não temos hoje esse nível de apoio internacional, pelo menos não aqui”, afirma o empresário, que também é dono de uma locadora de carros premium que atende a região de Orlando, a Allycar.

O Brasil na Copa

O Brasil está no Grupo C, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia, e vai jogar nas cidades de Nova York/Nova Jersey, Filadélfia e Miami. Única seleção que esteve presente em todas as edições da competição, a seleção vai em busca do hexacampeonato sob o comando do técnico Carlo Ancelotti, primeiro estrangeiro a comandar o país em uma Copa do Mundo. O último título conquistado pela seleção foi em 2002, na Copa da Coreia do Sul e Japão. 
 
México e África do Sul fizeram o jogo de abertura da Copa, no dia 11 de junho, no estádio Azteca, na Cidade do México. A grande decisão será no dia 19 de julho, no MetLife Stadium, em Nova York/Nova Jersey (EUA).  E a definição do terceiro lugar no estádio de Miami, dia 18 de julho.
 
Saiba que esta será a primeira edição da Copa do Mundo com 48 seleções e um total de 104 jogos. Assim, o torneio terá um recorde de 39 dias, além da adição de uma etapa do mata-mata, as 16ª de finais, antes das oitavas. Conseguindo a classificação para esta fase, a seleção brasileira vai enfrentar um adversário do Grupo F (Holanda, Japão, Suécia e Tunísia) no dia 29 de junho. O jogo será em Houston, se o Brasil ficar em primeiro na fase de grupos. Se for o segundo, vai jogar em Monterrey, no México.

Acompanhe os jogos da seleção brasileira
 
Após o empate de 1 a 1 na estreia contra o Marrocos, no último sábado (13), o Brasil ainda tem outros dois jogos pela primeira fase da Copa do Mundo: 
  • 2ª rodada: Brasil x Haiti: 19 de junho (sexta-feira), às 21h30 (horário de Brasília), na Filadélfia, no estádio Lincoln Financial Field
  • 3ª rodada: Escócia x Brasil: 24 de junho (quarta-feira), às 19h (horário de Brasília), em Miami, no Hard Rock Stadium
Onde assistir
  • TV Aberta: Globo e SBT
  • TV Fechada: SporTV
  • Streaming e Internet: Globoplay (que retransmite os canais Globo e SporTV) e CazéTV (no YouTube e plataformas parceiras)
Copa em números
  • 48 seleções
  • 104 jogos
  • 7 milhões de ingressos à venda, sendo que 3,5 milhões de ingressos vendidos foi o recorde da Copa do Mundo, de 1994, também nos EUA e com o Brasil tetracampeão
  • 16 estádios espalhados pelos três países anfitriões: EUA, Canadá e México
  • 871 milhões de dólares valor da premiação que vai ser distribuída entre as 48 seleções 

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