Estado de Minas MEIO AMBIENTE

Mineração busca reduzir impactos sem frear crescimento

Empresas investem em energia limpa, reuso de água e novas tecnologias para tornar a atividade mais sustentável e recuperar a confiança da sociedade


postado em 18/06/2026 08:10 / atualizado em 18/06/2026 08:39

A busca por maior produtividade no setor atualmente está ligado a um planejamento sofisticado e que integra, inevitavelmente, variáveis socioambientais (foto: Shutterstock)
A busca por maior produtividade no setor atualmente está ligado a um planejamento sofisticado e que integra, inevitavelmente, variáveis socioambientais (foto: Shutterstock)
A mineração está presente em quase tudo em nossa vida. O telefone celular contém cobre, ouro, lítio e alumínio. Panelas, talheres e eletrodomésticos são produzidos com aço, ferro e alumínio. A energia elétrica que alimenta esses aparelhos depende de fios de cobre e de minerais utilizados na sua geração e transmissão. Aço, alumínio, chumbo e lítio, por sua vez, estão em todos os tipos de veículos, do carro ao avião, do navio à bicicleta.
 
Exatamente por ser uma atividade essencial para os demais segmentos, em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, a mineração tem sido desafiada a reinventar seu modo de produção — ainda hoje um dos mais intensivos em emissões de carbono do planeta e que carrega um passivo ambiental histórico que Minas Gerais conhece bem.
 
“O setor de metais e mineração desempenha um papel crucial na transição para uma economia global de baixo carbono. O fornecimento de matérias-primas desse segmento estará no centro dos esforços globais de descarbonização e eletrificação de outras frentes, já que esses materiais são essenciais para tecnologias como veículos elétricos e painéis solares fotovoltaicos”, atesta o relatório Climate Risks in The Mining and Metal Sector, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.
 
Com as diretrizes ESG (sigla em inglês para ações em Meio Ambiente, Social e Governança) influenciando cada vez mais as decisões sobre investimentos, o preço do crédito e a reputação, as mineradoras sabem o tamanho do desafio.
Para a Associação Brasileira de Metalurgia e Mineração (ABM), as pressões por práticas ambientais, sociais e de governança deixaram de ser diferenciais e passaram a ser critérios básicos para viabilizar a operação. A busca por maior produtividade, historicamente associada ao aumento de escala, passa agora a depender de planejamento mais sofisticado e integração de variáveis socioambientais.
 
“O aumento de produtividade começa em um bom projeto. É ali que conseguimos equilibrar eficiência operacional com responsabilidade socioambiental”, destaca a consultora e coordenadora da comissão técnica de mineração da ABM, Vânia Lúcia de Lima Andrade.
 
O grande motor da mineração no futuro, segundo ela, será a licença social. A Licença Social para Operar (LSO) é a aceitação informal e contínua de um projeto pela comunidade local e partes interessadas, indo além das autorizações legais. 
 
Não é um documento oficial, mas um ativo intangível baseado em confiança, transparência e mitigação de impactos, sendo crucial para evitar conflitos e garantir a perenidade de empreendimentos, especialmente nesse setor. “Não basta recuperar ambientalmente, é preciso devolver o território com um novo uso que gere valor para a sociedade”.
No mês em que se celebra o meio ambiente, a Encontro foi em busca das ações e soluções das companhias na área ambiental. Confira.
 
Samarco aposta em novos paradigmas após retomada
 
Mariana Lisbôa, diretora de Sustentabilidade, Relações Governamentais e Comunicação da Samarco (foto: Nitro/Divulgação )
Mariana Lisbôa, diretora de Sustentabilidade, Relações Governamentais e Comunicação da Samarco (foto: Nitro/Divulgação )
Mudanças operacionais profundas marcam as ações da mineradora Samarco desde 2015, quando foi impedida de operar por cinco anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. A tragédia provocou 19 mortes e graves consequências ambientais e sociais ao longo da bacia do Rio Doce até o Espírito Santo. Ao retomar as atividades em 2020, a empresa deixou de usar estruturas de rejeitos semelhantes à que se rompeu.
 
“Eliminamos ou reintegramos antigas estruturas construídas pelo método a montante. Assim conseguimos garantir a estabilidade definitiva, sem acúmulo de água", detalhou a diretora de Sustentabilidade, Relações Governamentais e Comunicação da Samarco, Mariana Lisbôa. A medida permitiu, segundo ela, a retomada da produção de forma gradual e segura.
 
Na prática, isso significa que os resíduos gerados no beneficiamento do minério de ferro agora são filtrados em um sistema conhecido como dry stacking, no qual são separados do líquido e empilhados a seco. “Atualmente, tratamos 80% do resíduo gerado dessa forma, e os 20% restantes, compostos por rejeitos ultrafinos, são destinados a cavas confinadas”.
Mariana Lisbôa diz que a Samarco também reforçou seu Sistema Integrado de Segurança. São nada menos que 2 mil equipamentos de monitoramento operando 24 horas por dia em conjunto com o Centro de Monitoramento e Inspeção (CMI) e os Centros de Operações Integradas (COI).
 
Ao mesmo tempo em que prioriza a segurança, a mineradora busca diminuir os seus impactos por meio da economia circular, da descarbonização de sua produção e do uso de fontes energéticas limpas. "Nossa meta é reduzir em 30% as emissões de gases de efeito estufa até 2032 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050”, afirma Lisboa.
 
Em economia circular, o reaproveitamento de resíduos chegou a 45% do total em 2025. E, na descarbonização, uma das estratégias tem sido o uso de combustíveis alternativos, como bio-óleo, gás natural e moinha de carvão vegetal misturada ao carvão mineral nos fornos de pelotização. É o que ocorre no Complexo de Ubu, no Espírito Santo.
 
Como não se pode falar em sustentabilidade sem abordar energia, Mariana Lisbôa diz que a Samarco hoje utiliza 100% de eletricidade de fontes renováveis. E o fato de transportar minério de ferro via mineroduto, segundo ela, é outro fator que reduz emissões de carbono, tornando-o mais competitivo em relação aos modais ferroviários e rodoviários.
 
Pelotas de minério de ferro produzidas no Complexo de Ubu da Samarco, em Anchieta (ES): o processo é fundamental para diminuir desperdícios e emissões de carbono (foto: Divulgação)
Pelotas de minério de ferro produzidas no Complexo de Ubu da Samarco, em Anchieta (ES): o processo é fundamental para diminuir desperdícios e emissões de carbono (foto: Divulgação)
“Destacamos, também, o reuso da água, que envolve a implementação de melhorias operacionais, possibilitando a sua recirculação no processo produtivo. Em 2025, o índice de recirculação ficou em 87%, resultando numa redução de 21% do consumo específico de água nova em relação a 2024”.
 
Em uma jornada ainda longe do fim, a Samarco atualmente opera com 60% de sua capacidade instalada. A companhia vem se recuperando, apesar do desafio histórico: no primeiro trimestre de 2026, a produção cresceu 18%, atingindo 3,8 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro. Atingir 100% do seu potencial produtivo é uma meta para 2028. Até lá, precisará investir R$ 13,8 bilhões no chamado Momento 3, que contempla a reativação de ativos nos complexos de Germano (MG) e Ubu (ES).
 
Em tempo, a mineradora informa ter investido R$ 42,11 bilhões em ações de reparação após o rompimento de Fundão. Desse montante, R$ 24,42 bilhões correspondem a obrigações executadas diretamente pela empresa, incluindo R$ 17,7 bilhões destinados a indenizações e auxílios financeiros emergenciais para mais de 337 mil pessoas. Os R$ 17,68 bilhões restantes foram repassados aos governos federal, estaduais e municipais.

LGA já opera sem barragens desde 2015

Paulo Soares Toledo, CEO da mineradora LGA(foto: Pádua de Carvalho )
Paulo Soares Toledo, CEO da mineradora LGA (foto: Pádua de Carvalho )
Especializada em produtos de alto teor, como granulados, sinter feed e concentrados, a LGA é uma mineradora localizada em Congonhas que tem por clientes e parceiros grandes grupos siderúrgicos, como Gerdau e CSN, além de players relevantes na exportação, como Vale e Porto Sudeste. O CEO, Paulo Soares Toledo, diz que a preocupação com o meio ambiente faz parte de toda a operação.
 
“Ainda existem desafios para atingirmos o que chamamos de o estado da arte em ESG, mas estamos comprometidos com essa jornada. Buscamos evoluir continuamente nossos padrões, alinhando nossas iniciativas às metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e aos indicadores apresentados no nosso Relatório Anual de Gestão, que funciona como uma prestação de contas”, afirma o CEO.
 
Ele conta que a empresa já não operava com barragem de rejeitos desde 2015, antes dos eventos críticos em Minas. Além do rompimento em Mariana, o estado chamou a atenção do mundo em 2019, quando uma estrutura da Vale na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, se rompeu e deixou 270 mortos.
 
“Concluído em 2015, esse projeto foi um marco para a LGA porque permitiu eliminar a lama no processo produtivo, evitando o uso de barragens em nossas operações. A implantação ocorreu antes dos acidentes graves em MG, o que reforça nosso compromisso com a sustentabilidade para além do atendimento regulatório”, diz Paulo Toledo.
 
Em um sistema de filtragem mecânica, sem uso de produtos químicos, o equipamento separa o material sólido do líquido, e o rejeito sólido é destinado a pilhas com estabilidade geotécnica comprovada por laudo. O líquido retorna ao processo produtivo, reduzindo significativamente a necessidade de captação de água.
 
“Esse modelo combina redução de risco ambiental com eficiência operacional e controle técnico contínuo. Hoje, a empresa reaproveita 95% da água utilizada nas operações”, relata o CEO. Segundo ele, o projeto deu tão certo que acabou gerando uma expansão do know-how do grupo, que se associou à fabricante chinesa de sistemas de filtragem Jingjin, trazendo a empresa para Minas Gerais. “As operações de filtragem da marca passaram a ser referência em tratamento de rejeitos na mineração de ferro no país e também em setores como saneamento, fertilizantes, química e alimentação”, diz o executivo.
 
São mais de 80 projetos implantados no Brasil. “Isso reforça o posicionamento do grupo em promover padrões mais altos de sustentabilidade e eficiência não só na mineração, mas na indústria em geral.”
Energia renovável
 
Planta da mineradora LGA; companhia reaproveita 95% da água utilizada nas operações (foto: LGA/Divulgação)
Planta da mineradora LGA; companhia reaproveita 95% da água utilizada nas operações (foto: LGA/Divulgação)
A LGA investe atualmente na construção de uma usina solar para abastecer 100% de sua operação. No fim de 2025, a empresa concluiu a implantação de novas etapas no processo, com o objetivo de elevar a qualidade dos produtos.
A economia circular também está no centro das estratégias, segundo Paulo Soares Toledo. Há quatro anos, a empresa desenvolveu uma patente em parceria com uma universidade federal para produção de blocos à base do rejeito gerado em sua planta, para serem utilizados na pavimentação de ruas e estradas.
 
“O produto possui todos os requisitos exigidos pelo Inmetro para fins de utilização na construção civil. Este marco é muito importante em nossa história, demonstrando nosso compromisso não apenas com a operação sustentável, mas também com a economia circular”, disse o CEO à Encontro.
 
"Desafio é equilibrar metas ambiciosas com a realidade da indústria"
 
A RHI Magnesita mantém viveiros ambientais em municípios da Bahia e de Minas Gerais; um dos destaques é o viveiro Flor do Sertão, em Santaluz (BA), com capacidade de produção de 8 mil mudas por ano (foto: RHI Magnesita/Divulgação)
A RHI Magnesita mantém viveiros ambientais em municípios da Bahia e de Minas Gerais; um dos destaques é o viveiro Flor do Sertão, em Santaluz (BA), com capacidade de produção de 8 mil mudas por ano (foto: RHI Magnesita/Divulgação)
Emissões de carbono, eficiência energética e gestão hídrica são indicadores acompanhados de perto pelo mercado hoje, reforça o gerente de Meio Ambiente da RHI Magnesita na América do Sul, Carlos Eduardo Rodrigues.
 
Segundo ele, a empresa, que fornece refratários para mineradoras e siderúrgicas, trabalha com metas “concretas e mensuráveis” para reduzir o impacto ambiental de suas operações, contribuindo também para a jornada de descarbonização na cadeia de valor de seus clientes.
 
Apesar dos avanços, o executivo reconhece que ainda há desafios importantes pela frente, principalmente em um setor historicamente associado ao uso intensivo de recursos naturais. E o principal deles é equilibrar metas ambientais ambiciosas com a realidade operacional de uma indústria de base.
 
"Nossa estratégia climática está baseada justamente em ampliar reciclagem, energia renovável, eficiência operacional e reaproveitamento de recursos naturais”, diz o executivo. A RHI pretende alcançar 20% de taxa de reciclagem, hoje em 13,7%, e reduzir em 10% as emissões de CO%u2082, considerando como base o ano de 2024. Em 2025, a companhia encerrou um ciclo iniciado em 2018, superando a meta estipulada para o período.
 
A ampliação do uso de energia limpa também é uma das frentes. Atualmente, 99,5% da eletricidade utilizada pela empresa possui certificação de origem renovável pelo padrão internacional I-REC.
 
Na área hídrica, Rodrigues destaca os projetos de reaproveitamento implantados na unidade de Brumado (BA), onde a empresa afirma ter atingido 90% de recirculação e reuso da água industrial. “Isso evita o consumo de aproximadamente 998 metros cúbicos de água por hora”, diz. Já na unidade de Ponte Alta (MG), houve redução de 50% no consumo graças a sistemas de monitoramento diário, identificação de vazamentos e treinamento operacional.
Resíduos transformados em pavimento
 
Questionada sobre passivos ambientais, a RHI Magnesita afirma manter programas permanentes de recuperação e monitoramento nas regiões onde atua. Entre as ações citadas estão a preservação e recuperação de 22 nascentes na Serra das Éguas, em Brumado (BA), além da meta de restaurar 100 mil metros quadrados de áreas na região até 2026. A companhia também afirma manter mais de 15 mil hectares preservados em suas operações.
 
Outro projeto citado envolve a destinação de resíduos industriais chamados “finos” para a manutenção de vias públicas em Coronel Fabriciano (MG). De acordo com a empresa, cerca de 4 mil toneladas do material foram doadas ao município entre janeiro e outubro de 2025.
 
Na frente de reflorestamento e educação ambiental, a empresa mantém viveiros ambientais em municípios da Bahia e de Minas Gerais. Um dos destaques é o viveiro escolar Flor do Sertão, em Santaluz (BA), com capacidade de produção de 8 mil mudas por ano. A companhia também menciona projetos voltados à comunidade, como hortas comunitárias e iniciativas de geração de renda associadas ao reaproveitamento de materiais.
 
Vale amplia estratégia integrada de sustentabilidade
 
A barragem Grupo, localizada na Mina Fábrica (Complexo de Ouro Preto/MG), é uma das estruturas a montante da Vale que teve as obras de descaracterização concluídas (foto: Vale/Divulgação )
A barragem Grupo, localizada na Mina Fábrica (Complexo de Ouro Preto/MG), é uma das estruturas a montante da Vale que teve as obras de descaracterização concluídas (foto: Vale/Divulgação )
Sete anos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, que matou 272 pessoas e provocou impactos sociais e ambientais ao longo da bacia do Rio Paraopeba, a Vale afirma ter ampliado uma estratégia integrada voltada à redução de danos ambientais, com foco em prevenção, monitoramento contínuo, inovação tecnológica, uso eficiente de recursos naturais e metas públicas de longo prazo.
 
Em comunicado enviado à Encontro, a mineradora afirmou que as ações envolvem redução de emissões, gestão hídrica, economia circular e recuperação de áreas naturais. Na área climática, a empresa informa ter investido R$ 7,4 bilhões, desde 2020, em iniciativas para a diminuição dos gases de efeito estufa. As metas incluem reduzir em 33% as emissões dos escopos 1 e 2 até 2030, zerar as emissões líquidas até 2050 e cortar em 15% as do escopo 3 até 2035, etapa que concentra 98% das emissões totais da companhia.
 
A estratégia engloba o fornecimento de minério de ferro de maior qualidade, desenvolvimento de produtos voltados à descarbonização da siderurgia e parcerias com clientes para redução de emissões na cadeia produtiva. A companhia também afirma ter superado a meta de redução do uso de água nova nas operações, alcançando uma queda de 32% em 2025, bem acima do objetivo inicial de 27% até 2030.
 
Outro ponto destacado é o uso de energia elétrica 100% renovável nas operações no Brasil, meta inicialmente prevista para 2025, mas antecipada e atingida em 2023.
 
Reparação
 
O desastre, ocorrido em janeiro de 2019, é considerado um dos maiores crimes socioambientais da história do país e intensificou a pressão de investidores, órgãos ambientais, Ministério Público e comunidades atingidas sobre a atuação da mineradora, especialmente em relação à gestão de barragens e responsabilidade ambiental.
 
Desde então, a empresa tem um programa de descaracterização de estruturas construídas pelo método a montante, o mesmo utilizado na barragem que colapsou em Brumadinho. Segundo a Vale, o plano prevê a eliminação das 30 estruturas desse tipo existentes no Brasil.
 
Até o momento, 19 barragens e diques já tiveram as obras concluídas — 16 em Minas Gerais e três no Pará — o que representa um avanço de 63% do programa. A empresa informa ter investido R$ 13,3 bilhões nas intervenções.

Na frente ambiental, a empresa informa que cerca de 260 hectares de Mata Atlântica e áreas protegidas em Brumadinho estão em recuperação, com mais de 300 mil mudas nativas plantadas.
 
Na área de reparação, a Vale informa que 83% das obrigações previstas no Acordo Judicial de Reparação Integral já foram cumpridas. Em 2021, a mineradora firmou um acordo de R$ 37,68 bilhões com o Governo de Minas Gerais, Ministério Público e instituições de Justiça.
 
Segundo a empresa, mais de 17,5 mil pessoas já foram indenizadas, totalizando R$ 4 bilhões em pagamentos.
Apesar das medidas anunciadas, movimentos de atingidos e especialistas seguem apontando desafios relacionados à recuperação ambiental de longo prazo, aos impactos sociais permanentes e à reparação integral dos danos causados pela tragédia.
 
“Estamos olhando para o futuro”, diz fundador da Cedro Mineração
 
Lucas Kallas, fundador e presidente do Conselho da Cedro(foto: Cedro/Divulgação )
Lucas Kallas, fundador e presidente do Conselho da Cedro (foto: Cedro/Divulgação )
A mineração vive um momento de transformação. Pressionada por exigências ambientais cada vez maiores e pela demanda global por matérias-primas associadas à transição energética, a atividade busca reinventar processos historicamente vistos como intensivos em recursos naturais. É nesse cenário que a Cedro Mineração, empresa mineira com operações em Mariana e Nova Lima, tem caminhado. 

A companhia tem planos ambiciosos. Hoje produz cerca de 7 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e pretende alcançar 20 milhões até 2030. Para isso, prevê investimentos superiores a R$ 7 bilhões em projetos de mineração, logística e infraestrutura. O desafio, no entanto, vai além do crescimento: passa pela tentativa de demonstrar que expansão e sustentabilidade podem caminhar juntas.

Parte dessa estratégia está concentrada na produção do chamado pellet feed, um minério de maior teor de ferro e com menos impurezas. Segundo a empresa, esse produto pode contribuir para a redução das emissões de carbono na indústria siderúrgica, um dos setores mais pressionados pela agenda global de descarbonização.

“Estamos olhando para o futuro. O pellet feed tem maior teor de ferro e amplia a eficiência do processo siderúrgico. É um produto fundamental para a transição energética da indústria global”, afirma Lucas Kallas, fundador e presidente do Conselho da Cedro.

A aposta no minério premium está diretamente ligada à expansão da mina da empresa em Mariana. O projeto prevê elevar a produção local de 3 milhões para 5 milhões de toneladas anuais, além da geração de empregos e do aumento da arrecadação para a região. 

Mas a estratégia da companhia não se resume ao produto final. A Cedro tem investido em tecnologias de filtragem e empilhamento a seco, método que elimina a necessidade de barragens de rejeitos, tema que ganhou relevância nacional após os rompimentos registrados em Minas Gerais na última década. A empresa afirma ainda reaproveitar cerca de 85% da água utilizada nos processos industriais e manter sistemas de recirculação hídrica em parte de suas operações.

Outro eixo importante está na logística. Um dos principais projetos em desenvolvimento é a construção de um ramal ferroviário próprio de aproximadamente 26 quilômetros, iniciativa que deverá receber investimentos de R$ 1,5 bilhão. A expectativa é reduzir significativamente a circulação de caminhões nas rodovias da região, diminuindo emissões e riscos operacionais.

A companhia também obteve a concessão de um terminal no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, considerado peça-chave para integrar a cadeia logística e ampliar a competitividade da produção mineral brasileira.

Para Kallas, a discussão sobre sustentabilidade não pode estar dissociada do desenvolvimento econômico e social. “Nossa visão é de que crescimento e sustentabilidade não são opostos, mas interdependentes. Precisamos ser agentes de mudanças positivas, transformando a maneira de fazer negócios nas indústrias em que atuamos”, diz.

Em um setor frequentemente colocado no centro dos debates ambientais, iniciativas como as da Cedro refletem um movimento mais amplo da mineração brasileira: a busca por modelos capazes de atender à crescente demanda mundial por minerais sem ignorar os desafios ambientais e sociais que acompanham a atividade. Se essa equação será suficiente para redefinir a imagem do setor, é uma resposta que ainda será construída ao longo dos próximos anos.
 
 

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