
Serraria Souza Pinto
Reaberta em abril após um amplo processo de restauração, a Serraria Souza Pinto retorna ao circuito cultural com uma proposta de uso intensivo e diversificado. O espaço, que preserva sua arquitetura industrial original de 1912, recebeu cerca de R$ 12 milhões em investimentos e passa a operar com estrutura técnica pronta para eventos. O espaço será administrado até 2044 pelo consórcio Nova Serraria, formado pelas empresas Revee e Integritate, vencedor da licitação e responsável pelas intervenções estruturais realizadas no imóvel. “A gente está apto para receber isso. Então investimos muito para a preparação do espaço”, afirma o CEO da Revee, Leonardo Donato.
A expectativa é realizar cerca de 100 eventos até o fim do ano, número que já supera as projeções iniciais. “Quando começamos a divulgar a abertura, percebemos que a demanda seria muito maior do que havíamos imaginado”, diz Donato. A nova configuração inclui melhorias como ar-condicionado central, requalificação acústica, novos camarins e áreas gastronômicas, além da possibilidade de uso cotidiano do espaço, ainda em fase de implementação.
A restauração buscou equilibrar preservação e adaptação. “Fizemos a revitalização mantendo a originalidade”, explica o diretor de engenharia da Revee, Luís Francisco Júnior, destacando a manutenção de elementos históricos, como o calçamento externo. Ao mesmo tempo, o interior foi reconfigurado para atender demandas contemporâneas. Para o poder público, a reabertura tem impacto urbano mais amplo. “Entregar um equipamento dessa monta significa trazer pessoas para o hipercentro”, afirma o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira.
Avenida Assis Chateaubriand, 889, Centro
Cine Graciano

Instalado em uma casa antiga, o espaço funciona com sessões gratuitas e programação voltada ao cinema independente. “A gente passou a fabular coletivamente a possibilidade de uma espécie de popularização da sala de cinema, um espaço que pudesse ser montado com recursos possíveis, que acolhesse todas as pessoas de modo gratuito e sem discriminação”, relatam. A proposta inclui tanto a exibição de filmes quanto a criação de um ponto de encontro para realizadores e espectadores.
A adesão tem crescido gradualmente, com cerca de 80 filmes exibidos e um público que já soma aproximadamente mil pessoas. “Muitos vão e voltam ao espaço, cada vez com algum amigo diferente, um sinal de que a proposta é frutífera”, observam. O desafio agora é garantir a continuidade e ampliar parcerias. “Nos interessa consolidar a sala como um local de convergência e encontro do audiovisual”, afirmam, destacando como principal retorno “ver as pessoas expressarem seu amor à sétima arte”.
Rua Itapecerica, 468, Lagoinha
Entrada gratuita
Mais informações no Instagram @filmederua
A Oficina

A proposta, segundo ele, foi criar um espaço que extrapolasse o modelo tradicional de centro cultural, funcionando como um lugar de produção, formação e troca, construído em diálogo com moradores, trabalhadores e artistas da região. A programação já reúne oficinas, exposições e apresentações, com destaque para iniciativas como o Tapeçaria Criativa e a mostra Elas por Elas.
O processo de implantação foi marcado por desafios estruturais e conceituais. “Nada foi pensado de forma externa ou impositiva – tudo foi sendo construído em diálogo”, explica Vilmar. A rede de colaboradores inclui professores da UFMG, restauradores, educadores e, sobretudo, moradores da Lagoinha, que participam ativamente da construção do espaço.
Mais do que números, o impacto é medido pela criação de vínculos. “Já temos um grupo de pessoas que participa de forma recorrente, que se apropria do espaço. Isso, para mim, é mais importante do que qualquer indicador quantitativo.” A sustentabilidade financeira ainda aparece como principal obstáculo, mas o retorno simbólico orienta o projeto: “Eu costumo dizer que A Oficina não é só um espaço – é um processo.”
Rua Serro, 145, Lagoinha (BH)
Entrada gratuita
Mais informações no Instagram @aoficinalagoinha
Grande Galpão da Casa do Conde de Santa Marinha

Integrante do conjunto arquitetônico da Praça da Estação, o espaço foi originalmente construído em 1894 e abriga, desde 2005, a superintendência do Iphan em Minas Gerais. A reabertura marca não apenas a recuperação física do imóvel, mas sua reinserção na dinâmica cultural da cidade, com o lançamento de projetos como Memórias da Capoeira em Minas Gerais: A Voz dos Mestres e das Mestras. Desenvolvida em parceria com a UFMG e o Coletivo de Salvaguarda da Capoeira no estado, a iniciativa resultou na produção de 25 registros audiovisuais sobre mestres e mestras de diferentes regiões, com base em metodologias de história oral e abordagem etnográfica.
O projeto busca valorizar trajetórias, ampliar a visibilidade da capoeira e fortalecer ações de salvaguarda, considerando a presença expressiva da prática em mais de 400 municípios mineiros. O material foi disponibilizado na plataforma do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), ampliando o acesso público às narrativas e memórias dos capoeiristas.
A reforma do Grande Galpão da Casa do Conde de Santa Marinha se insere em um conjunto mais amplo de ações de preservação no estado, que somam cerca de R$ 300 milhões em investimentos. A própria Casa do Conde deve passar por novas etapas de restauração, ampliando o potencial do complexo como espaço de memória e produção cultural.
Rua Januária, 130 – Floresta
Teatro Jota Dangelo

O projeto arquitetônico é assinado por Guilherme Moretzsohn e prevê uma estrutura apta a receber espetáculos de dança e outras linguagens. A concepção cênica conta com assessoria de Pedro Pederneiras, do Grupo Corpo, enquanto o sistema acústico e de climatização é desenvolvido com participação de especialista da UFMG. A iniciativa articula cultura, educação e ciência em um mesmo espaço.
Para o presidente da Feluma, Wagner Eduardo Ferreira, a iniciativa é uma ampliação da cultura mineira alinhada às diretrizes de educação, arte e ciência já características da instituição. “O Teatro Jota Dangelo será um local aberto a atores, atrizes e para as diferentes manifestações artísticas, com o incentivo da instituição tanto para artistas de Minas Gerais quanto para produções de outras regiões. Nosso objetivo é estimular cada vez mais a arte e a cultura. Além disso, o espaço também poderá receber seminários e eventos científicos, ampliando as possibilidades de integração com o ensino e oferecendo mais oportunidades para nossos alunos.”
Avenida dos Andradas, Centro, próximo aos campi II e III da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais
Previsão de inauguração: segundo semestre de 2026
Espaço multiuso do Parque Municipal

No momento, está sendo montada a cobertura metálica, estrutura que se destaca pelo desenho leve e pela engenharia complexa. “São 58 toneladas de aço sustentadas por apenas cinco colunas”, explica o superintendente da Sudecap, Leonardo Gomes, ressaltando a proposta de criar uma cobertura com efeito visual flutuante. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura informa que já foram executadas 41,7% das intervenções previstas. O valor estimado é de cerca de R$ 21 milhões.
Apesar dos avanços recentes, a entrega ainda não tem nova data definida, após adiamento do cronograma inicial. A previsão de início de funcionamento será definida em conjunto com a Fundação Municipal de Cultura (FMC), após a conclusão das obras e a estruturação do modelo de operação do espaço.
Parque Municipal Américo Renné Giannetti - Avenida Afonso Pena, 1.377, Centro
Sem previsão de inauguração