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"Não é começar do zero, é continuar missão", diz Bernardo Paz sobre museu

O fundador do Inhotim revela bastidores do Museu Bernardo Paz; iniciativa promete escrever novo capítulo na relação entre arte, paisagem e Brumadinho


postado em 26/08/2026 11:12 / atualizado em 26/08/2026 12:19

O empresário Bernardo Paz, cujos investimentos no novo museu são estimados em R$ 1 bilhão, dará visibilidade a parte do seu acervo de mais de 3.000 obras de arte contemporânea (foto: Museu Bernardo Paz/Divulgação)
O empresário Bernardo Paz, cujos investimentos no novo museu são estimados em R$ 1 bilhão, dará visibilidade a parte do seu acervo de mais de 3.000 obras de arte contemporânea (foto: Museu Bernardo Paz/Divulgação)
Bernardo Paz está de volta. Duas décadas após criar um dos mais importantes centros de arte contemporânea do mundo, o Inhotim, e apenas quatro anos após transferir, de forma definitiva, todo o inestimável acervo do local — além do próprio terreno — a uma instituição independente para governá-lo, numa doação sem precedentes na história da cultura nacional, o empresário e mecenas resolveu sair de um retiro voluntário para alçar novos voos aos 77 anos.
Quem esteve minimamente atento às redes sociais no início deste mês de agosto percebeu a repercussão em torno da novidade: a construção de um novo espaço cultural, também em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, situado num terreno ao lado do Inhotim: o Museu Bernardo Paz.
 
Colecionador contumaz desde a década de 1980 — estima-se um acervo de mais de 3.000 peças reunidas ao longo de mais de quatro décadas —, Paz acredita que ainda tem muito a realizar. “Não é começar do zero, é continuar uma missão e uma visão. Acredito que ainda posso contribuir para a percepção da arte e da paisagem no país, e que a melhor forma de fazer isso é apoiar a criação de novos encontros, para todas as pessoas. O nome do museu reflete de modo direto e simples a sua criação”, afirmou em entrevista à Encontro.
 
Espelho do seu idealizador, a nova iniciativa não será nada modesta. Os investimentos iniciais, custeados com recursos próprios do empresário, alcançam a cifra de R$ 1 bilhão. O valor, veiculado pelo colunista Silas Martí, da Folha de S.Paulo, não foi citado no comunicado oficial. Certo é que o complexo terá governança própria, ocupará 126 hectares e prevê a criação de mais de 20 galerias e pavilhões, além de instalações e esculturas ao ar livre comissionadas a grandes nomes do cenário internacional. A estrutura está sendo erguida em etapas, com pré-inauguração esperada para setembro de 2027.
A primeira fase vai reunir pavilhões de seis artistas com espaço próprio — o norte-americano Michael Heizer, ícone da land art; a ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino; a mineira Sonia Gomes; o também mineiro Pedro Moraleida (falecido aos 21 anos, em 1999); a peruana Sandra Gamarra e a carioca Laura Belém —, além de esculturas de grande porte assinadas por nomes como a norueguesa Frida Orupabo e o italiano Giuseppe Penone.
 
As peças serão instaladas entre morros e vales que separam o Inhotim da Área de Proteção Ambiental (APA) Paz — tão próximo da sede original que não há sequer uma cerca dividindo os dois terrenos. A proposta retoma a combinação entre criação artística e natureza que também marcou o empreendimento pioneiro do empresário. Na nova casa, o projeto paisagístico terá escala equivalente à ambição das galerias.
 
E é na concepção da paisagem, mais do que em outras áreas, que o empresário parece se empenhar pessoalmente e de maneira autoral. Não por outro motivo, o desenho dos jardins — tratado no material de divulgação quase como uma obra em si — é assinado pelo próprio colecionador, que credita boa parte de seu aprendizado na área à amizade com o visionário artista plástico e paisagista Roberto Burle Marx, falecido em 1994.
 
“Quando comecei a imaginar jardins e museus, as conversas com Burle Marx foram importantes e ajudaram a aumentar meu amor pelas plantas e pela natureza, além de incentivar a ousadia de cultivar espécies raramente utilizadas no paisagismo tradicional. O novo museu leva esses sonhos mais longe, e trabalhar na paisagem tem sido minha maior paixão de todo o processo”, contou Paz em entrevista ao jornal O Tempo. No terreno, 15 mil árvores recém-plantadas já começam a criar sombra sobre o canteiro de obras, enquanto cerca de 1 milhão de arbustos, cactos e plantas floríferas estão a caminho.
 
EM CONSTRUÇÃO - Entre os seis pavilhões da primeira fase, o de Michael Heizer é o que está em estágio mais avançado de construção; o espaço vai abrigar as instalações
EM CONSTRUÇÃO - Entre os seis pavilhões da primeira fase, o de Michael Heizer é o que está em estágio mais avançado de construção; o espaço vai abrigar as instalações "Displaced Replaced Mass" e "Negative Wall Sculpture", ambas de 1993. É a primeira vez que o artista, atualmente com 82 anos e um dos nomes centrais da land art americana, verá um trabalho seu instalado de forma permanente na América Latina. (foto: Gilberto Machado/Niin Content/Divulgação)
Além de Burle Marx, outros nomes igualmente expressivos influenciaram a vida do empresário e foram fundamentais para sua transformação em um dos maiores colecionadores do país. Apesar de ter atuado toda a vida no ramo da mineração e siderurgia — foi dono do Grupo Itaminas, composto por 29 empresas e vendido por ele em 2024 —, Paz sempre foi um entusiasta do setor cultural. Ele credita sua guinada para a arte contemporânea a um parceiro histórico: o artista plástico pernambucano Tunga (1952–2016).
 
“Tunga me apresentou a força da arte contemporânea. Foi um grande amigo, um irmão. Não consigo imaginar a criação do Inhotim sem a presença da sua pessoa e da sua obra”, reconhece. Vale lembrar que Tunga foi o primeiro artista a ter uma galeria dedicada permanentemente a ele no Inhotim. É dele a icônica instalação True Rouge, com suas redes e recipientes com líquidos vermelhos suspensos, um dos marcos do acervo original.
 
Atualmente, Paz se vê cercado por outros grandes nomes, entre os quais o consultor de arte nova-iorquino Allan Schwartzman, cofundador do Inhotim e agora consultor curatorial sênior do novo espaço, e Paulo Miyada, que assume a direção artística do Museu Bernardo Paz após encerrar, em dezembro, um ciclo de 15 anos à frente de importantes iniciativas coletivas, como o Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), o Centre Pompidou (Paris) e a Bienal de São Paulo.
 
Um pé em SP, outro em Brumadinho
 
Envolvido com a empreitada desde o ano passado, Miyada conta que, desde que assumiu a função de diretor artístico, se viu imerso em uma miríade de compromissos. “Tem sido um ano de muito movimento, tanto para estar em Brumadinho — com a equipe, no terreno, além de receber visitas de artistas e arquitetos —, quanto para visitar outros contextos, outras exposições e fazer pesquisa. Um tempo de muito deslocamento”, descreve, completando que se divide entre a capital paulista e o município mineiro.
 
A pesquisa sobre a qual ele se debruça é também interna, envolvendo um mergulho no acervo de Bernardo Paz. “O que estou percebendo agora é que o colecionismo dele sempre teve uma vocação muito institucional. Nunca foi uma coleção feita para uma residência que, depois, ficou grande e extravasou. Sempre foi construída pensando em peças ambiciosas, que muitas vezes jamais poderiam ser vistas em uma casa ou mesmo em uma galeria comercial. Além disso, ele demonstra um interesse pela história do artista, não por trabalhos soltos, o que também é muito raro”, avalia.
 
Paulo Miyada, que já passou pelo Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), Centre Pompidou (Paris) e Bienal de São Paulo, assume a direção artística do Museu Bernardo Paz (foto: Mariane Lima/Divulgação)
Paulo Miyada, que já passou pelo Instituto Tomie Ohtake (São Paulo), Centre Pompidou (Paris) e Bienal de São Paulo, assume a direção artística do Museu Bernardo Paz (foto: Mariane Lima/Divulgação)
Em relação ao novo museu, que naturalmente absorverá essa digital particular do seu patrono, o diretor artístico recorre a um nome em especial para demarcar o contraste entre a nascente instituição e outros espaços pelo mundo: “Imagine que teremos um local dedicado ao Pedro Moraleida. É algo inédito, tanto objetivamente — o artista nunca teve um espaço assim —, quanto simbolicamente, pois é difícil imaginar um perfil de produção tão experimental e provocativa tendo uma estrutura permanente de pesquisa e difusão... Acho que é um gesto que já diz bastante sobre essa nova etapa”, instiga.
 
Para Schwartzman, Paz já havia aberto possibilidades sem precedentes ao fundar o Inhotim há duas décadas. Agora, as expectativas são ainda maiores. “Com essa instituição marcante já estabelecida, ele vai além dela, rumo a um novo território experimental. Há uma abundância criativa no Museu Bernardo Paz — um senso distintivo e radical de descoberta — que será deslumbrante tanto em alcance quanto em força imaginativa”, explana.
 
Em comunicado, a administração do Museu Bernardo Paz confirmou estar avançando no desenvolvimento de um edifício de cerca de 2.500 metros quadrados para exposições rotativas, além de abrigar criações-âncora de grandes dimensões expostas permanentemente. O projeto prevê ainda um centro comunitário com biblioteca e ateliês de arte na entrada, voltado à população local — em especial ao bairro Cohab, vizinho ao terreno —, além de um futuro pavilhão dedicado à música e à dança.
 
O empresário faz questão de reafirmar sua relação com a comunidade do município, que mais uma vez vira centro de atenção no mundo das artes. “O Museu Bernardo Paz está criando raízes e florescendo a partir da crença no potencial criativo dos encontros inesperados. Este é um lugar para descobrir novas relações entre a arte e paisagens de diferentes tipos, entre artistas e públicos que ainda não se conheceram, e entre a comunidade de Brumadinho e um público vindo de todo o mundo. Tudo isso está se unindo aqui, e tudo isso é para as pessoas”, afirma.
 
Em nota, o Instituto Inhotim afirma que tem conhecimento das atuais iniciativas de Bernardo Paz. Ressalta ainda que, embora tenham o mesmo fundador, os projetos são organizações distintas, com programas, estruturas de gestão, modelos de governança e financiamentos próprios. O comunicado também informa que, até o momento, não houve qualquer formalização entre as duas partes sobre possíveis colaborações.  
 
A expectativa de integrar um time grandioso

Anunciada para batizar um dos pavilhões da fase inaugural do Museu Bernardo Paz, a belo-horizontina Laura Belém conta que o convite a desafiou a revisitar — e atualizar — uma instalação de anos atrás. “Alguns elementos serão diferentes do original, configurando quase um novo trabalho”, revela. No entanto, a artista pede licença para guardar certo mistério. “Me interessa que o público tenha um contato fresco com a obra. O que posso dizer é que a primeira montagem se aproximava mais de uma prosa, enquanto esta vai se aproximar da poesia”, entrega.
 
Perguntada sobre a sensação de integrar um grupo tão seleto quanto aclamado, ela pondera: “Para mim é uma honra, são nomes que admiro muito. É também um grande reconhecimento da minha trajetória e da pesquisa dedicada à instalação nos últimos 25 anos. É muito bom poder apresentar um trabalho nesse contexto e com as condições oferecidas”.
A artista lembra que a opção por trilhar o caminho das artes plásticas ainda exige uma dedicação que passa longe de ser simples. “É uma atividade que exige muita perseverança e entrega. Há muitos desafios pelo caminho. Por tudo isso, só tenho a agradecer e estou com muita expectativa por esse novo espaço.”
 
Essa perspectiva transcende o fato de estar presente no projeto. Laura argumenta que o local amplia as possibilidades de o público desfrutar de produções de alta qualidade. “O museu certamente terá um impacto muito positivo não apenas em Minas, mas também no Brasil e no exterior, consolidando ainda mais o estado como um importante polo de arte contemporânea em diálogo com a paisagem. Há um aspecto fundamental também de formação de público e de trabalho com a comunidade, já que trará novas ações, diferentes daquelas que o Inhotim vem desenvolvendo”, afirma.
 
Laura Belém nasceu em 1974 em Belo Horizonte, onde vive e trabalha. Formada pela Escola de Belas Artes da UFMG, é mestre em artes plásticas pela Central Saint Martins College of Art, de Londres. Em sua carreira, foi agraciada com a Bolsa Pampulha, do Museu de Arte da Pampulha (MAP), com o CIFO Grants and Commissions Program da Cisneros Fontanals Art Foundation (Miami, 2011) e com o Prêmio CNI Sesi Marcantônio Vilaça para Artes Plásticas (Brasília, 2011). Cumpriu residências artísticas na Alemanha, Espanha, Canadá e EUA, além de passar por São Paulo e Recife. Seu currículo contempla participações em diversas mostras coletivas. Entre as individuais, a mais recente foi Invento o Mar, na Albuquerque Contemporânea Galeria de Arte, em 2024. (Patrícia Cassese)

Museu já movimenta a rede hoteleira local

Antes mesmo de erguer seu primeiro pavilhão, o Museu Bernardo Paz já entrou na conta de dois dos maiores investimentos hoteleiros em curso na região. O Clara Arte, instalado dentro do próprio Inhotim, e o Vila Galé Collection Brumadinho, com previsão de abertura em 2028, tratam o anúncio como um fator decisivo para justificar a aposta no município.
 
Taiza Krueder, CEO do Grupo Clara Resorts — que inaugurou sua unidade no Inhotim em dezembro de 2024 —, reage com otimismo à novidade. “Quando compramos essa área, não havia nenhuma previsão de o Bernardo dar esse passo. É uma feliz surpresa. Acho que será maravilhoso para a região ter mais esse atrativo”, reconhece a executiva.
 
O Grupo Clara Resorts já injetou R$ 259,3 milhões no Clara Arte e inaugura neste mês sua maior expansão desde a abertura: a Ala Galeria, um prédio 100% acessível que eleva a capacidade de hospedagem de 46 para 76 acomodações. Para setembro está prevista a entrega de uma nova área esportiva, com quadras de tênis, beach tennis, paddle e pickleball, além de um salão de eventos com salas temáticas — parte do esforço para diluir custos fixos e otimizar a estrutura em datas de baixa temporada.
 
Já o Vila Galé Collection Brumadinho segue em fase de licenciamento, sem data para início das obras, mas com inauguração estimada para abril de 2028. Para o administrador do grupo, Gonçalo Rebelo de Almeida, o projeto de Paz reforça a lógica que levou a rede portuguesa a apostar na cidade. “O impacto será muito positivo para o turismo local e, consequentemente, para o nosso hotel. O Instituto Inhotim já atrai muitos visitantes. Acredito que a abertura de mais um museu assinado pelo fundador dessa instituição atrairá ainda mais turistas”, assinala.
 
Para ele, a proximidade geográfica do empreendimento com os dois polos culturais gera um potencial apelo comercial: “É muito provável que a Vila Galé absorva parte dos visitantes dessas instituições. Iremos, inclusive, focar parte dos nossos trabalhos em vendas para atingir esse objetivo”, antecipa.
 
A implantação do novo hotel foi oficializada em novembro de 2025, quando a rede recebeu a transferência de um terreno de 108 mil metros quadrados da Prefeitura de Brumadinho. O investimento previsto gira em torno de R$ 150 milhões para erguer 312 apartamentos com vista para a represa do Rio Manso. Este será o segundo empreendimento da marca em Minas Gerais, juntando-se ao Vila Galé Collection Ouro Preto.

A chef que viu o Inhotim nascer agora testemunha a chegada do novo museu

Enquanto os pavilhões do Museu Bernardo Paz ganham forma, a chef autodidata Dailde Marinho vive a expectativa da inauguração. Até o início deste ano responsável pela gastronomia do Instituto Inhotim em espaços como o celebrado Tamboril, o Oiticica e o Café das Flores — setor atualmente gerido pelo Grupo Capim Santo, da chef baiana Morena Leite —, ela segue acompanhando cada passo do empresário.
 
Se vai assumir o comando de um eventual espaço gastronômico no local, ela ainda não sabe dizer. O que garante é que continuará fiel ao paladar do colecionador, a quem atende pessoalmente há cerca de três décadas: Dailde é a cozinheira chamada sempre que precisa recepcionar convidados em sua residência. “Ele nunca abriu mão do meu trabalho. Sempre que recebe visitas, eu atendo e vou lá para preparar os pratos”, orgulha-se a profissional, cuja trajetória com Paz começou por acaso, nos anos 1990.
 
Natural do Vale do Jequitinhonha, ela chegou a Belo Horizonte ainda jovem e trabalhou em casas de família até ser contratada pelo empresário. “Um dia, o Bernardo me chamou e disse que tudo ia mudar. Foi quando começou toda a transformação do Inhotim”, recorda. Com a abertura do espaço, coube a Dailde o posto de chef.
 
“No início, vieram vários profissionais da cozinha. Eram filas de testes. Perto de inaugurar, ele me chamou para assumir o Tamboril”, comenta, citando o restaurante que comandou por quase duas décadas. Nesse período, Dailde chegou a dividir o fogão com figuras renomadas, como o chef Anthony Bourdain, durante a passagem do apresentador norte-americano pelo Brasil, em 2016, para gravar um episódio do programa Parts Unknown — que incluiu uma visita ao Inhotim e uma entrevista com Paz. “Com ele, eu fiz uma maçã de peito flambada”, lembra.
 
Fora do comando operacional do Inhotim, ela permaneceu como cozinheira pessoal do mecenas. Entre as receitas que a consagraram estão o cordeiro, o pato na couve e a farofa de alecrim com espinafre e banana, além de releituras da culinária mineira apreciadas pelo patrão, como lombo e pernil. “Os pratos gourmet são muito enfeitadinhos, mas é preciso comer direito. Tem que comer a comida da Dailde Marinho”, brinca a chef que viu o Inhotim nascer da cozinha e, agora, observa de perto os primeiros tijolos do Museu Bernardo Paz.
 
Quem é quem
 
Confira um mural dos primeiros artistas confirmados no Museu Bernardo Paz:
 
Anna Maria Maiolino
 
Natural da Calábria (Itália), onde veio ao mundo em 1942, iniciou a carreira na Venezuela e radicou-se no Brasil em 1960. Transitou por poesia, desenho, gravura, escultura, performance e fotografia. Possui obras em instituições de prestígio internacional, como o MoMA e o Reina Sofia.
 
Frida Orupabo
 
Com berço em Sarpsborg (Noruega), em 1986, a socióloga vive em Oslo e aborda raça e gênero em suas criações. Artista essencialmente digital, constrói colagens a partir de imagens da internet. Já expôs na 34ª Bienal de São Paulo e em países como França, Bélgica e EUA.
 
Giuseppe Penone
 
Originário de Garessio (Itália), de 1947, o artista é um dos expoentes do movimento Arte Povera. Cria esculturas e instalações com troncos, argila e pedras para examinar a relação entre arte e natureza, levando o público a refletir sobre o impacto humano no meio ambiente.
 
Mario García Torres
 
O mexicano de 51 anos é signatário da arte conceitual e representado no Brasil pela Galeria Luisa Strina. Com participações na Bienal de SP e mostras na Espanha e EUA, utiliza vídeos, som e performances para reinterpretar eventos e personagens esquecidos do século XX.
 
Michael Heizer
 
Nativo da Califórnia (EUA), o escultor e artista visual destaca-se na Land Art ao erguer obras monumentais com elementos da própria natureza. O Museu Bernardo Paz prepara um pavilhão para abrigar duas de suas criações de 1993: Displaced Replaced Mass #3 e Negative Wall Sculpture #1.
 
Pedro Moraleida 
 
O belo-horizontino (1977–1999) graduou-se na Escola de Belas Artes da UFMG e teve uma trajetória precoce. Deixou quase 1.500 desenhos, além de pinturas e textos irônicos. Em 2017, sua exposição póstuma no Palácio das Artes causou grande repercussão na capital mineira. Na foto, a obra “Judite, Holofenes, Formiga e Versos de Camões”
 
Sandra Gamarra Heshiki 
 
Vinda de Lima (Peru), onde surgiu em 1972, a artista estabeleceu sua base de trabalho em Madri. Ganhou projeção internacional ao criar o LiMac, um museu fictício de arte contemporânea, integrando apropriação cultural e herança pré-colombianas e coloniais em suas obras. Na foto, a obra “Altar de la naturaleza moribunda I”.
 
Sonia Gomes 
 
 (foto: Levi Fanan/Arquivo pessoal/divulgação )
(foto: Levi Fanan/Arquivo pessoal/divulgação )
A mineira de Caetanópolis (1948) ganhou destaque no cenário artístico por suas esculturas têxteis de formatos orgânicos e cores vibrantes. Utilizando sobras de tecidos, roupas e arames, sua obra traz um caráter descolonizador diante de questões sociais e ecológicas.
 
Torkwase Dyson
 
Com origem em Chicago (EUA, 1973), a artista é graduada em Belas Artes, Sociologia e Serviço Social. Criou o conceito de "Pensamento Composicional Negro" para investigar territorialidade e liberdade, figurando no acervo do Whitney Museum e na Bienal de Veneza.

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