Boa vizinhança e comércio amplo: as vantagens de morar em Lourdes

Moradores apontam o que mais gostam no bairro mais famoso da região centro-sul de BH

por Geórgea Choucair 27/06/2017 14:51

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Ronaldo Dolabella/Encontro
A libanesa Kaoutar Gholmei convive bem com os bares e restaurantes da região: "Aqui ficou mais movimentado, alegre e iluminado. Deu mais segurança" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Se o bairro de Lourdes é conhecido pelo charme e pela elegância, a libanesa Kaoutar Gholmie, de 71 anos, é uma boa representante dos moradores. Depois de rodar o mundo com o marido, falecido há 10 anos, ela decidiu fincar os pés em Belo Horizonte. Foi em Lourdes que criou os três filhos e agora passeia com os netos. "Adoro a região. É agradável e tem todo tipo de comércio e serviço", afirma Kaoutar. Ela foi a primeira moradora do prédio onde está há 22 anos. Kaoutar lembra-se do tempo em que o bairro tinha muitas mansões, que aos poucos foram ocupadas por comércio ou substituídas por luxuosos edifícios. "Da janela do meu quarto eu tinha vista até o bairro da Serra. Agora, é só espigão", diz. Kaoutar costuma frequentar exposições na Casa Fiat de Cultura, no Centro Cultural Banco do Brasil e no Minas Tênis Clube.

A pele bronzeada revela outro hobby de Kaoutar: são as visitas diárias ao clube, onde se encontra com amigos, joga baralho, faz hidroginástica, bate papo e conta piadas.  O biquíni é a primeira coisa que veste ao se levantar, por volta das 8 da manhã. "Tenho tudo ao meu redor, não há motivos para sair daqui." Só falta no bairro uma paixão: o mar. "Adoro água e sol. Meu sonho é terminar os dias em uma praia, sem precisar olhar o horário." Mas rapidamente sorri e lembra-se dos filhos e netos, que também moram na região. "Acho que eles não me deixariam ficar longe." Assim como a família, as amigas provavelmente também sentiriam saudades da convivência e das comidas árabes feitas pela libanesa, como quibe cru, charuto de repolho ou folha de uva e arroz com lentilha.

Ronaldo Dolabella/Encontro
O advogado Nilson Lorentz Leal com a mulher Maria José Barbosa Duarte e os filhos Gabriel, Lucca e Marina: "Aqui tem policiamento efetivo" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Já a carioca Marcela Borges Jayme trocou o mar pela praticidade, aconchego e amizades de Lourdes. Há dois anos no bairro com o marido e as duas filhas, é lá que ela pretende se estabelecer. Desde que se casou, há 12 anos, já morou em seis cidades com o marido, o engenheiro eletricista Túlio Toledo Abi-Saber. As filhas, Inah, de 9 anos, e Gabriela, de 7, nasceram nos Estados Unidos. Lá, o casal morava em condomínio afastado do centro da cidade. Em Belo Horizonte, não quiseram repetir a dose. "Acho um luxo andar a pé. Aqui não preciso de carro para quase nada", diz Marcela.

A família mora há pouco mais de dois anos a um quarteirão do Minas e da praça Marília de Dirceu. "Aqui tem tudo perto, como escolas, clube, bar, banco, restaurante, sacolão e supermercado", afirma Túlio. Ele passa a maior parte da semana no Rio de Janeiro, onde fica a sede da empresa em que trabalha. O casal tinha a opção de morar lá, mas escolheu continuar em solo mineiro. "Aqui as amizades são mais verdadeiras", diz Marcela. Além dos vizinhos, ela conhece os garçons de restaurantes, lavadores de carro e funcionários do sacolão ao redor do seu prédio. Cumprimenta todos durante os passeios diários com sua cachorrinha, a yorkshire Tucha. Nas terças-feiras à noite, participa de grupo de oração em uma casa da vizinhança.

Ronaldo Dolabella/Encontro
A carioca Marcela Borges Jayme trocou o mar pela praticidade, aconchego e amizades de Lourdes, onde mora com o marido Túlio, as filhas Inah e Gabriela e a cachorrinha Tucha: "Acho um luxo andar a pé. Aqui não preciso de carro para quase nada" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Marcela frequenta a turma de corrida do Minas e Túlio usa a academia do clube para fazer musculação. Quando está na capital, o engenheiro trabalha no Jardim Canadá, em Nova Lima. Ele conta que gasta cerca de 20 minutos para chegar lá. "É muito fácil para sair e entrar no bairro", diz. Eles têm sítio em Brumadinho, na região metropolitana, onde costumam ir nos fins de semana. "Levamos 40 minutos até lá", afirma Túlio.

O advogado Nilson Lorentz Leal também viaja muito a trabalho. Foi no bairro de Lourdes que encontrou tranquilidade e segurança para pegar estrada e não ficar muito preocupado com a mulher, a farmacêutica Maria José Barbosa Duarte, e os filhos Gabriel, de 8 anos, e os gêmeos Lucca e Marina, de 3. "Aqui tem policiamento efetivo", diz Nilson. A família faz parte do grupo de moradores no WhatsApp que alerta sobre a segurança no bairro, em parceira com a Polícia Militar. Trata-se do Segurança New Lourdes, no qual 177 pessoas informam sobre possíveis perigos na região. "Já aconteceu de a polícia interceptar ladrão por causa de ação do grupo", afirma Maria José. Os porteiros do seu edifício também têm rádios ligados com outros colegas e com a polícia.

Cláudio Cunha/Encontro
Paulo Vinícius Lentulio e a mulher Alessandra elogiam a diversidade dos restaurantes: "O charme é esse, há os dois extremos. Quem quiser comida barata, consegue", afirma Paulo (foto: Cláudio Cunha/Encontro)
Gabriel faz inglês nas redondezas do prédio e futebol e natação no Minas. Aos fins de semana, Nilson nada, joga bola e toma cerveja no clube, enquanto os filhos menores brincam no espaço para crianças. "No prédio não tem área de lazer. O Minas foi a solução nos fins de semana", afirma Maria José. Ela faz parte do Divas de Lourdes, grupo de mulheres que se reuniram para promover melhorias no bairro e até indicar serviços e profissionais. O valor do condomínio e IPTU na região, segundo ele, é elevado. "Mas compensa pelo bem-estar, aconchego e facilidade de acesso", diz. A família anda a pé não só no bairro, mas também quando precisa ir ao centro da cidade.

A praticidade de locomoção em Lourdes levou o engenheiro Paulo Vinícius Lentulio e a administradora carioca Alessandra Lentulio a venderem o carro e sair só a pé. Os dois vão caminhando para o trabalho. O veículo que tinham estava rodando 5 mil quilômetros por ano. "Fiz as contas e vi que não valia a pena mantê-lo", diz Paulo. Os dois costumam fazer atividades físicas, como corrida e caminhada, na própria região, em locais como a Praça da Liberdade. Eles são frequentadores assíduos dos bares e restaurantes da vizinhança, pois cozinham pouco em casa. Apesar do movimento, o casal não reclama de barulho. "Os bares respeitam o limite de reduzir o som a partir das 22h", observa Paulo.

Para comprar doces, queijo e castanhas no Mercado Central, Alessandra vai a pé. A segurança é outra vantagem apontada pela carioca. "Se fosse no Rio de Janeiro, eu não poderia nem tirar o celular da bolsa", diz. Apesar da sofisticação das casas comerciais, Paulo afirma que a região é eclética. Tem desde restaurantes requintados com comidas internacionais a espetinhos com preços populares. "O charme é esse, há os dois extremos. Quem quiser comida barata, consegue.

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