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Estado de Minas BEM-ESTAR

DNP promete 'queimar' gordura, mas é um veneno proibido

A substância, que foi banida do uso humano em 1938, voltou a ser consumida por jovens que querem emagrecer rapidamente


postado em 29/01/2016 08:27

Sabe aquela história de emagrecer a qualquer custo? Essa questão tem preocupado autoridades de saúde pública em todo o mundo, principalmente pelo aumento do consumo de um perigoso composto que promete "queimar" as gorduras localizadas. A substância 2,4-dinitrofenol, mais conhecida como DNP, é utilizada na indústria química desde a década de 1930 para a fabricação de explosivos e herbicidas, mas vem sendo comercializada pela internet em forma de cápsulas, pó ou creme por pessoas que querem perder os "quilos extras".

O produto foi banido para uso em humanos em 1938 devido aos seus efeitos adversos graves. Segundo o médico Paulo Augusto Miranda, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia em Minas Gerais, o DNP pode causar hipertermia (aumento da temperatura corporal), náuseas e vômitos, dor abdominal, alergias cutâneas, agitação, taquicardia, dificuldade respiratória e até mesmo levar à morte.

O uso em humanos, conforme explica o endocrinologista, voltou a ser debatido em 1980, quando um médico do Texas (EUA) passou a produzir e prescrever a substância. Após a morte de um paciente em conseqüência dos efeitos adversos da substância, o clínico americano foi condenado pela justiça.

O consumo desse perigoso produto vem aumentando entre fisiculturistas e pessoas interessadas na rápida perda de peso. As informações desprovidas de base científica, especialmente nos sites de venda da substância, e mesmo na troca de experiência entre usuários de fóruns na internet, vêm estimulando o consumo.

Paulo Augusto ressalta que o DNP já foi banido há muito tempo e alerta para os riscos. "Os supostos resultados benéficos não são comprovados por pesquisas científicas sérias. O uso de qualquer substância ou droga sem a prescrição ou acompanhamento médico é perigoso e deve ser evitado", adverte o especialista.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o DNP já causou doenças graves e mortes em vários países nos últimos três anos. Nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador de alimentos e medicamentos, catalogou esse pesticida como uma substância extremamente perigosa e não apta para o consumo humano.

Em 2015, foram registrados 30 casos de intoxicação pela substância na Grã-Bretanha. Dos intoxicados, cinco acabaram morrendo.

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