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Estado de Minas MEIO-AMBIENTE

Cientistas concluem que pernilongo não transmite o zika vírus

A pesquisa analisou o Culex, que foi exposto ao micro-organismo e não se infectou


postado em 06/09/2016 17:39 / atualizado em 06/09/2016 18:05

Cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) concluíram que o pernilongo ou muriçoca, mosquito de hábitos doméstico e noturno, de nome científico Culex quinquefasciatus, não transmite o zika vírus. A pesquisa foi divulgada ao público nesta terça, dia 6 de setembro, após ser publicada na revista científica PLoS (Public Library of Science) Neglected Tropical Diseases. O estudo foi feito em parceria com o Instituto Pasteur, de Paris.

Os trabalhos foram coordenados pelo médico veterinário Ricardo Lourenço, do IOC, e envolveram um total de 42 pesquisadores. Em uma primeira fase, no ano passado, eles coletaram cerca de 1,6 mil mosquitos, cerca da metade deles Culex e o restante Aedes aegypti, em quatro bairros da cidade do Rio: Copacabana, Manguinhos, Triagem e Jacarepaguá. Uma pequena parte, só 26 indivíduos, era da espécie Aedes albopictus.

Os mosquitos foram testados e nenhum dos Culex era portador do zika. Em uma segunda fase, foi criada uma colônia de mosquitos no IOC e eles foram expostos, alimentados e contaminados com sangue contendo o vírus. Os insetos foram minuciosamente examinados para detectar se havia o micro-organismo vivo neles, incluindo o estômago, a cabeça e a saliva, mas mesmo assim não foi identificado o causador da febre zika nos pernilongos.

"Nós examinamos a saliva do mosquito, para ver se o vírus ativo infectante estava ali. Nós não encontramos nenhuma vez o vírus. Isto nos convenceu de que esse mosquito não era capaz de transmitir zika. Já os Aedes aegypti se infectavam de 80% a 100% das vezes, com uma quantidade de saliva cheia de vírus", diz Ricardo Lourenço em comunicado à imprensa.

O cientista afirma ainda que o trabalho, que descarta a transmissão do zika pelo pernilongo comum, representa um direcionamento importante para as políticas públicas de combate à doença, pois evita o desperdício de recursos financeiros e esforços de saúde no combate a esse inseto muito comum nos lares brasileiros.


(com Agência Brasil)

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