Transplante de células-tronco pode tratar a esclerose sistêmica

A pesquisa brasileira foi realizada pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP

por Encontro Digital 30/03/2017 08:12

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(foto: Pixabay)
A esclerose sistêmica é uma doença autoimune caracterizada pelo ataque do sistema imunológico ao tecido conjuntivo. O sintoma mais evidente é a perda de elasticidade e o enrijecimento da pele. Porém, nas formas mais graves, pode ocorrer também a falência das funções renal, pulmonar e cardíaca, levando o paciente a óbito.

O tratamento convencional é feito com remédios imunossupressores e apresenta alta incidência de efeitos colaterais. A maioria dos pacientes não responde bem, e nos casos mais graves, a mortalidade cinco anos após o diagnóstico pode chegar a 50%. Daí o interesse no desenvolvimento de terapias alternativas, como o transplante de células-tronco hematopoiéticas, ou seja, as produzidas pelo sistema sanguíneo. Usando o vocabulário da computação, os estudiosos caracterizam esse procedimento alternativo como um "reset" (reinício). O sistema imunológico é inteiramente "desligado" e, depois, "religado", para que passe a funcionar adequadamente.

Um estudo conduzido na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP investigou como o transplante é capaz de produzir um novo sistema imunológico e a causa da maioria dos pacientes responder positivamente ao procedimento, mas alguns não. A pesquisa foi realizada pelo doutorando Lucas Coelho Marlière Arruda, sob a orientação da professora Maria Carolina de Oliveira Rodrigues.

"Avaliamos dois processos de renovação do sistema imunológico. O primeiro, por meio do timo, responsável pela formação das células T. O segundo, por meio da medula óssea, responsável pela formação das células B. E buscamos entender os diversos mecanismos, celulares e moleculares, envolvidos na nova produção dessas células do sistema imunológico", diz Lucas Arruda.

Procedimento

O transplante alogênico – isto é, com células-tronco de doadores saudáveis – é descartado, pois traz o risco de os pacientes desenvolverem a chamada "doença do enxerto contra hospedeiro", na qual as células transplantadas atacam tecidos do organismo receptor. Opta-se, então, pelo transplante autólogo, com células-tronco dos próprios pacientes.

No caso da esclerose sistêmica, as células-tronco hematopoiéticas, previamente congeladas, são reinfundidas no paciente, para que possam voltar a migrar para os ossos e recriar um sistema imunológico saudável. O período total de internação para o transplante chega a 20 dias.

"O objetivo de nosso estudo foi compreender como o timo e a medula óssea são reativados, ou reiniciados, após o transplante. E como isso se relaciona com o êxito ou não da terapia", comenta Lucas Arruda.

Foram avaliados 31 pacientes: no pré-transplante e, depois, a cada seis meses, até três anos após o transplante. Todos eles vinham tomando medicação imunossupressora há anos, mas sem que esse tratamento convencional impedisse a progressão da doença. Dos 31 pacientes acompanhados, 25 deles, isto é, mais de 80%, responderam bem ao transplante e não precisaram mais recorrer à terapia convencional. "Neles, verificamos que o timo voltava a funcionar e, principalmente, a produzir células T reguladoras, que têm esse nome exatamente por regular o sistema imune. E também que a medula óssea voltava a produzir células B reguladoras, cuja função é igualmente a de regular o sistema imunológico", esclarece o pesquisador da USP.

Nos seis pacientes que não responderam bem à terapia, essas respostas imunológicas tiveram início, mas não se sustentaram. A explicação é que, nesses casos, as células doentes não foram inteiramente eliminadas. Parte delas sobreviveu ao transplante e, depois, voltou a se multiplicar e a agredir o tecido conjuntivo. "É importante notar, porém, que mesmo esses pacientes obtiveram um saldo positivo, pois, antes, não respondiam bem à terapia convencional e, após o transplante, passaram a responder", pondera Arruda.

A esclerose sistêmica acomete principalmente mulheres, na faixa dos 30 aos 55 anos. Trata-se de uma doença multifatorial, cujas causas envolvem tanto fatores genéticos quanto ambientais (estilo de vida, atividade profissional, alimentação, uso de medicamentos etc.).

(com Jornal da USP e Agência Fapesp)

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