Campanha alerta para a Síndrome Alcoólica Fetal

O problema é grave e surge quando gestantes ingerem álcool

por Encontro Digital 17/05/2017 09:45

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Valdecir Galor/SMCS/Divulgação
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, não existe limite seguro para a ingestão de álcool durante a gravidez. Essa droga lícita pode causar a Síndrome Alcoólica Fetal no bebê (foto: Valdecir Galor/SMCS/Divulgação)
O Brasil não tem estatísticas oficiais, nem programa de prevenção específico sobre a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), doença que atinge bebês de mulheres que ingeriram bebidas alcoólicas durante a gravidez. O alerta é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Ela está lançando em maio uma ferramenta para ampliar a conscientização das mães e dos profissionais da saúde sobre os danos causados aos bebês pela ingestão de álcool durante a gravidez. Os pediatras destacam que a doença não tem cura e pode trazer danos irreversíveis para as crianças, como retardo mental e anomalias congênitas.

Segundo o Ministério da Saúde, a prevalência dessa síndrome no Brasil já foi estimada em uma a cada mil nascidos vivos, índice menor que o registrado em termos mundias (três em cada mil). Em nota, o ministério reconhece, no entanto, que a estimativa nacional pode estar subestimada, "considerando a dificuldade de diagnóstico, a não obrigatoriedade da notificação e a tendência crescente de consumo de bebidas alcoólicas pelas mulheres e seu consumo significativo pelas gestantes no Brasil".

Para os pediatras, a ausência de dados afeta o conhecimento sobre o problema e a formulação de políticas públicas de prevenção. "Não há qualquer programa oficial para prevenção dos efeitos do álcool no recém-nascido. No Brasil, as ações do governo focam na prevenção ao consumo das drogas e do álcool, mas, de forma geral, a Síndrome Alcoólica Fetal não é combatida. Nem sequer se sabe o número de afetados que existem no país. Há um déficit de comunicação sobre o assunto e a ausência de prevenção faz com que esse problema, que existe há décadas, se torne sem solução", comenta Luciana Silva, presidente da SBP.

Nível de consumo

Os médicos alertam que um simples gole de bebida alcoólica pode atingir o bebê. Por outro lado, esclarecem que nem todos as crianças que foram expostas ao álcool durante a gestação desenvolvem a síndrome.

Para a SBP e outras entidades que estão envolvidas na campanha de conscientização, diante do risco e do desconhecimento de níveis seguros de consumo de álcool durante a gestação, a recomendação é que a mulher interrompa imediatamente a ingestão dessa droga lícita assim que a gravidez é constatada.

Diagnóstico

A presidente da SBP, Luciana Silva, ressalta que os danos da doença não podem ser totalmente revertidos, apenas amenizados. O tratamento ocorre por meio de suporte médico, aliado a acompanhamento social e psicológico.

Segundo os especialistas, o bebê é atingido quando o álcool, presente na corrente sanguínea da mulher, atravessa a placenta e fica armazenado no líquido amniótico, que envolvem o feto na barriga da mãe. Uma vez em contato com o cérebro do bebê, que ainda está em formação, o álcool passa por um processo mais lento de metabolismo e não é eliminado facilmente, o que deixa o bebê mais exposto aos seus efeitos.

Os médicos explicam ainda que o diagnóstico da síndrome é feito com mais precisão depois do nascimento da criança, quando podem ser observadas malformações na face e outros defeitos físicos decorrentes da síndrome, como a microcefalia.

O retardo no crescimento (no útero e também depois do nascimento), problemas cardíacos, disfunções na memória e na capacidade de aprendizagem, além de dificuldades de relacionamento e outras alterações comportamentais também são apontados pelos especialistas como indícios tardios da doença.

(com Agência Brasil)

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