Estudo da USP mostra que antioxidantes podem combater a infertilidade causada pela endometriose

Os pesquisadores testaram a acetilcisteína e a carnitina em laboratório e obtiveram bons resultados

por Encontro Digital 19/05/2017 11:58

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Segundo a pesquisa realizada na USP, dois antioxidantes muito usados por atletas podem ajudar as mulheres que tiveram endometriose a terem filho (foto: Pexels)
Usados como suplementos alimentares por atletas, antioxidantes podem ser inócuos para ganho de massa muscular, mas se mostraram promissores no reparo da infertilidade causada pela endometriose. Foram testadas duas substâncias: N-acetilcisteína (medicamento para doenças respiratórias) e L-carnitina, ou vitamina B11, que é produzida em pequena quantidade pelo organismo humano e encontrada em vários tipos de carnes, laticínios e alguns vegetais.

Com poderes antioxidantes já reconhecidos, essas substâncias surpreenderam pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, ao promover o amadurecimento de óvulos de bovinos em sistema de cultura in vitro que continha líquido folicular de mulheres inférteis por endometriose – em especial a carnitina.

Essa doença ginecológica atinge aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva e caracteriza-se por uma "menstruação retrógrada", em que células da camada interna do útero (endométrio) são lançadas, com o sangramento menstrual, para fora, na cavidade abdominal. Suas causas ainda não estão completamente esclarecidas. Sabe-se que a menstruação retrógrada é comum a 90% das mulheres, mas nem por isso todas desenvolvem endometriose, e que, além de cólicas intensas, a doença pode trazer infertilidade.

Ao estudar o fluido folicular das mulheres vítimas da doença que a pesquisadora Vanessa Silvestre Innocenti Giorgi, da USP, encontrou no "estresse oxidativo", presente no fluido, a piora da qualidade do futuro óvulo.

O fluido folicular é uma mistura de plasma (parte líquida do sangue) e secreção de células do ovário que ficam "no interior dos folículos ovarianos em íntimo contato com o oócito [futuro óvulo] em desenvolvimento". O oócito, banhado por esse líquido cheio de nutrientes, cresce e amadurece dentro do folículo ovariano (revestimento do óvulo).

Tratamento natural

"Nossos achados elucidam parte dos mecanismos patogênicos envolvidos na infertilidade associada à endometriose", comemora Vanessa Giorgi. A pesquisadora lembra que são resultados importantes, mas laboratoriais, ainda não testados na prática clínica. O uso do modelo bovino, segundo ela, se dá por ser similar ao humano (que eticamente não deve ser utilizado em pesquisas), além de ser de baixo custo e de fácil manipulação.

Como os antioxidantes testados já são utilizados em tratamentos médicos e de baixa toxicidade, para um futuro, talvez próximo, Vanessa acredita que seu estudo auxilie no tratamento da infertilidade provocada pela endometriose. "A suplementação por via oral com antioxidantes poderia aumentar a chance de uma gestação natural no período de um ano, sem a necessidade de realização de técnicas de reprodução assistida", comenta a especialista.

(com Jornal da USP)

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