Pesquisadores descobrem que toxina da cascavel poderá substituir o Botox

A crotoxina da cobra tem efeito paralisante muito superior à toxina botulínica

por Encontro Digital 09/05/2017 10:50

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Cientistas brasileiros descobriram que a toxina presente no veneno da cascavel, a crotoxina, tem efeito paralisante muito superior ao da toxina botulínica, o famoso Botox (foto: Pixabay)
Uma substância encontrada no veneno das serpentes cascavéis (Crotalus durissus) pode ser a substituta da famosa toxina botulínica, mais conhecida pelo nome comercial Botox, nas clínicas de estética – para reduzir rugas e marcas de expressão. A crotoxina presente na cobra é uma molécula que já apresentou potencial em experimentos para ser usada como anti-inflamatório, analgésico, antitumoral, imunomodulador e até mesmo como um potente paralisante muscular.

Porém, para que esse potencial terapêutico possa ser transformado em medicamento, é preciso, antes, compreender em detalhes como a crotoxina interage com as células humanas. Avanços importantes nesse campo de estudo foram apresentados por pesquisadores brasileiros em artigo publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

"Nós sugerimos um novo arranjo estrutural da molécula e também um modelo para explicar seu efeito tóxico sobre o sistema nervoso. Essas informações podem ajudar outros pesquisadores a desenhar compostos sintéticos com estrutura e atividade semelhantes às das regiões da crotoxina que despertam interesse farmacológico", comenta Carlos Fernandes, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu.

A investigação contou com a colaboração de pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da USP, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Ezequiel Dias (Funed), de Belo Horizonte (MG).

Membrana

Embora seja capaz de se ligar à membrana de qualquer célula do corpo humano, a crotoxina afeta especialmente a chamada membrana pré-sináptica – localizada na junção entre os músculos e os nervos.

De acordo com Cristiano Oliveira, pesquisador da USP e coautor do artigo, a molécula é considerada um dos principais agentes paralisantes do veneno da cascavel e tem sido estudada em modelos animais para o tratamento de estrabismo por apresentar efeito mais duradouro que o da toxina botulínica.

"Estudos anteriores com animais indicaram que a crotoxina tem ação anti-inflamatória, antitumoral e analgésica. Também é possível que tenha aplicação estética. Mas faltava descobrir de que forma ela atua. Nós estamos descrevendo um possível mecanismo de ação, um passo importante para chegar ao desenvolvimento de fármacos", afirma o cientista.

O pesquisador Carlos Fernandes esclarece que a descoberta também abre caminho para a busca de compostos capazes de inibir a ação da crotoxina, que seriam úteis para aumentar a eficácia do soro antiofídico contra picada de cascavel.

(com Agência Fapesp)

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