Estudo mostra que alcoólatras são incapazes de reconhecer emoções

O álcool afeta o cérebro e inibe a característica básica dos humanos, que é o reconhecimento facial das emoções

por Encontro Digital 24/11/2017 09:10

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(foto: Pixabay)
Em muitos casos, os alcoólatras se lançam no mundo das bebidas devido a problemas emocionais. É a famosa expressão "afogar as mágoas". Uma pesquisa da equipe de Saúde Mental da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP, confirma as dificuldades de dependentes de álcool em reconhecer emoções.

O último relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que o consumo de álcool por pessoa aumentou 43,5% em 10 anos entre os brasileiros a partir dos 15 anos de idade. Era de 6,2 litros por ano em 2006 e chegou a 8,9 litros em 2016. Apesar do Brasil estar em 49º lugar entre os países que mais consomem álcool (os primeiros colocados são do Leste Europeu), a própria OMS esclarece que o problema não está no consumo em si mas no uso excessivo e na falta de controle.

Responsável pelo estudo, a psicóloga Mariana Donadon avaliou vítimas de alcoolismo em tratamento ambulatorial no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e comparou com pessoas saudáveis. Após entrevistas e testes específicos, como um de reconhecimento de expressões faciais de emoção, a pesquisadoa verificou que, além de sofrerem mais com depressão e ansiedade, os dependentes de álcool apresentam maior déficit para reconhecer e julgar emoções.

Medo, nojo, alegria, tristeza e surpresa. Os alcoólatras demonstraram problemas para julgar, reconhecer e reagir a todas as emoções estampadas nos rostos a eles apresentados. A habilidade de avaliar e entender as emoções é uma capacidade inata dos seres humanos. Segundo a psicóloga, é essa função que "propicia interações sociais saudáveis e nos protege de perigos". O rápido reconhecimento de uma face de raiva pode evitar uma briga, enquanto "reconhecer expressões de medo ou tristeza ajuda-nos a mudar o que está ruim", exemplifica Mariana.

Resultado de efeitos tóxicos da bebida nos circuitos cerebrais, a falta dessa habilidade impossibilita a reação adequada do dependente de álcool ao seu ambiente. "Os alcoólatras não possuem essa inteligência emocional e, num círculo vicioso, utilizam a bebida para fugir de situações problemas", diz a pesquisadora da USP.

Além da falta de inteligência emocional, a pesquisa mostra que os dependentes sofrem mais traumas emocionais precoces (na infância) do que os que não são alcoólatrase e apresentam personalidade desadaptativa – dificuldade de adaptação e interação com o meio social.

O estudo distingue ainda fatores que podem levar ao alcoolismo (vivências de traumas gerais e emocionais na infância e maiores dificuldades para reagir às emoções, principalmente as de surpresa) daqueles que protegem contra o transtorno (personalidade marcada pela conscienciosidade, ou seja, atributos relacionados à capacidade crítica ou autocrítica como a da autoconsciência sobre os malefícios da bebida e maior facilidade para reconhecer emoções, preferencialmente o medo e o nojo).

Com a doença já instalada, Mariana Donadon afirma que "a primeira conduta terapêutica seria psicoterapia para abstinência do álcool", já que o consumo crônico prejudica a inteligência emocional (percepção e julgamento das emoções, e para prevenção de recaídas. A participação dos grupos de autoajuda – como o AA – e em palestras informativas sobre os danos do consumo de álcool também estão entre as indicações da psicóloga.

(com Jornal da USP)

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