
Nessa quinta-feira, dia 09/01, a história ganhou novo capítulo. A Polícia Civil divulgou um laudo preliminar em que aponta a presença de dietilenoglicol, substância tóxica, em duas garrafas recolhidas na casa de pacientes. De acordo com especialistas, a ingestão do produto pode levar aos sintomas que haviam sido registrados nos oito pacientes.
Por meio de nota, a SES-MG informou que, diante do laudo "que comprova a presença de substância tóxica em cerveja consumida por pacientes internados em estado grave, em Belo Horizonte" convocou a força-tarefa envolvida na investigação "para definição dos encaminhamentos médicos, epidemiológicos e da Vigilância Sanitária".
O dietilenoglicol é comumente usado na produção de cervejas para resfriar o líquido, mas ele não entra em contato com a bebida, conforme especialistas. Depois de a Polícia Civil divulgar o resultado, a Backer informou que não utiliza tal substância em sua fábrica. Ainda nesta quinta-feira, garrafas foram recolhidas do parque cervejeiro da empresa para serem analisadas.
Interdição
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou nesta sexta-feira, dia 10/01, como medida cautelar, o fechamento da cervejaria Backer. Além disso, determinou a apreensão de todos os produtos que estão no mercado. Segundo nota do Ministério, "auditores fiscais federais agropecuários - nas especialidades farmacêutica, química e de engenharia agronômica - prosseguem apurando as circunstâncias em que ocorreram a contaminação verificada pelas autoridades policiais nos lotes indicados, a fim de dar pleno esclarecimento à população dos fatos". Ainda conforme o Mapa, mais de 16 mil litros de cerveja foram apreendidos cautelarmente para realização de análises laboratoriais.
O que já se sabe sobre o caso
O que já se sabe sobre o caso
- O dietilenoglicol, conhecido também como éter de glicol, foi encontrado em amostras de dois lotes de Belorizontina (L11348 e L21348), recolhidas nas casas de pacientes
- A Polícia Civil esteve na fábrica da Backer e coletou novas amostras para análise, cujo resultado ainda será divulgado
- O produto costuma ser usado no processo de fabricação de alimentos, mas não é um ingrediente. Portanto, ele não entra em contato com o líquido, no caso da cerveja
- A Backer informou que não usa a substância em sua fábrica
- Ainda não há confirmação de que a cervejaria foi a responsável pela contaminação, que já causou uma morte
- Os lotes suspeitos de estarem contaminados estão sendo recolhidos das prateleiras dos supermercados
- Anteriormente, nove casos foram notificados, mas um foi descartado por não apresentar os mesmos sintomas dos demais e por ter doença renal prévia
- A Polícia Civil incluiu na investigação a hipótese de um ex-funcionário da Backer ter sabotado a produção e causado o problema nas cervejas. Ele foi demitido da cervejaria e, por isso, teria ameaçado a empresa dizendo que "não tinha nada a perder"