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Estado de Minas MISTÉRIO

O que já se sabe sobre o caso de contaminação por cerveja em Belo Horizonte

A cervejaria mineira Backer, responsável pela fabricação da cerveja Belorizontina garante que não utiliza a substância suspeita; Ministério da Agricultura interditou a fábrica


postado em 10/01/2020 16:28 / atualizado em 13/01/2020 00:39

A cerveja Belorizontina, da Backer, está sendo apontada pela Polícia Civil como fonte de contaminação de oito pessoas, no bairro Buritis, na capital mineira. Os pacientes apresentam sintomas graves, como insuficiência renal e problemas neurológicos(foto: Gustavo Andrade/Divulgação)
A cerveja Belorizontina, da Backer, está sendo apontada pela Polícia Civil como fonte de contaminação de oito pessoas, no bairro Buritis, na capital mineira. Os pacientes apresentam sintomas graves, como insuficiência renal e problemas neurológicos (foto: Gustavo Andrade/Divulgação)
Não se fala em outra coisa em Belo Horizonte: a doença misteriosa e a possível ligação com a cerveja Belorizontina, da cervejaria mineira Backer. O caso começou a ganhar repercussão nas redes sociais no fim do ano passado, quando áudios começaram a circular indicando que pessoas teriam sido internadas depois de consumirem a bebida no bairro Buritis. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou que oito homens deram entrada em hospitais com os seguintes sintomas iniciais: dor abdominal e vômito, somados a insuficiência renal aguda. Eles apresentavam ainda paralisia facial e visão borrada. O órgão começou a tratar o caso como "doença misteriosa". No dia 07/01, Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, um dos acometidos pela tal doença, faleceu em Juiz de Fora.

Nessa quinta-feira, dia 09/01, a história ganhou novo capítulo. A Polícia Civil divulgou um laudo preliminar em que aponta a presença de dietilenoglicol, substância tóxica, em duas garrafas recolhidas na casa de pacientes. De acordo com especialistas, a ingestão do produto pode levar aos sintomas que haviam sido registrados nos oito pacientes.

Por meio de nota, a SES-MG informou que, diante do laudo "que comprova a presença de substância tóxica em cerveja consumida por pacientes internados em estado grave, em Belo Horizonte" convocou a força-tarefa envolvida na investigação "para definição dos encaminhamentos médicos, epidemiológicos e da Vigilância Sanitária".

O dietilenoglicol é comumente usado na produção de cervejas para resfriar o líquido, mas ele não entra em contato com a bebida, conforme especialistas. Depois de a Polícia Civil divulgar o resultado, a Backer informou que não utiliza tal substância em sua fábrica. Ainda nesta quinta-feira, garrafas foram recolhidas do parque cervejeiro da empresa para serem analisadas.

Interdição

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou nesta sexta-feira, dia 10/01, como medida cautelar, o fechamento da cervejaria Backer. Além disso, determinou a apreensão de todos os produtos que estão no mercado. Segundo nota do Ministério, "auditores fiscais federais agropecuários - nas especialidades farmacêutica, química e de engenharia agronômica - prosseguem apurando as circunstâncias em que ocorreram a contaminação verificada pelas autoridades policiais nos lotes indicados, a fim de dar pleno esclarecimento à população dos fatos". Ainda conforme o Mapa, mais de 16 mil litros de cerveja foram apreendidos cautelarmente para realização de análises laboratoriais.

O que já se sabe sobre o caso

  • O dietilenoglicol, conhecido também como éter de glicol, foi encontrado em amostras de dois lotes de Belorizontina (L11348 e L21348), recolhidas nas casas de pacientes

  • A Polícia Civil esteve na fábrica da Backer e coletou novas amostras para análise, cujo resultado ainda será divulgado

  • O produto costuma ser usado no processo de fabricação de alimentos, mas não é um ingrediente. Portanto, ele não entra em contato com o líquido, no caso da cerveja

  • A Backer informou que não usa a substância em sua fábrica

  • Ainda não há confirmação de que a cervejaria foi a responsável pela contaminação, que já causou uma morte

  • Os lotes suspeitos de estarem contaminados estão sendo recolhidos das prateleiras dos supermercados

  • Anteriormente, nove casos foram notificados, mas um foi descartado por não apresentar os mesmos sintomas dos demais e por ter doença renal prévia

  • A Polícia Civil incluiu na investigação a hipótese de um ex-funcionário da Backer ter sabotado a produção e causado o problema nas cervejas. Ele foi demitido da cervejaria e, por isso, teria ameaçado a empresa dizendo que "não tinha nada a perder"

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