Estado de Minas GASTRONOMIA

Conheça Natalia Lage, mineira que mudou de vida fazendo pipoca gourmet

A chef começou a trabalhar com o produto em um momento de necessidade e hoje ensina mulheres a empreender


postado em 13/02/2023 22:41 / atualizado em 13/02/2023 23:11

Natália Lage é a fundadora do La Bella Gourmet e tem mais de 48 mil seguidores(foto: Divulgação)
Natália Lage é a fundadora do La Bella Gourmet e tem mais de 48 mil seguidores (foto: Divulgação)
O primeiro contato de Natalia Lage com a pipoca foi ainda na infância. O avô dela, o seu José Geraldinho da Silva, era o pipoqueiro da cidade de Santa Bárbara, na região da Serra da Caraça. Ele vendia os produtos em frente ao cinema da cidade. A chef lembra que o pai levava ela e os irmãos para comer a pipoca aos fins de semana.

Apesar dessa primeira influência familiar, a pipoca não permaneceu presente na vida de Natalia de forma constante. Pelo menos não até ela cursar a faculdade. A jovem começou a estudar direito e fazia estágio na área. No entanto, no meio do curso engravidou. Com essa nova realidade, começou a sentir muito sono e enjoos, situações bastante comuns em uma gestação.

As idas e vindas entre casa, faculdade e estágio começaram a ficar muito difíceis para Natalia, mas ela precisava de uma fonte de renda. Nesse momento da vida, se lembrou que quando era pequena costumava vender doces na escola. "Com doze anos eu levava bombom e pralinê para vender na escola. Com essa questão de ter engravidado e não querer ficar no estágio, me veio a lembrança". A estudante decidiu mudar a fonte de renda e saiu do estágio para se dedicar às vendas.

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)
Mas, o que poderia vender? Natalia conta que muitas pessoas já comercializavam doces e comida na faculdade, por isso, a intenção era levar algo que tivesse um diferencial. "Fui pesquisar por alguma coisa que eu pudesse vender na faculdade porque lá já tinha várias pessoas que vendiam praticamente tudo que já tinha imaginado. Bombom, bolo de pote, tudo que se possa imaginar", relembra.

Foi quando a jovem decidiu buscar por uma receita de pipoca com leite ninho na internet. Depois de testar, levou para a sala para que as colegas pudessem experimentar. Ela garante que, de cara, o produto foi um sucesso. No mesmo dia, as amigas pediram para que levasse de novo no dia seguinte. Dividiu o produto em pacotinhos, mas, dessa vez, para que as pessoas pudessem comprar.

A clientela estava gostando das pipocas gourmet, mas, então, Natalia se viu com uma outra questão: não poderia continuar levando apenas pipocas de leite ninho. Nesse momento, começou a inovar e a experimentar a produção de novos sabores, como chocolate.

Começo de uma vida nova

O novo negócio começou com pequenas encomendas. Os colegas da faculdade e professores passaram a fazer pedidos para o fim de semana e para eventos. Com as contratações do trabalho para festas, Natalia viu uma oportunidade para inovar mais uma vez. "Eu perguntava se a festa tinha algum tema, o nome da criança. Depois, chegava na faculdade com o saquinho de pipoca personalizado sem que a pessoa soubesse e aí começou a pegar", relata.

O trabalho começou a ser divulgado e os pedidos continuavam chegando. Mas, ela sentiu a necessidade de aprimorar o produto, já que também tinha passado a vender a pipoca por delivery. A chef diz que fez muitos testes para chegar em um caramelo perfeito que não fazia a pipoca murchar tão facilmente. Além disso, também começou a usar um milho redondo para que as pipocas ficassem mais atrativas. Nas redes sociais, o público se tornou fiel ao trabalho da cozinheira.

Em quatro anos, entre 2016 e 2020, Natalia conta que já tinha crescido muito na nova profissão. "Comecei a divulgar as minhas pipocas nas redes sociais e comecei a ter pedidos de grandes empresas, comecei a fazer parcerias com blogueiros de Belo Horizonte e o trabalho foi tomando uma grande proporção", afirma.

Natalia se lembrou de como a pipoca tinha mudado a vida dela e decidiu ajudar outras pessoas. "No primeiro momento eu tive muito receio de ensinar porque realmente eu custei a chegar naquele caramelo, mas eu pensei que precisava ajudar as pessoas porque realmente é uma técnica que desenvolvi e, se deu certo para mim, tinha certeza que poderia ajudar outras pessoas", conta. A metodologia que desenvolveu para produzir as pipocas perfeitas foi batizado de método exclusivo La Bella - o nome da empresa que fundou.

No meio do caminho, em 2020, chegou a pandemia parando os eventos. Com a crise sanitária, muitas pessoas perderam os empregos. A chef viu o número de turmas aumentar cada vez mais. Natalia passou a abrir uma classe a cada três meses. Ela afirma que fazer pipocas é um ótimo método de ter uma nova fonte de renda, pois os custos da produção são baixos. "A pipoca é muito lucrativa porque os ingredientes são de baixo valor. Por exemplo, a base do caramelo da pipoca é o açúcar. Podemos trabalhar em casa, não demanda um espaço muito equipado. Com a cozinha do meu apartamento consegui atender multinacionais", destaca.

Desde então, a chef já teve mais de mil alunos em diferentes lugares do mundo, como Estados Unidos, Chile, Canadá, Austrália, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Portugal, Argentina, Venezuela e Colômbia.

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