
Segundo relato recente do escritor e educador Frei Betto, publicado em seu site, o cardeal Aloísio Lorscheider, então arcebispo de Fortaleza, foi o primeiro a alcançar os dois terços dos votos necessários no conclave de outubro de 1978. No entanto, ao ser consultado, recusou assumir o papado. A justificativa apresentada foi seu estado de saúde, pois havia passado por cirurgia cardíaca e possuía oito pontes de safena.
O conclave havia sido convocado após a morte repentina do papa João Paulo 1º, cujo pontificado durou apenas 33 dias. Lorscheider teria manifestado preocupação com a possibilidade de outro pontificado breve devido a questões médicas.
Após recusar o posto, o cardeal brasileiro teria atuado junto a outros eleitores para redirecionar votos ao cardeal polonês Karol Wojty%u0142a, que acabou eleito e adotou o nome de João Paulo 2º. A informação consta no livro Papa João Paulo II – A Biografia, do jornalista americano Tad Szulc. De acordo com a obra, Lorscheider mobilizou votos entre cardeais latino-americanos e africanos, contribuindo para o resultado final do conclave.
Dom Aloísio morreu dois anos após Wojtyla, em 23 de dezembro de 2007, aos 83 anos, em Porto Alegre (RS), depois de quase um mês de internação. Ele foi presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam). Em 1976, havia sido nomeado cardeal pelo papa Paulo 6º. Também foi arcebispo de Aparecida e é natural de Estrela, no Rio Grande do Sul.