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Estado de Minas CIDADES

Arte nos muros

Grafites avançam, aos poucos, pelas ruas da capital mineira, tomando fachadas e viadutos com figuras realistas ou divertidas


postado em 15/06/2015 12:21 / atualizado em 15/06/2015 13:42

Percorrer as ruas e avenidas de Belo Horizonte com olhar mais atento pode render uma experiência diferente. Em muros, viadutos e prédios, é possível admirar figuras hiper-realistas, psicodélicas e divertidas. Esse é o universo do grafite, integrante da chamada street art (arte das ruas), presente em várias capitais do mundo, e que tem se expandido na cena urbana belo-horizontina. “É forte e bonito. Bem melhor do que o muro ficar todo branco ou pichado”, diz o desembargador aposentado Francisco Batista Abreu, de 68 anos, sobre a figura na esquina da avenida Cristovão Colombo com rua Tomé de Souza, na Savassi (confira fotos).

Há desenhos que aparecem sem pedir licença, outros são injetados nos muros com a permissão do morador ou comerciante. Como é o caso de O Palhaço, na parede de um estacionamento localizado na esquina das ruas Espírito Santo com Guajajaras, no centro. De acordo com a Secretaria Municipal de Regulação Urbana, não há problema em conviver com os grafites na cidade, desde que eles sejam autorizados pelos proprietários dos imóveis. Independentemente da polêmica, a arte tem ganhado fãs. Há quem até contrate o serviço para deixar o visual do estabelecimento mais atraente, como é o caso da proprietária de uma empresa especializada em coaching, no Funcionários. “Fica bonito e dá um destaque interessante para o negócio”, diz Irene Rangel. “Pedi ao grafiteiro que elaborasse algo que remetesse ao universo, mas aí ele deu uma incrementada. Não há limites.”

Rua Guajajaras com Espírito Santo: O Palhaço, assinado por Nilo Zack, impressiona em uma das regiões mais movimentadas do centro da cidade(foto: Rogério Sol/Encontro)
Rua Guajajaras com Espírito Santo: O Palhaço, assinado por Nilo Zack, impressiona em uma das regiões mais movimentadas do centro da cidade (foto: Rogério Sol/Encontro)


Maria Luiza Viana Dias, professora do curso de design da Escola de Arquitetura da UFMG, uma das principais pesquisadoras do assunto no estado, acredita que a arte está sendo mais aceita por sua persistência no cenário urbano. “No Brasil, podemos notar o crescimento da manifestação desde a década de 1970, motivado pelo cenário político”, diz. Ao mesmo tempo, lembra que as pinturas rupestres podem ser destacadas como os parentes mais distantes do grafite, como escreveu o artista plástico Celso Gitahy em seu livro O que É Graffiti. “Hoje, usamos tintas em spray e não pintamos cervos e bisões, mas, sim, ideia, signos, que passam a compor o visual urbano”, diz Maria Luiza.

Rua Cláudio Manoel, esquina com Rio Grande do Norte, no Funcionários: a representação do universo, do grafiteiro Gud, que remete ao clássico do cinema 2001 %u2013 Uma Odisseia no Espaço(foto: Rogério Sol/Encontro)
Rua Cláudio Manoel, esquina com Rio Grande do Norte, no Funcionários: a representação do universo, do grafiteiro Gud, que remete ao clássico do cinema 2001 %u2013 Uma Odisseia no Espaço (foto: Rogério Sol/Encontro)


Há muitos exemplos pela cidade. Maria Raquel Bolinho, de 29 anos, há seis projeta nos muros da capital seus cupcakes personificados. “Quando comecei, algumas pessoas reclamavam e falavam mal, mas hoje elas já reconhecem o bolinho, fazem fotos e colocam no Instagram”, diz a jovem, que contabiliza mais de 500 trabalhos em BH. O grafiteiro Marcelo Gomes de Assis, de 34 anos, conhecido como Gud e envolvido com o grafite há 18 anos, também percebe maior aceitação. “Hoje, todo mundo elogia”, diz. “Gosto de mesclar desenhos reais com surrealistas, aí vou viajando.” Ainda não se convenceu? Então confira uma pequena amostra.

Rua Tomé de Souza, na Savassi: o Mestre dos Magos, famoso personagem do desenho Caverna do Dragão, dá as caras em região nobre da cidade(foto: Rogério Sol/Encontro)
Rua Tomé de Souza, na Savassi: o Mestre dos Magos, famoso personagem do desenho Caverna do Dragão, dá as caras em região nobre da cidade (foto: Rogério Sol/Encontro)

Avenida Cristóvão Colombo, na Savassi: figuras inusitadas atraem olhares curiosos(foto: Rogério Sol/Encontro)
Avenida Cristóvão Colombo, na Savassi: figuras inusitadas atraem olhares curiosos (foto: Rogério Sol/Encontro)

Rua Tomé de Souza, na Savassi: exemplo de desenho surrealista e que abusa das formas geométricas(foto: Rogério Sol/Encontro)
Rua Tomé de Souza, na Savassi: exemplo de desenho surrealista e que abusa das formas geométricas (foto: Rogério Sol/Encontro)

Rua Timbiras, no centro: quem sobe a via entre a avenida João Pinheiro e rua da Bahia, no Funcionários, depara com um homem escovando os dentes(foto: Rogério Sol/Encontro)
Rua Timbiras, no centro: quem sobe a via entre a avenida João Pinheiro e rua da Bahia, no Funcionários, depara com um homem escovando os dentes (foto: Rogério Sol/Encontro)

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