
Mais do que a lembrança visual, Samuel teve a música do Clube da Esquina como trilha sonora da infância. Cresceu ouvindo Paisagem na Janela e Trem de Doido. Mas só na adolescência, lá pelos seus 15 anos, quando já dominava as primeiras notas no violão, que voltou a se encontrar com o som feito por aqueles dois músicos mineiros. Virou fã de carteirinha de Lô Borges. Se tinha lançamento de disco, lá estava ele. Show em Santa Teresa ou no Palácio da Artes, não perdia um. Exibia orgulhoso em sua coleção os LPs A Via Láctea e Nuvem Cigana. Para Samuel, aquilo era rock cantado em português. "Era música de gente jovem feita para gente jovem", afirma. Além do som - que era inovador no início dos anos 1970, uma mistura de instrumental, jazz, rock, bossa nova e música folclórica mineira - o que mais inspirava o jovem era o fato de Lô ser seu vizinho. Cansou de encontrar o ídolo comendo macarrão no Bolão no fim de noite ou em um jogo no Mineirão. "Ele encarnava a possibilidade real de que, mesmo nascendo e crescendo em Belo Horizonte, vivendo nesta cultura, era possível fazer uma música viável, interessante aos ouvidos do resto do Brasil e até do mundo", afirma Samuel.
Só em 1999, já com o Skank tocando em todas as rádios do país, Samuel efetivamente conheceu Lô. Foi durante um almoço na casa do músico e compositor Chico Amaral, na Mata do Jambreiro, em Nova Lima. Ali surgia uma amizade e uma parceria que já dura 16 anos. O show Samuel Rosa & Lô Borges, gravado ao vivo no Cine Theatro Brasil Vallourec no início deste mês, é a concretização de um sonho antigo. "Nada mais coerente para a minha existência, para minha formação, do que dividir o palco com quem inspirou a minha carreira", diz Samuel.

Por debaixo dos panos, Tereza conseguia driblar a rigidez imposta pelo marido e, vira e mexe, atendia aos desejos do filho, que já tinha ideias vanguardistas sobre moda. Aos 14 anos, pediu que a mãe costurasse um terno de linho branco com ombreira dupla e corte triangular. Ficou exatamente como havia imaginado. Foi o que faltava para ele decidir que era hora de escrever os primeiros capítulos de sua história. Matriculou-se em um curso de desenho de moda do Senac. Pouco menos de um ano depois, começou a trabalhar na tradicional Casa Rolla. Em 1989, foi estudar moda na escola Esmod, em Paris. Ficou na capital francesa por quatro anos e, ao voltar para Belo Horizonte, só pensava em abrir sua própria confecção, o que viria a acontecer em 1998. Hoje, sua marca está à venda em cerca de 150 endereços no Brasil e mais de 20 no exterior. É queridinho de estrelas como Camila Pitanga, Paola Oliveira e Cleo Pires. "A maior lição que aprendi com ela é o cuidado com a peça. O avesso precisa estar perfeito, porque costurar não é só se sentar à máquina", diz Dzenk.
Veio também de casa a maior inspiração do empresário Helder Mendonça, da Forno de Minas. Ele aprendeu desde cedo que não há batalha que não se vença com perseverança. Aos 8 anos, perdeu o pai, Helio Mendonça, em um acidente de carro. Fazia apenas dois anos que a família tinha trocado João Pinheiro, a 400 quilômetros da capital, por Belo Horizonte. A mãe, Dalva, ficou viúva na cidade grande, com quatro filhos pequenos para criar. Resistiu à pressão familiar e não voltou para o interior. Queria que as crianças frequentassem boas escolas. No início, vendeu uma fazenda e com o dinheiro comprou um imóvel na planta que mais tarde revendeu. E depois outro, e outro. Em pouco tempo, tinha sua própria imobiliária. "O que me lembro na infância é da minha mãe sempre trabalhando", diz o empresário.

Foi na década de 1990, durante o Plano Collor, que mãe e filho resolveram criar um novo negócio. Helder tinha acabado de chegar dos Estados Unidos e estava empolgado com o consumo de comidas congeladas. Fundaram a Forno de Minas, que passou a oferecer o quitute mineiro para ser assado na casa do consumidor. Depois de 10 anos, venderam a marca para a multinacional americana General Mills, dona dos sorvetes Häagen-Dazs. Não deu certo, as vendas caíram pela metade. Em 2009, a família Mendonça retomou o negócio. "Eu estava cauteloso, os números não eram animadores, a empresa estava operando no vermelho", lembra Helder. Por outro lado, Dalva, acostumada a dar a volta por cima, queria colocar as coisas nos trilhos. E acertou de novo. No ano passado, a Forno de Minas registrou faturamento de R$ 231 milhões. "Minha mãe é incansável. É uma formiguinha, está em todos os lugares, resolve tudo ao mesmo tempo", afirma Helder.
A mistura perfeita dos ingredientes deu liga à vida dos Mendonças. Não existe, no entanto, uma receita para que um determinado indivíduo sirva de inspiração para outro. Para a psicóloga Delba Barros, coordenadora do programa de orientação profissional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), todos têm, em algum momento, alguém que lhe serve como modelo diante de suas escolhas. "Às vezes, nem paramos para nomear esse sentimento, mas ele existe naturalmente", afirma. É o caso de um filho que segue a carreira do pai ou que, apesar de não trilhar o mesmo caminho profissional, se espelha na forma como o progenitor trabalha. "Ele quer reproduzir o esmero, a dedicação, a paixão com que o seu modelo exerce seu ofício", completa.

Foi por causa do tio amado que Fernanda começou, aos 8 anos, a fazer aulas de balé. Em uma de suas andanças pelo Brasil, o coreógrafo mudou-se para um imóvel onde não cabia o piano. O jeito foi enviar para a casa do irmão, Rui, em Lourdes. A sobrinha, então, aprendeu a tocar o instrumento. Aos 15 anos, Fernanda iniciou sua atividade profissional como bailarina com o Grupo Transforma. Em 1995, entrou para o Grupo Galpão, onde participou de peças como Romeu e Julieta e Tio Vânia (Aos que Vierem Depois de Nós). Na TV, viveu Berenice na novela Além do Horizonte, na Rede Globo. Já no cinema, conquistou um Kikito no Festival de Gramado por sua atuação no filme O que se Move, assinado pelo diretor Caetano Gotardo. "Você é o culpado disso tudo. Era isso que falaria se pudesse encontrá-lo hoje", diz Fernanda, emocionada. Klauss morreu em 1992, vítima de problemas no coração.

De lá para cá, os irmãos Melo conquistaram juntos 15 títulos importantes e comemoraram, em junho, a conquista inédita do título de dupla em Roland-Garros, o saibro sagrado onde Gustavo Kuerten, o Guga, foi tricampeão simples, há 14 anos. "O Daniel sabe o quanto foi importante nesta conquista. Foi uma recompensa de todo o trabalho feito ao longo destes anos", diz. Girafa atualmente ocupa a terceira posição no ranking da Association of Tennis Professional (ATP). "Todos os dias temos novas histórias", diz. Algumas divertidas, como na vez em que o tenista comprou uma passagem de avião para a Austrália via África do Sul, o que fez Bruno perder quase um dia voando. "Fiz uma economia de US$ 200, mas ele até hoje não me perdoa", lembra, rindo.

"A conclusão da faculdade é um momento em que a maioria dos jovens está perdida. Eu não fui diferente, e o dr. Selmo foi um norte na minha vida", afirma. Já trabalhando na Origen, Leão foi atrás de um título, que conquistou pela Rede Latino-americana de Reprodução Assistida. Foi o primeiro da turma. Recebeu, orgulhoso, o diploma no Panamá, das mãos de seu "padrinho" profissional. "Ele está sempre ao meu lado." Em 2012, novamente guiado por Gerber, Leão assumiu a diretoria da Santa Fértil, um braço da Origen dentro do Hospital da Mulher e Maternidade Santa Fé. "Eu só tenho a agradecer, sou muito feliz com o que faço." E parece que, aos 37 anos, Leão já é inspiração para outros que estão chegando. Felipe, seu filho de 6 anos, jura que quer ser médico quando crescer. "Ele também quer ser guitarrista e jogador de futebol", diz, aos risos. Mas o doutor sabe, que, independente do caminho que o herdeiro seguir, se exercer seu ofício com amor, a vida está ganha.