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Estado de Minas ESPECIAL BAIRROS | IMóVEIS

Vale do Sereno é a bola da vez para novos empreendimentos

Com o Vila da Serra praticamente tomado, construtoras e moradores investem no bairro vizinho: promessa de oferecer baixa densidade e muito verde


postado em 28/04/2017 17:24

Vista do Vale do Sereno: novo canteiro de obras nos próximos anos(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Vista do Vale do Sereno: novo canteiro de obras nos próximos anos (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Se o Vila da Serra foi concebido na década de 1980, os primórdios do vizinho é ainda mais distante: fim dos anos 1950. O protagonista dessa história é o empresário Alberto Freitas Ramos, hoje com 80 anos. Albertinho, como é mais conhecido, tinha - e continua tendo - ótimo faro para bons negócios. Ele havia acabado de chegar de sua terra natal, Cordisburgo, na região central do estado, e não teve dúvidas em adquirir os 900 mil m2 que se transformaram no Vale do Sereno. Com apenas 23 anos, ele desembolsou 40 mil cruzeiros, quitados em cinco parcelas de 8 mil. "Quem compra terra não erra. Aqui era um buraco, mas era terra boa e bem localizada", diz. Ele tinha razão. O Vila da Serra já saturado de empreendimentos indica, agora, que a vez é do Vale do Sereno.

A turbulência na economia ainda não passou, mas sua intensidade, mostram os números, vem diminuindo. Se 2016 foi um ano para repensar projetos e frear a corrida de lançamentos imobiliários, este ano, apostam especialistas, será de retomada. Como o bairro Vila da Serra dispõe de poucos terrenos à venda, o vizinho Vale do Sereno assumiu o posto de canteiro de obras da região. "Já estou sentindo um novo movimento no mercado, com construtoras atrás de boas áreas para seus projetos", afirma Albertinho.  De acordo com a Prefeitura de Nova Lima, nos últimos dois anos, 20 novos projetos residenciais e comerciais foram aprovados para os dois bairros, sendo que o Vale do Sereno recebeu 12. E a tendência é aumentar.

O empreendedor Alberto Freitas Ramos, que investiu na região na década de 1950, ao lado dos filhos Alberto Freitas Ramos Júnior (à esq.) e Carlos Gustavo de Batista Ramos:
O empreendedor Alberto Freitas Ramos, que investiu na região na década de 1950, ao lado dos filhos Alberto Freitas Ramos Júnior (à esq.) e Carlos Gustavo de Batista Ramos: "Aqui era um buraco, mas era terra boa e bem localizada" (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
A construtora EPO é uma das que estão de olho no Vale. As torres Terra e Sol, que se destacam na paisagem, custaram 250 milhões de reais. A Sol já está sendo ocupada e a Terra deve ser entregue no final do primeiro semestre. As duas têm edifícios com apartamentos acima de 200 m2. Uma das coberturas, por exemplo, possui mais de 1 mil m2. Quase 90% das unidades já foram comercializadas. De acordo com Gilmar Dias, diretor da EPO, é errado pensar que o Vale do Sereno terá um volume de empreendimentos semelhante ao do vizinho. "Não queremos cometer os mesmos erros que foram feitos no planejamento do Vila da Serra e que gerou excesso de adensamento. Aqui, os terrenos têm de ter, no mínimo, 3 mil m2", diz Gilmar, que é também presidente da Associação dos Empreendedores do Vila da Serra e Vale do Sereno.

Com a freada nos lançamentos, no ano passado, as empresas focaram em vender unidades e esvaziar o estoque. É o que aponta pesquisa do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon) sobre o mercado imobiliário de BH e Nova Lima. Segundo o estudo, cerca de 3,2 mil apartamentos foram vendidos no período. Já os lançamentos somaram pouco mais de 2 mil unidades.

Torre do Concordia Corporate: com investimento milionário, empreendimento deve ser inaugurado no segundo semestre deste ano(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
Torre do Concordia Corporate: com investimento milionário, empreendimento deve ser inaugurado no segundo semestre deste ano (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
A construtora Conartes, já mirando um reaquecimento do mercado, deve lançar ainda no primeiro semestre o edifício Piazza Fontanna, na rua da Fonte, no Vila da Serra. Thiago Xavier Gonçalves, gerente de comunicação da empresa, revela que o prédio terá opções de apartamentos com quatro e duas suítes, além de lazer completo, incluindo quadra de tênis. Sobre o Vale do Sereno, a Conartes já adquiriu terrenos para futuros projetos. "Não tem como fugir. É o novo vetor de crescimento da região", afirma Thiago. Novos lançamentos também estão nos planos da Patrimar. Atualmente, a construtora comemora o sucesso dos edifícios Soho Square e Tribeca Square, ambos no Vila da Serra, com todas as unidades já vendidas. Lucas Couto, diretor comercial e de marketing da empresa, destaca a crescente demanda na região. "Não tivemos problemas para comercializar as unidades", diz.

E a procura pela região tende a aumentar. É o que afirma Breno Donato, vice-presidente de corretoras da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi). "O Vale do Sereno, por exemplo, oferece boa infraestrutura, com vias largas e de mão dupla. A vegetação é rica. Tenho certeza de que nos próximos cinco anos mais construtoras irão para o bairro", diz. O IPTU mais baixo na região também é outro fator que têm atraído moradores. Conforme Breno, o imposto equivale a um décimo do valor cobrado em Belo Horizonte. Ainda de acordo com o especialista, o valor médio do metro quadrado na região varia de 9 mil a 10 mil reais para unidades menores e de 13 mil para imóveis acima de 200 m2.

A torre Terra, da EPO, que deve ser entregue ainda neste semestre: mais de 90% das unidades, com pelo menos 200 m2, já foram comercializadas(foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
A torre Terra, da EPO, que deve ser entregue ainda neste semestre: mais de 90% das unidades, com pelo menos 200 m2, já foram comercializadas (foto: Ronaldo Dolabella/Encontro)
A região também foi a escolhida pela Caparaó para realizar seu maior investimento. Trata-se do Concordia Corporate, que está sendo erguido em parceira com a Tishman Speyer, empresa americana responsável pela operação de edifícios de luxo espalhados pelo mundo. Serão 44 andares, com fachada espelhada e mais de 200 milhões de reais investidos. O prédio começou a ser construído em 2013 onde funcionava o restaurante Chalezinho. A previsão é de que o edifício seja concluído no segundo semestre deste ano.

Gilmar Dias, diretor da Construtora EPO:
Gilmar Dias, diretor da Construtora EPO: "Diferentemente do Vila da Serra, o Vale do Sereno oferece densidade menor. Os terrenos têm de ter 3 mil m2" (foto: Pedro Vilela/Divulgação)
Ícone da região

É desta forma que Gilmar Dias, diretor da construtora EPO Engenharia, e um dos principais empreendedores da Grande BH, vislumbra o Vale do Sereno para os próximos anos. "Não tenho dúvidas de que será um bairro diferenciado", diz. Mas para entender um pouco da evolução do Vale é preciso retornar ao surgimento do Serena Mall, às margens da rodovia MG-030, em outubro de 2008. "O shopping foi criado para ancorar o desenvolvimento do bairro, que precisaria de apoio de comércio e serviços", afirma Gilmar (confira reportagem sobre o Serena Mall na página 122). Antes da inauguração do centro, a Prefeitura de Nova Lima começou a rever o plano diretor do bairro. Ficou acertado em 2007 que os lotes, antes de 700 m², passariam a ter o mínimo de 3 mil m². Portanto, em vez de casas, surgiram prédios. Foi o sinal verde para os empreendedores darem início ao processo de revitalização do Vale do Sereno, comandado por Gilmar, da EPO, pela construtora PHV, pelo escritório de arquitetura Gustavo Penna e pelo empresário Alberto Freitas Ramos. Foram implantados novos sistemas de drenagem, de esgoto e de água, além do sistema de energia subterrânea. Criou-se ainda a associação dos moradores, que oferece segurança 24 horas com rondas motorizadas. Há também uma equipe para cuidar do aspecto urbanístico. "Essa região está se transformando em uma nova centralidade. Ela terá vida própria, com serviços, hospitais, escolas, comércio etc.", diz Gilmar Dias.

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