Conheça a história do bairro Belvedere, em Belo Horizonte

Quando os primeiros loteamentos começaram, no início da década de 1970, a região era considerada distante de tudo. Hoje, o bairro é conhecido e elogiado por sua boa estrutura, mas sofre com os problemas do trânsito de seu entorno

por Rafael Campos 31/07/2017 13:58

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Gláucia Rodrigues/Encontro
Vista geral do Belvedere: bairro foi o principal responsável pela expansão da capital mineira para o vetor Sul (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
Quem caminha pelas ruas do Belvedere logo percebe que se trata de um bairro diferenciado. As vias são largas e arborizadas. O comércio diversificado está concentrado na avenida Luis Paulo Franco, endereço do primeiro centro de compras da capital, o BH Shopping. O entorno da Lagoa Seca é point da geração fitness. Isso não foi obra do acaso. "Hoje percebo que houve mais acertos do que erros", afirma, orgulhoso, Sinai Waisberg, engenheiro responsável pelos primeiros loteamentos no bairro. Tudo começou nos anos 1970. O então recém-formado engenheiro, com apenas 25 anos, recebera de Darcy Bessone, importante empresário da época, a seguinte missão: lotear o Belvedere I. Assim o fez. Mas não foi fácil. Naquela época, a capital mineira chegava praticamente só até a avenida Nossa Senhora do Carmo, altura da Uruguai, no Sion. Depois dela, a BR-3, atual BR-356, era estreita. Somado ao fato de que carro era ainda para poucos e não havia linhas de ônibus por ali, a área, prestes a ser loteada, era considerada distante. Mas Sinai continuou o seu trabalho.

Sabendo das intenções de Darcy Bessone, que havia escolhido o nome Belvedere - "pequeno mirante de onde se descortina um vasto panorama", conforme o dicionário Aurélio -, o jovem engenheiro se preocupou em criar condições para que o bairro se destacasse. "Projetamos as vias internas com 15 metros de largura (contando com as calçadas), 4 metros a mais que as outras da cidade", diz. As avenidas teriam 25 metros. "Não é à toa que muitas pessoas vêm de outros lugares para correr aqui", afirma Sinai. O Belvedere I recebeu apenas casas, até porque naquela época prédios eram vistos apenas no centro da cidade. No começo dos anos 1980, chegou o momento de avançar um pouco mais. Com ajuda do arquiteto Ney Werneck, Sinai começou a projetar o Belvedere II, cujas terras pertenciam à família Pentagna Guimarães, dona do banco BMG. A cidade crescia e se diversificava. E os interesses também. "No quarteirão 31 do loteamento já prevíamos um grande centro de compras, o BH Shopping", diz o engenheiro. Na década seguinte, o Belvedere III, cujo terreno também era dos Pentagna Guimarães, brotaria em frente ao centro de compras. Contudo, já seguindo a expansão da cidade, essa parte do bairro que fica do outro lado da avenida Luis Paulo Franco seria predominantemente de prédios. Os empreendedores da época tiveram de enfrentar outra batalha, pois alguns moradores desejavam que a região permanecesse de casas. "Mas quem iria comprar uma casa em frente ao BH Shopping?", questiona Sinai.

Gláucia Rodrigues/Encontro
A analista de marketing Camila Grassi diz que não sai dali de jeito nenhum: "Aqui, quero casar e ter filhos" (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
O presidente da Associação dos Amigos do Belvedere, Ubirajara Pires, também acompanhou de perto a expansão do bairro. Ele lembra que quando chegou à região, no início da década de 1980, a Lagoa Seca era um "buraco". As áridas terras tiveram ainda de receber o plantio de inúmeras árvores para tornar o bairro mais agradável. Intensos trabalhos de terraplanagem também foram necessários para abrir vias planas e largas. Hoje, de acordo com Ubirajara, a área é considerada tranquila, mas não está totalmente alheia aos principais desafios de BH: o trânsito e a segurança. "O intenso tráfego de Nova Lima, com os seus condomínios e prédios, é o que nos afeta", conta Ubirajara, que está participando de reuniões sobre o projeto viário chamado de Via 020, que pretende ligar o centro da cidade vizinha à rodovia BR-356. O plano está em fase de discussão, mas tem como uma das finalidades desafogar o trânsito no entorno do BH Shopping. Ao ver o bairro com vida própria, o sentimento de Ubirajara é o de dever cumprido. "Trabalhamos com muitos parceiros e, aos poucos, conseguimos organizar o Belvedere", diz Ubirajara, que preside a entidade que representa os prédios residências e comerciais.

Uma das construtoras com forte atuação, sobretudo na terceira fase do Belvedere, foi a Patrimar. O bairro é o que concentra o maior número de empreendimentos da empresa, cerca de 20. "Temos muito orgulho de dizer que participamos da construção do Belvedere", afirma Lucas Couto, diretor de marketing da Patrimar.

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Foto aérea da década de 1980 mostra o Belvedere I com casas, o BH Shopping já construído e o restante dos loteamentos ainda vazios (foto: Gláucia Rodrigues/Encontro)
As cerca de 740 casas são representadas pela Associação dos Moradores do Belvedere, dirigida pelo engenheiro e advogado Marco Túlio Braga. Segundo ele, depois de um acordo feito com a Polícia Militar em janeiro do ano passado, os assaltos tiveram uma redução drástica. Viaturas e militares em bicicletas passaram a fazer rondas diárias. "Há também um carro disponibilizado por nós que circula 24 horas", diz Marco, que contabiliza aproximadamente 300 moradores associados. "Queremos que o nosso bairro continue sendo o melhor de BH, mas os desafios são enormes. Nossa luta é muito grande com o poder público", afirma ele, reivindicando maior presença da prefeitura da capital para resolver o principal imbróglio da região, o trânsito.

Mas, apesar das queixas, o clima de satisfação costuma imperar por lá. O que se escuta é que quem mora no Belvedere não costuma mais largá-lo. A analista de marketing Camilla Grassi, de 27 anos, é um exemplo. Há 16 anos residindo a poucos quarteirões da Lagoa Seca, ela se diz muito satisfeita com a estrutura que o bairro oferece. "Aqui, quero casar e ter filhos. Não saio mais do Belvedere", diz a moça, que já morou em outros bairros da região Centro-Sul da capital mineira.

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