Veja dicas para cuidar de cabelos grisalhos, que estão na moda

Os fios brancos, antes sinônimo da idade batendo à porta e muitas vezes de descuido da mulher com os cabelos, agora ganham adeptas de diversas faixas etárias. Especialistas explicam como cortar, hidratar e cuidar dessa tonalidade

por Geórgea Choucair 20/11/2017 16:32

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Violeta Andrada/Encontro
Vanessa Pimenta raspou a cabeça para evitar o período de transição bicolor entre o castanho e grisalho: "Eu me encontrei com o cabelo curto e branco" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Em dezembro de 2016, a associada de vendas Vanessa Lima Pimenta, de 45 anos, tomou uma decisão radical: raspar a cabeça com máquina 4. Ela deixou de lado todas as preocupações com o visual das comemorações de fim de ano, foi ao barbeiro e pediu para ficar careca. E virou o ano assim, sem nenhum fio de cabelo na cabeça. "Estava sem grandes planos de festas e viagens. E acabou que os amigos e família gostaram, acharam diferente", diz Vanessa. A transformação teve um objetivo: deixar as madeixas todas brancas. Ela tinha cabelo castanho e, para evitar a tonalidade bicolor, que acontece no período de transição devido à coloração da tinta, raspou a cabeça e assim todos os fios nasceram prateados, de forma mais homogênea. "Eu não queria ficar com o cabelo de duas cores", diz. Em dois meses o cabelo já estava maior e grisalho, como Vanessa imaginava.

"Estou amando a tonalidade, me encontrei com o curto e branco", afirma ela. Uma das grandes vantagens, diz, é a praticidade, pois o cabelo está sempre arrumado. "Não sou mais escrava da tinta. Muitas vezes tinha de pintar o cabelo quase de madrugada, porque surgiam eventos inesperados no dia seguinte", lembra. A textura dos fios, segundo ela, melhorou. "Agora o cabelo não sente mais o produto químico." Vanessa trabalha na área de moda e, para que as madeixas brancas não passem a impressão de descuido e preguiça com o visual, corta o cabelo de 20 em 20 dias,  está sempre maquiada e com brincos grandes.

Violeta Andrada/Encontro
A arquiteta e paisagista Luiza Monteiro Fiuza adotou o look grisalho há um ano: "Há poucas partes no corpo que conseguimos mudar de um dia para o outro. O cabelo é uma delas" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
Vanessa faz parte do grupo, cada vez maior, de mulheres que deixam de lado a tinta para assumir a cabeleira prateada. Os fios brancos sempre foram malvistos, já que eram associados a velhice e desleixo. Mas agora os grisalhos vieram para ficar e estão se tornando sinônimo de elegância, sofisticação e sensualidade não só para homens, como também para mulheres de 30, 40, 50 anos ou mais.  Mais do que um estilo, assumir a cabeleira branca é questão de aceitação e libertação. As mulheres passaram a entender que é possível viver com os fios brancos e continuar joviais, saudáveis, interessantes e, acima de tudo, belas. E mais: o estilo platinado nos cabelos demonstra sinal de coragem e atitude.

A tendência ganhou ainda mais força depois que a escritora e jornalista francesa Sophie Fontanel, especializada em moda, deixou os fios ficarem naturalmente brancos e compartilhou a transição pela internet. O processo está relatado no livro Une Apparition, lançado recentemente e sem tradução para o português. A publicação traz sua experiência de dar adeus às tinturas e aceitar os fios naturais. O grisalho também já conquistou estrelas como Lady Gaga e Rihanna, que pintaram seus cabelos com esse tom. A arquiteta e paisagista Luiza Monteiro Fiuza, de 39 anos, começou a perceber os fios brancos quando tinha 23. Mas as madeixas prateadas passaram a ser escondidas com luzes. A sua primeira experiência longe da tinta aconteceu 10 anos depois, quando engravidou da filha Ana e ficou cinco meses sem pintar o cabelo. "Depois disso, voltei a fazer luzes, mas fiquei com aquela ideia dos grisalhos na cabeça", afirma. Como sempre usou tinta, nem conseguia perceber a cabeleira prateada. "No período da gravidez, vi que tinha uma mecha branca grande na parte da frente da cabeça." Há pouco mais de um ano, Luiza decidiu colocar a ideia em prática e deixar os fios naturais, sem química. A mudança veio acompanhada de um bom corte de cabelo, que antes era longo e passou a ser usado curto. "Há poucas partes no corpo que conseguimos mudar de um dia para o outro. O cabelo é uma delas. Se nos arrependemos, é fácil voltar atrás", afirma.

Arquivo pessoal
A professora Márcia Almada contrariou a mãe e se manteve firme na decisão de assumir os platinados: "Eu me livrei da escravidão do salão" (foto: Arquivo pessoal)
Antes mesmo de chegar as opiniões em relação ao novo look, Luiza já se posicionou: "Falei com o meu marido que ele não teria nem a chance de dar palpite". Mas o resultado agradou. "Tenho vaidade, mas não sigo moda. Fiz o que me deixa feliz." A transformação, segundo ela, melhorou o aspecto dos fios. "Só de não usar química já revigora", diz. E para manter o cabelo saudável e macio, faz mensalmente hidratação e usa xampus especializados para grisalhos, que evitam a tonalidade amarelada.

A mulherada está assumindo os fios brancos por questão de estilo, e não por preguiça ou descuido com o visual, garante Flávia Menicucci, cabeleireira e sócia do salão Jacques Janine, em Belo Horizonte. "Muitas mulheres elegantes adotaram os grisalhos, a exemplo da atriz Meryl Streep, no filme O Diabo Veste Prada", afirma. Mas o look precisa de cuidados. "O corte tem de estar em dia, pois o acabamento do cabelo branco realça." Flávia indica ainda um xampu com pigmentação violeta, que neutraliza o amarelo. "E sempre que possível usar o secador, pois geralmente esse tipo de cabelo não seca bem naturalmente."

O mês de abril de 2016 marcou uma mudança na rotina de Márcia Almada, de 52 anos, professora de conservação e restauração da escola de Belas Artes da UFMG. "Eu me livrei da escravidão do salão", diz. As madeixas castanhas foram substituídas pelas grisalhas. "Costumava pintar o cabelo uma vez por mês, mas ficava muitos dias com os fios brancos", afirma. Como viaja muito, o retoque no prateado era sempre um problema. O período de transição na tonalidade dos fios, que costuma ser mais difícil, em função do efeito bicolor no cabelo, não foi problema para Márcia. "Os brancos ficam mais na parte de baixo, que é escondida", afirma. Ela ainda está se adaptando ao novo visual. "Tem dia que acho estranho, mas em outros me sinto mais nova e leve." A opinião não é compartilhada pela mãe, de 78 anos, que torceu o nariz para a decisão. "Ela ainda pinta o cabelo, não gosta que os fios brancos apareçam", diz. A professora discorda que o cabelo grisalho é sinônimo de desleixo. Para ela, pior é o cabelo mal pintado ou com tinta pela metade do que totalmente branco.

Violeta Andrada/Encontro
Depois de 25 anos na ditadura do retoque, a oftalmologista Maria José Calixto optou pelas madeixas brancas: "Foi uma libertação" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
"Parece que é mesmo uma revolução", afirma Eduardo Ribeiro, cabeleireiro e proprietário do Tif’s Cabeleireiros do Funcionários. "Elas querem ficar livres do ritual de pintar todo mês." Mas, para dar um ar mais jovial, ele aconselha que os grisalhos sejam cortados mais curtos. "Se estiverem compridos, fica parecendo velhinhas com coques brancos", brinca. Ele destaca ainda que a decisão do cabelo natural exige paciência. "O branco não chega de um dia para o outro e não há descolorante que leve o cabelo a essa tonalidade. Ele fica até amarelinho, mas branco, não", explica. Depois de 25 anos de tintura, a oftalmologista Maria José Calixto, de 54 anos, cansou da ditadura do retoque. "Meu cabelo cresce rápido demais e os brancos apareciam muito rápido", diz. "Tinha de pintar com frequência cada vez maior." Quando surgia um compromisso inesperado, Maria Calixto conta que a primeira coisa que via no espelho eram os fios grisalhos. Em janeiro deste ano foi a última vez que suas madeixas viram tinta. "Houve muita resistência ao meu redor por pessoas da família e pacientes no consultório", afirma. Por outro lado, algumas mulheres elogiaram e sentiram inveja da coragem. Em função do look grisalho, ela passou a sentir necessidade de usar máscara para cílios, blush e batons mais coloridos. O corte, antes estilo chanel, ficou curto. "Achei que o cabelo branco e longo poderia envelhecer", afirma. Em um primeiro momento, a decisão foi apoiada pelas duas filhas, mas desagradou ao marido. "Depois, ele viu que eu estava decidida e feliz assim."

A principal causa do aparecimento de cabelos brancos acontece em função da  queda natural da produção de melanina (proteína responsável pela coloração dos fios) no organismo, explica Letícia Motta, cabeleireira, terapeuta capilar, visagista e proprietária do Salão The Jazz. "Ocorre uma morte celular programada dos melanócitos, células que produzem a melanina", afirma. Na verdade, diz, não existe uma faixa etária que determine o início do aparecimento da canície (o nome científico para os cabelos brancos), pois algumas pessoas mais jovens podem apresentá-la devido a fatores genéticos ou a patologias como o estresse. Por não conterem a melanina, que dá mais elasticidade e maciez aos fios, os cabelos brancos são naturalmente mais ressecados. "Por isso, devem ser hidratados semanalmente", afirma Letícia. As hidratações devem ser de reconstrução, e à base de queratina, arginina e aminoácidos. A crença de que a cada fio branco arrancado nascem outros sete não passa de mito, segundo a terapeuta capilar. "No máximo, outro fio branco vai surgir", diz. Ou seja, a culpa do branco novato não é daquele que foi arrancado. Se bem que, para as grisalhas, isso não é problema. O prateado é sempre bem-vindo, em qualquer quantidade.

Algumas dicas para as platinadas

  • Invista em cortes mais curtos e estilosos, que dão ar de mais modernidade

  • Faça hidratações semanais à base de queratina, arginina e aminoácidos

  • Use xampus com pigmentação violeta, para neutralizar o amarelo

  • Opte por roupas com tonalidades mais coloridas e vibrantes, que trazem alegria ao cabelo cinza

  • Esteja sempre de batom e blush, para não passar a impressão de desleixo e envelhecimento

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