Médico do Galo e da Seleção, Rodrigo Lasmar ganha cada vez mais destaque na mídia

No auge da carreira, o ortopedista mineiro atrai holofotes depois de operar Neymar Jr. Ele conta que se interessou pela medicina ao ver de perto o drama de outro craque, Zico

por Rafael Campos 21/03/2018 16:13

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Nelson Almeida/AFP/Divulgação
O médico Rodrigo Lasmar com o craque Neymar (ao fundo) na chegada a Belo Horizonte: procedimento foi realizado no Hospital Materdei (foto: Nelson Almeida/AFP/Divulgação)
Aos 14 anos, Rodrigo observava atento o ídolo Zico se esforçar para estar em campo na Copa de 1986, no México. A grande estrela do selecionado de Telê Santana havia rompido o ligamento cruzado do joelho. O médico Neylor Lasmar, pai de Rodrigo e chefe do departamento médico da seleção na época, era quem acompanhava o Galinho de Quintino em sua recuperação. "Ficava assistindo ao Zico, um grande ídolo, passando horas e horas na academia em um trabalho de reforço muscular. Foi ali que despertei para a medicina esportiva", diz Rodrigo Lasmar, de 46 anos, atual médico da Seleção Brasileira e do Atlético Mineiro. Quis o destino que Rodrigo, de alguma maneira, revivesse a história do pai. Neymar Jr., o jogador mais caro da história e peça fundamental do grupo do técnico Tite, passou por suas mãos às vésperas da Copa do Mundo da Rússia. O jogador do PSG lesionou o quinto metatarso do pé direito em partida contra o Olympique de Marselha pelo campeonato francês, em 25 de fevereiro, e teve de ser submetido a uma cirurgia. O procedimento foi realizado no Hospital Materdei, em Belo Horizonte, no dia 3 de março. "Ele poderia ser operado com qualquer outro cirurgião ou em qualquer lugar do mundo", diz Rodrigo. Mas o escolhido foi o belo-horizontino.No auge da carreira, o ortopedista, casado com Mariana Pentagna Guimarães Lasmar e pai de três filhos (Tomás, de 8 anos, Olívia, de 7, e Felipe, de 3) não se abalou com a pressão e com a repercussão da cirurgia do craque do PSG. "No hospital, éramos apenas nós, a equipe médica, e Neymar. Encarei de forma natural", diz.

Beto Magalhães EM.DA/Press
O ex-médico da Seleção Brasileira e do Atlético Neylor Lasmar, pai de Rodrigo: "Quando ele estava começando, notei que já tinha habilidade fora do normal" (foto: Beto Magalhães EM.DA/Press)
Rodrigo está longe de ser um calouro na Seleção Brasileira. Ele foi convocado pela primeira vez em 2001, por intermédio do técnico Emerson Leão e com aval de José Luiz Runco, ex-chefe da equipe médica da CBF. No ano seguinte, comemorou nada mais, nada menos que o pentacampeonato mundial, na Alemanha, só que tendo Felipão como treinador. "Foi o meu primeiro mundial, e já com vitória. Emocionante", lembra. Em seguida, logo lhe vem à mente outra conquista, dessa vez, em Belo Horizonte, com o Galo. "A Libertadores mexeu muito com a torcida. São vitórias importantes. Cada uma tem a sua importância no coração do médico torcedor", afirma o atleticano, depois de uma bela risada. Ele está no Galo desde abril de 1999. "Rodrigo é um dos melhores ortopedistas do Brasil e conceituado mundo afora. Isso mostra a importância do nosso clube", diz Sergio Sette Câmara, presidente do Atlético, que enaltece o perfil de trabalho do especialista. "É atencioso e equilibrado. De fino trato", diz.

A agenda de Rodrigo vive apertada. Além de comandar as equipes médicas da seleção e do Galo, o ortopedista dá aulas em BH, na Faculdade de Ciências Médicas, onde se formou. Também atende em consultório. Rodrigo fez residência e mestrado na Universidade de São Paulo (USP). Mesmo quando não está com a seleção canarinho em amistosos ou competições, Lasmar permanece em contato com médicos de clubes do mundo todo que têm em seus grupos os selecionáveis brasileiros. "Falo frequentemente por telefone, mensagem ou e-mail com todos os médicos", diz. Na delegação brasileira, a coisa se inverte. As ligações e trocas de mensagens são com o departamento médico do Atlético. Há tempo para diversão? "Sempre dá para arranjar um tempo com a família, que é a minha maior diversão", afirma.

Divulgação
O presidente do Atlético, Sergio Sette Câmara: "Rodrigo é dos melhores ortopedistas do Brasil e conceituado mundo afora. Isso mostra a importância do nosso clube" (foto: Divulgação)
É na família também que Rodrigo reserva tempo para receber conselhos, trocar ideias e experiências. Seu pai, Neylor Lasmar, de 73 anos, passou por duas Copas do Mundo (1982 e 1986) e também comandou o departamento médico do Atlético. Hoje, ele e o filho atendem em consultórios vizinhos, separados apenas por uma porta de correr, no bairro Santa Efigênia. "Nós operamos muito juntos. Estamos sempre nos falando", diz Neylor, que não mede elogios ao filho. "Quando ele estava começando, notei que já tinha habilidade fora do normal", diz. Neylor revela uma conversa, após a cirurgia de Neymar, com o renomado médico francês Gérard Saillant, que acompanhou o procedimento: "Ele elogiou bastante o Rodrigo". As memórias, por sinal, não param. "Lembro-me dele pequeno me acompanhando aos sábados no Atlético, ainda na Vila Olímpica. E na Copa do Mundo de 86", diz Neylor, que está escrevendo um livro, com lançamento previsto para este ano, intitulado Joelho Agudo.

Para Rodrigo, as cenas em que vivia o clima de jogos e de Copas ao lado do pai são marcantes e motivadoras. "Hoje, o programa de sábado do meu filho Tomás é também me acompanhar nas partidas e no CT do Atlético", afirma. "Mas não quero impor essa pressão a ele", afirma. Será que a história poderá se repetir novamente?

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