Conheça a história do bairro Santo Agostinho, de BH

Região foi ocupada depois da ida de uma das escolas mais tradicionais da cidade. Hoje, bairro é considerado um dos melhores para se viver na capital mineira

por Rafael Campos 20/06/2018 14:16

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Acervo Museu Histórico Abílio Barreto/Divulgação
Registro de 1955, com a praça Raul Soares ao centro: acima observa-se o antigo campo do Atlético, hoje, DiamondMall (foto: Acervo Museu Histórico Abílio Barreto/Divulgação)
O bairro Santo Agostinho, ao lado do vizinho Lourdes, tem o melhor Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) da região metropolitana de BH. A informação é do Atlas do Desenvolvimento Humano. O índice é de 0,955. Quanto mais próximo de 1, significa que o bairro, a cidade ou o país está alcançando padrões de qualidade máxima. Mas, nos primeiros anos de Belo Horizonte, a região que hoje se orgulha de oferecer boas opções de serviços e de comércio era pobre. Suas vias ainda impactadas pela passagem dos córregos do Leitão e Barroca eram repletas de cafuas. Assim eram chamadas as moradias precárias e que abrigavam famílias que não tinham condições de morar em regiões mais abastadas da então recém-criada capital mineira, como Centro e Funcionários.

No final da década de 1920, no entanto, os cursos d’água começaram a ser tampados. A cidade crescia e os casarões, muitos de dois andares, passaram a substituir os antigos casebres. No caso do Santo Agostinho, o grande culpado pela ocupação da área, delimitada pelas avenidas Amazonas, Contorno e Olegário Maciel, foi uma escola. Depois de funcionar por dois anos em um imóvel na avenida Olegário Maciel, com 75 alunos, o Colégio Santo Agostinho mudou de endereço, em 1936, e foi para a avenida Amazonas, na época chamada de São Francisco. "A instituição foi criada por padres que vieram da Espanha com o intuito de evangelizar e de financiar as atividades deles por aqui", afirma Clovis Oliveira, diretor da escola. Pode incluir na conta dos padres espanhóis o crescimento do bairro. Por muitos anos, a instituição de ensino era ponto até de lazer para as crianças. "Aos sábados, a escola abria as portas para as famílias. Vinha com os meus filhos para cá, onde passávamos a manhã inteira", diz Mariano Pereira Lopes, de 73, que trabalha no colégio há 35 anos. "A escola já era muito grande e o número de alunos bem menor do que hoje", afirma. Não por acaso, os filhos de Mariano, Christiane, de 38, Marcelo, de 40, e Luciano, de 43, passaram pelo Santo Agostinho e tiveram o pai como professor de português.

Divulgação
Prédio do Colégio Santo Agostinho foi construído em 1936: antes, 75 alunos ocupavam imóvel da avenida Olegário Maciel (foto: Divulgação)
Mariano, hoje revisor de texto da escola, conta que mora na região do colégio há mais de 30 anos e conhece bem como era a vida por lá. Além da escola, outro lugar de diversão na época era o antigo campo do Atlético, o Estádio Presidente Antônio Carlos, que depois de servir ao Galo se transformou em campo do lazer, em 1980. Sobre o comércio, o forte mesmo era o centro da cidade. Em 1996, contudo, o antigo campo de futebol se transformaria no DiamondMall.

Elizabeth Eliazar, de 72, também está no seleto grupo dos mais antigos funcionários do colégio. Há 44 anos, Beth, como é mais conhecida, chegou à instituição para dar aulas de matemática e ciências. "Aqui perto da escola havia um barranco, onde as crianças subiam e desciam durante as aulas de educação física", afirma ela, que hoje é gestora pedagógica. Pela proximidade com o antigo estádio do Galo, a torcida passava em frente à portaria do colégio, o que, segundo Beth, gerava um maior cuidado com os alunos. "Mesmo assim era um bairro tranquilo. Muitos andavam de bicicleta para lá e para cá", diz a professora. Algo inconcebível diante do intenso trânsito de hoje. Homenageada por tantos anos prestados à instituição, Beth tenta traduzir o sentimento em relação ao colégio. "A vida foi sendo construída aqui e o trabalho foi dando resultado. Do contrário, não estaria mais aqui", diz Beth. "A escola fala alto dentro da gente", afirma.

Violeta Andrada/Encontro
Diretor do Colégio Santo Agostinho, Clovis Oliveira: "O diálogo com a comunidade é constante" (foto: Violeta Andrada/Encontro)
O diretor do Santo Agostinho, Clovis Oliveira, conta que, assim como no passado, a escola continua influenciando o ritmo do bairro. "Quando não funcionamos, muitas lojas nem abrem", afirma. Atualmente, cerca de 3,5 mil alunos estudam ali. É na instituição também que ocorrem discussões para melhorar o bairro, como a questão da segurança. "O diálogo com a comunidade é constante", diz.

Outra ação que está prestes a sair e que deve impactar o bairro é a restauração de quatro casarões históricos, hoje, desocupados. Os imóveis na avenida Amazonas, entre as ruas Mato Grosso e Aimorés, são da década de 1930 e pertencem à Sociedade Inteligência e Coração (SIC), mantenedora do Colégio Santo Agostinho. "Nosso desejo é de iniciar o restauro o quanto antes, mas, como os imóveis são tombados pelo patrimônio, todas as licenças devem ser aprovadas para dar início aos trabalhos", afirma o diretor. A ideia é transformar os casarões em espaços culturais. Assim, valoriza-se a história.

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