
Duas mostras de arquitetura e design de Minas Gerais assumem este ano o compromisso com a preservação do patrimônio histórico e mostram o paradoxo da disrupção quando se fala em arquitetura. Dá sim para estar em constante evolução e abraçar o moderno por meio de edificações e mobiliário antigos. Prova disso é a escolha dos locais onde ocorrem as duas maiores mostras de arquitetura e decoração de Minas Gerais. A CASACOR Minas, que abre no dia 15 de agosto, escolheu o antigo Instituto Izabela Hendrix, em Lourdes, para sua edição deste ano. Já a Modernos Eternos, que aconteceu entre 24 de junho e 20 de julho, escolheu a Escola Estadual Afonso Pena, localizada na avenida João Pinheiro, para celebrar os seus 10 anos. “A Modernos Eternos BH assumiu o propósito de convidar a cidade a redescobrir e vivenciar seu patrimônio histórico, ao lado do que há de mais contemporâneo. Este ano, tivemos a honra de ocupar a Escola Estadual Afonso Pena em um momento especial, marcando sua renovação por meio de melhorias estruturais, de acessibilidade e conforto para a comunidade escolar, trazendo luz à sua trajetória”, destaca Josette Davis, realizadora da mostra.
Para provar que a combinação entre o antigo e o novo é o antídoto para um mundo efêmero e em constante mudança, selecionamos cinco ambientes da mostra Modernos Eternos 2025 que materializam este conceito.
Pilares - por Laura Carvalho

Essa reflexão sobre o que nos sustenta como humanos internamente começa pelas escrivaninhas da década de 1950, que foram desmontadas e remontadas de forma a se criar uma estante. Uma interessante metáfora sobre como a educação pode ser transformada e nos transformar. Sobre como, por meio da educação, nos tornamos os arquitetos do nosso cotidiano. Outro elemento, como o gramofone posicionado estrategicamente em frente a um espelho, faz alusão ao futuro, o que está por vir, e nos faz pensar: será o futuro um reflexo do que construímos no passado? Ao lado da estante feita por escrivaninhas, uma surpresa: um bloco de tijolos formado por folhas, onde se encontra um trecho de poesia que pode ser levado pelo visitante, nos lembra: estamos constantemente em desconstrução.
Quarto Elo - por Patrícia Bigonha

Um espaço entre o que passou e o que ainda está por vir. Nessa lacuna, Patrícia Bigonha, fundadora da Lipe Design Infantil, nos convida a voltar ao tempo da nossa infância, de forma leve e descontraída. O mobiliário feito sob medida para o quarto se mistura a peças do acervo do Museu da Escola, como a mesa e a cadeira de estudos e o porta-livros que recebe a biblioteca infantil, ressaltando a importância da memória. “Vivemos em um tempo em que tudo é rápido, descartável e trocado com facilidade. Por isso, resgatar móveis com memória, com história, se torna quase um gesto de resistência, e também uma forma de ensinar à criança, desde cedo, o valor da permanência. Mostrar que o que é bom não precisa ser novo, só precisa fazer sentido", explica Patrícia.

Cozinha da Naty - por Marina Diniz


Homenagem à Afonso Penna Jr. - por Flávio Bahia

