
“Não se trata de uma conquista individual. É um reconhecimento coletivo. A premiação concedida pela Britcham representa, ainda, a força de uma parceria bilateral histórica, com o compromisso mútuo de crescimento dos nossos países”, destaca a executiva, sobre os 200 anos das relações Brasil-Reino Unido.
QUEM É
- É CEO da Anglo American Brasil, conquistou em 2025 o título de Personalidade do Ano pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham)
- Sob seu comando, mineradora fez, este ano, um dos maiores aportes voluntários da história do setor no país: R$ 500 milhões voltados a ações sociais e de meio ambiente em Conceição do Mato Dentro (MG)
- Presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), executiva defende uma agenda nacional para a mineração do futuro
Ao ocupar oficialmente a cadeira da presidência da multinacional, em 2023, Ana já havia inaugurado uma nova era. Não apenas por ser a primeira mulher a ocupar o cargo no país, mas pela maneira singular como entende e exerce a liderança: de forma colaborativa e conectada às pessoas. No mesmo movimento de quebra de paradigmas, tornou-se presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), mais uma conquista inédita. Não por acaso, em 2024, a executiva foi reconhecida pela Women in Mining UK (WIM-UK) como uma das 100 mulheres mais inspiradoras da mineração global.
Em junho deste ano, mais um movimento de peso: sob sua direção, a Anglo American anunciou um dos maiores aportes voluntários da história da mineração brasileira. Serão R$ 500 milhões destinados à saúde, educação e infraestrutura na cidade de Conceição do Mato Dentro e seu entorno, região em que a mineradora atua em Minas Gerais.
“Desde a nossa chegada na região, que abriga parte do Sistema Minas-Rio (um dos maiores projetos de mineração de ferro do mundo, que contempla um mineroduto com 529 km de extensão), já investimos cerca de R$ 900 milhões em ações sociais, ambientais, culturais e urbanas. Com esse novo aporte, reafirmamos o nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e duradouro do município, o que está alinhado ao nosso propósito de reimaginar a mineração para melhorar a vida das pessoas”, afirma.
Esta é sua ideia de presente e futuro. Ao contrário da imagem ultrapassada, comum ao setor, a mineração, segundo ela, hoje opera com inteligência artificial, sensores e automação, redefinindo cada etapa da cadeia. E destaca que a estratégia global Future Smart Mining, da Anglo American, sustenta essa transformação combinando tecnologia, pensamento inovador e parcerias colaborativas. Os resultados são expressivos: 100% da energia elétrica consumida pela operação no Brasil é proveniente de fontes renováveis; 75% da água utilizada é reaproveitada e a implantação de uma planta de filtragem evitará o lançamento de cerca de 85% do rejeito total para a barragem do Minas-Rio, em um investimento de R$ 5 bilhões.
Com previsão de uma produção de 23 a 25 milhões de toneladas de minério de ferro premium em 2025, a executiva entende que o forte desempenho não se limita ao aumento de volume. Cresce junto com ele o compromisso socioambiental. “Seguiremos atuando de forma responsável e contribuindo para o desenvolvimento sustentável das regiões onde estamos presentes”. E destaca que a transição energética é um divisor de águas na economia mineral, segmento em que o Brasil está em posição privilegiada para assumir liderança global, desde que os desafios internos sejam superados.
Isso exige, segundo Ana, uma ação coordenada entre órgãos e instituições, entre eles o Ibram, a Frente Parlamentar da Mineração Sustentável (FPMin) e o Congresso, que discutem a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). O objetivo é fomentar a pesquisa e a transformação sustentável desses minerais. “Precisamos de uma agenda nacional para a mineração do futuro, com foco em reduzir entraves e estimular investimentos”.