Estado de Minas MINEIROS DE 2025 - EXECUTIVA DO ANO

Ana Sanches aposta em tecnologia e impacto para mudar a mineração

Primeira mulher a comandar a operação da Anglo American no país, executiva conduz uma agenda voltada a desempenho e responsabilidade social


postado em 05/01/2026 08:42 / atualizado em 05/01/2026 09:01

"Precisamos de uma agenda nacional para a mineração do futuro, com foco em reduzir entraves e estimular investimentos", afirma Ana Sanches (foto: Anglo American/Divulgação)
Há mulheres que chegam a lugares que, mesmo no século XXI, ainda são pensados apenas para homens. Ana Sanches é uma delas. A belo-horizontina de 49 anos, que já havia feito história ao assumir o cargo de CEO da Anglo American, uma das maiores mineradoras do mundo, marcou mais um gol em sua trajetória ao ser eleita, neste 2025, Personalidade do Ano pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham). A escolha confirmou sua posição como alguém que representa, mais que uma liderança empresarial, o símbolo de uma transformação em curso. 
 
“Não se trata de uma conquista individual. É um reconhecimento coletivo. A premiação concedida pela Britcham representa, ainda, a força de uma parceria bilateral histórica, com o compromisso mútuo de crescimento dos nossos países”, destaca a executiva, sobre os 200 anos das relações Brasil-Reino Unido. 
 
QUEM É 
  • É CEO da Anglo American Brasil, conquistou em 2025 o título de Personalidade do Ano pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham) 
  • Sob seu comando, mineradora fez, este ano, um dos maiores aportes voluntários da história do setor no país: R$ 500 milhões voltados a ações sociais e de meio ambiente em Conceição do Mato Dentro (MG) 
  • Presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), executiva defende uma agenda nacional para a mineração do futuro 
 
Ao ocupar oficialmente a cadeira da presidência da multinacional, em 2023, Ana já havia inaugurado uma nova era. Não apenas por ser a primeira mulher a ocupar o cargo no país, mas pela maneira singular como entende e exerce a liderança: de forma colaborativa e conectada às pessoas. No mesmo movimento de quebra de paradigmas, tornou-se presidente do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), mais uma conquista inédita. Não por acaso, em 2024, a executiva foi reconhecida pela Women in Mining UK (WIM-UK) como uma das 100 mulheres mais inspiradoras da mineração global.
 
Em junho deste ano, mais um movimento de peso: sob sua direção, a Anglo American anunciou um dos maiores aportes voluntários da história da mineração brasileira. Serão R$ 500 milhões destinados à saúde, educação e infraestrutura na cidade de Conceição do Mato Dentro e seu entorno, região em que a mineradora atua em Minas Gerais. 
 
“Desde a nossa chegada na região, que abriga parte do Sistema Minas-Rio (um dos maiores projetos de mineração de ferro do mundo, que contempla um mineroduto com 529 km de extensão), já investimos cerca de R$ 900 milhões em ações sociais, ambientais, culturais e urbanas. Com esse novo aporte, reafirmamos o nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e duradouro do município, o que está alinhado ao nosso propósito de reimaginar a mineração para melhorar a vida das pessoas”, afirma. 
 
Esta é sua ideia de presente e futuro. Ao contrário da imagem ultrapassada, comum ao setor, a mineração, segundo ela, hoje opera com inteligência artificial, sensores e automação, redefinindo cada etapa da cadeia. E destaca que a estratégia global Future Smart Mining, da Anglo American, sustenta essa transformação combinando tecnologia, pensamento inovador e parcerias colaborativas. Os resultados são expressivos: 100% da energia elétrica consumida pela operação no Brasil é proveniente de fontes renováveis; 75% da água utilizada é reaproveitada e a implantação de uma planta de filtragem evitará o lançamento de cerca de 85% do rejeito total para a barragem do Minas-Rio, em um investimento de R$ 5 bilhões.
 
Com previsão de uma produção de 23 a 25 milhões de toneladas de minério de ferro premium em 2025, a executiva entende que o forte desempenho não se limita ao aumento de volume. Cresce junto com ele o compromisso socioambiental. “Seguiremos atuando de forma responsável e contribuindo para o desenvolvimento sustentável das regiões onde estamos presentes”. E destaca que a transição energética é um divisor de águas na economia mineral, segmento em que o Brasil está em posição privilegiada para assumir liderança global, desde que os desafios internos sejam superados. 
 
Isso exige, segundo Ana, uma ação coordenada entre órgãos e instituições, entre eles o Ibram, a Frente Parlamentar da Mineração Sustentável (FPMin) e o Congresso, que discutem a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). O objetivo é  fomentar a pesquisa e a transformação sustentável desses minerais. “Precisamos de uma agenda nacional para a mineração do futuro, com foco em reduzir entraves e estimular investimentos”. 

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