Estado de Minas VULNERABILIDADE

Educação financeira ajuda mulheres a romper ciclos de dependência

Violência patrimonial e psicológica contra a mulher atravessa todas as classes sociais e conhecimento reduz vulnerabilidades, situações de manipulação e abusos


postado em 09/03/2026 06:29 / atualizado em 09/03/2026 07:08

Rosana Aguiar, diretora-executiva do Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG) e superintendente de ESG do Banco Bmg(foto: Paulo Marcio)
Rosana Aguiar, diretora-executiva do Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG) e superintendente de ESG do Banco Bmg (foto: Paulo Marcio)
No seu escritório, a advogada Karine Bessone costuma receber, com frequência, clientes que relatam histórias semelhantes: “Casei com um homem bem de vida, que sempre me ofereceu todo conforto e luxo para que eu não trabalhasse fora; agora sei que ele está me traindo, quero me separar, mas não sei absolutamente nada sobre o nosso patrimônio, não me dediquei à minha carreira e nem sei como recomeçar a vida depois dos 40 anos”.
 
Ela também atende mulheres que, no momento da separação, descobrem que o marido não tem nenhum bem em seu nome e, assim, deixam a relação com uma mão na frente e outra atrás. Há ainda aquelas que se surpreendem com dívidas feitas em seu nome pelo “companheiro”. E as que têm o direito à pensão ignorado, mesmo após anos dedicadas aos filhos e à casa, e ainda precisam reunir coragem para recorrer à Justiça.
 
“Muitas vezes, a cliente entra no escritório pensando ser milionária e, depois que faço a pesquisa patrimonial, descubro que nem a casa onde ela mora está no nome do marido”, relata a advogada, especialista em direito empresarial, família e sucessões. Além das orientações jurídicas, Bessone faz uma recomendação direta: que essas mulheres busquem, com urgência, um curso de finanças pessoais.
 
De fato, a educação financeira tem se mostrado uma grande aliada das mulheres — não apenas daquelas que buscam independência econômica, mas também das que tentam crescer profissionalmente, superando barreiras impostas por uma divisão do trabalho historicamente desfavorável a elas. 
 
Karine Bessoni, advogada (foto: Arquivo Pessoal)
Karine Bessoni, advogada (foto: Arquivo Pessoal)
O conhecimento não resolve tudo, mas, muitas vezes, é o primeiro passo para que a mulher deixe de apenas reagir à vida e passe a conduzi-la, afirma Rosana Aguiar, diretora-executiva do Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG) e superintendente de ESG do Banco Bmg. “A educação financeira não elimina, sozinha, as muitas camadas que sustentam a dependência e as desigualdades, mas reduz vulnerabilidades e amplia possibilidades. E, quando as possibilidades aumentam, a liberdade deixa de ser apenas uma ideia e começa a tomar forma na vida real”, defende.
 
Isso acontece porque o conhecimento transforma a relação com o dinheiro, traz compreensão, clareza e segurança para que a mulher faça suas próprias escolhas e construa alternativas sem depender financeiramente de pai, mãe ou companheiro.
 
Rosana ressalta que dependência econômica não significa fraqueza individual. “Muitas vezes, é resultado de estruturas históricas que limitaram o acesso à renda e à informação. Mas informação e rede podem abrir caminhos.” A executiva acrescenta que a violência patrimonial e psicológica atravessa todas as classes sociais. “O que muda é a forma como ela se manifesta — e o silêncio que, muitas vezes, a acompanha. Controle sobre o dinheiro, desqualificação constante e restrição de acesso a recursos podem ocorrer em qualquer contexto. Reconhecer isso é fundamental para quebrar estigmas.”
 
Dependência e abusos
 
A juíza Marixa Rodrigues, corregedora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, faz um alerta: “Se o homem é o único provedor, ou o principal responsável pelas despesas, ele pode se sentir no direito de exercer sobre a mulher um perigoso sentimento de posse.” Segundo a magistrada, quando é ele quem banca todas as despesas da casa, dos filhos e da esposa — a quem é relegada a árdua e invisível tarefa de cuidar e administrar o lar — essa mulher, na maioria das vezes, se coloca em posição de subserviência. 
 
“E, nesse contexto, até o sexo pode passar a ser tratado como obrigação. Quando não acontece, ele a culpa por eventual traição —, e o pior é que muitas vezes ela aceita essa narrativa, influenciada, inclusive, pela família, já que, se houver separação, poderá ter de voltar para a casa dos pais.”
 
Manipulação
 
A administradora de empresas Juliana Abreu* tem 50 anos e acaba de se separar. Sem renda própria, dedicou todo o casamento aos cuidados da casa e dos dois filhos, um deles autista. Chegou a trabalhar no comércio do pai, mas precisou se dedicar integralmente à família e passou a depender financeiramente do marido.
 
Essa conta, no entanto, não fecha. O simples fato de ser mulher acrescenta, em média, 10 horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidado não remunerado, em comparação aos homens. Uma dedicação de enorme valor para a economia, mas que não se converte em renda para quem a realiza. Historicamente, o ato de cuidar foi tratado como obrigação feminina.
 
Juliana relata uma lista de humilhações às quais foi submetida — e que, surpreendentemente, não cessaram com a separação. “Ele sempre jogava na minha cara que eu era preguiçosa, mesmo dando conta de tudo sozinha: terapia constante do nosso filho, serviços domésticos, acompanhamento escolar e tudo o que uma casa precisa para funcionar”, desabafa.
 
Nas discussões, o dinheiro era usado como instrumento de manipulação. “Ele me deixava passar aperto para pagar as contas”, conta. Agora, além de não pagar pensão alimentícia — pois “prefere manter a proximidade e pagar ele mesmo as despesas” —, tenta controlar a vida da ex-companheira. Se ela sai com amigas ou vai a uma festa, ele corta o dinheiro destinado à casa.
 
Juliana enfrenta agora o desafio de se reinventar profissionalmente para retornar ao mercado de trabalho. “Voltei a estudar para ver se consigo trabalhar e depender menos financeiramente do meu ex-marido, já que ele insiste em manter esse vínculo financeiro. Tudo o que preciso para a casa e para os meninos, tenho que pedir.”
 
A jornada é difícil, mas Juliana está no caminho. Especialistas ouvidas pela reportagem são unânimes: educação financeira é instrumento de autonomia e proteção, especialmente para mulheres historicamente afastadas das decisões econômicas.
 
Dependência financeira é obstáculo central para romper ciclo de violência, aponta pesquisa
 
A violência contra a mulher atravessa todas as classes sociais, mas a dependência econômica ainda figura como um dos principais entraves para o rompimento de relações abusivas. É o que revela estudo apresentado no Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra (CIDHCoimbra 2025), que analisou como renda, informalidade e acesso a políticas públicas influenciam a permanência em ciclos de violência.
 
De acordo com a pesquisa, 61% das mulheres apontam a dependência financeira como motivo para não denunciar o agressor. O dado indica que o silêncio não está relacionado apenas ao medo da agressão física, mas também à insegurança material — o receio de não conseguir garantir moradia, sustento e proteção aos filhos.
 
Autora do estudo, a psicóloga Carolina Campos Afonso, doutoranda em Psicologia Clínica e Cultura pela Universidade de Brasília (UnB), afirma que “o silêncio não está ligado apenas ao medo da agressão física, mas ao medo da insegurança material. Muitas mulheres permanecem porque não sabem como garantir o sustento e a proteção dos filhos”.
 
Carolina Campos Afonso, pesquisadora (foto: Arquivo Pessoal)
Carolina Campos Afonso, pesquisadora (foto: Arquivo Pessoal)
Segundo a pesquisadora, a violência não está vinculada a uma condição econômica específica. “Ela atinge mulheres de todos os níveis sociais, econômicos e culturais. Trata-se de um fenômeno estrutural, relacionado a desigualdades de gênero que atravessam diferentes contextos”, explica. Mulheres de alto poder aquisitivo também enfrentam controle, humilhação, isolamento, violência psicológica, moral, patrimonial e física. “A diferença não está em quem sofre a violência, mas nas condições concretas de rompimento”, ressalta.
 
A juíza Marixa comentou o estudo: "Esses dados reforçam a preocupação que devemos ter na educação de nossas meninas e adolescentes, que devem crescer não focadas em encontrar um parceiro que as sustente e as mantenha financeiramente, pois, o preço que pagarão por esse falso conforto virá algum dia. Apenas a educação e a mudança de mentalidade podem alterar esse ciclo”, alertou. 
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A empresária e consultora Luciana Ballesteros, fundadora da Financial Experts, uma escola dedicada ao tema, reforça que o dado reflete a realidade brasileira. “Dinheiro está diretamente ligado à liberdade. É o que permite escolher sair de um casamento, investir na própria saúde e oferecer melhores oportunidades aos filhos”. Ela acrescenta que, historicamente, houve um afastamento - ou até um desinteresse - das mulheres em relação às finanças. O tema era tratado como algo “não feminino”, como se dinheiro, investimentos e planejamento financeiro não fossem assuntos de mulher.

A boa notícia, segundo a empresária, é que esse cenário está mudando. Cada vez mais mulheres entendem que independência financeira não é apenas sobre renda - é sobre autonomia, segurança e liberdade de escolha. Prova disso é que o curso “Finanças para Mulheres – Finanças para Elas” é hoje o programa que mais cresce dentro da Financial. "As mulheres lutaram por décadas para conquistar espaço no mercado de trabalho, igualdade de posições e salários. E, depois de toda essa batalha para ganhar seu próprio dinheiro, afirma, não faz sentido que não se sintam plenamente preparadas ou encorajadas a administrá-lo, investi-lo e fazê-lo crescer”, afirma Luciana.
 
A publicação destaca ainda a dimensão histórica dessa realidade. A divisão sexual do trabalho, que associou as mulheres ao espaço doméstico e ao cuidado, produziu efeitos que ainda hoje se refletem em menor renda, maior informalidade e menor presença feminina em posições de poder. 

“A violência não começa na agressão física. Ela está inserida em uma estrutura antiga de desigualdades que naturalizou a dependência econômica feminina, por gerações colocaram as mulheres em posição de dependência. Entender como isso se mantém é essencial para transformar a realidade”, observa a pesquisadora Carolina Campos Afonso.
 
Embora haja avanços normativos e institucionais — com maior reconhecimento das diversas formas de violência e ampliação da produção de dados —, a transformação cultural é mais lenta.
 
“Avançamos em marcos legais e em visibilidade institucional, mas ainda persistem a naturalização do controle, a culpabilização da vítima e a ideia de que a violência doméstica é um problema privado”, conclui.
 
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas integradas que articulem proteção jurídica, geração de renda, moradia e políticas de cuidado. Sem essa rede articulada, a saída da violência torna-se mais difícil — especialmente para quem já vive em situação de vulnerabilidade.
 
Ferramentas de dignidade
 
À frente do Instituto Marina e Flávio Guimarães e da área de ESG do Banco Bmg, Rosana Aguiar defende que a promoção da educação financeira como instrumento de autonomia feminina precisa se traduzir em ações concretas. No Instituto, a proposta é tratar o tema como ferramenta de dignidade — a possibilidade real de cada mulher conduzir a própria história.
 
Um exemplo é a revista “Bemi: Um Pouco de Luz”, lançada em 2025 e voltada principalmente ao público 50+. Com linguagem simples e acessível, a publicação aborda planejamento financeiro, consumo consciente, crédito, endividamento e poupança de forma prática. O material é distribuído gratuitamente em instituições sociais e enviado às casas de clientes do banco, ampliando o acesso à informação financeira.
Outra frente é a Casa Marina, em Ribeirão das Neves (MG), que oferece cursos profissionalizantes gratuitos, além de oficinas de educação financeira e empreendedorismo para mulheres a partir de 18 anos. A iniciativa busca não apenas capacitar, mas criar condições reais de geração de renda e fortalecimento da autonomia. Em um curso de Informática Básica e Marketing Digital apoiado pelo Instituto, por exemplo, a maioria das alunas desenvolveu, como trabalho final, projetos voltados a atividades que já realizava informalmente. O aprendizado organizou e deu visibilidade a competências que já existiam, permitindo que essas mulheres reconhecessem seu potencial econômico.
 
No Banco Bmg, a educação financeira também é tratada como responsabilidade institucional. A premissa é clara: não basta oferecer produtos; é preciso garantir que as pessoas compreendam o que estão contratando, organizem melhor seus recursos e se sintam seguras para tomar decisões. Informação clara e orientação responsável fazem parte desse compromisso — porque, no fim, falar de educação financeira é falar de confiança, autonomia e liberdade de escolha.

Morte de Eliza Samudio motivou endurecimento da lei

Marixa Rodrigues, juíza e corregedora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (foto: Arquivo Pessoal)
Marixa Rodrigues, juíza e corregedora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (foto: Arquivo Pessoal)
Marixa Fabiane Lopes Rodrigues é uma magistrada mineira reconhecida internacionalmente por ter presidido o julgamento do ex-goleiro Bruno em 2013, sentenciado por ela a 22 anos e três meses de prisão pelo sequestro e morte de Eliza Samudio, um caso que chamou a atenção do mundo. Atualmente, ela é corregedora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Serena, mas linha dura na defesa dos direitos da mulher e da verdade, ela conversou com a  Encontro sobre o tema desta reportagem, a relação entre dependência econômica e abusos sofridos pela mulher. 
 
Revista Encontro - Marixa, conte um pouco sobre você, como esteve, ao longo de sua carreira, ligada à causa da mulher, especialmente a violência de gênero.
Marixa Lopes - Iniciei minha carreira em comarcas pequenas de Minas Gerais, onde presenciei a naturalização da violência doméstica, muitas vezes punida apenas com o pagamento de cestas básicas. Aplicava a lei, mas me indignava ver mulheres saindo frustradas das audiências. Sempre procurei encorajá-las a continuar denunciando. Depois, no Tribunal do Júri de Contagem, passei a julgar crimes contra a vida e percebi um padrão: a violência começava psicológica, patrimonial ou física e, em muitos casos, evoluía para o assassinato.Hoje atuo na Corregedoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, orientando magistrados e participando de projetos voltados à saúde mental e à proteção de pessoas vulneráveis. Sigo estudando e defendendo o enfrentamento à violência de gênero.
 
Como se livrar do ciclo de violências? Como vencer o medo? E como deve ser uma denúncia?
Entendo que a dependência financeira é um dos maiores obstáculos para a denúncia. Por isso, defendo que a educação e a autonomia econômica são fundamentais. Precisamos educar nossas meninas para que não dependam financeiramente de parceiros. Nunca é tarde para buscar qualificação e independência. O apoio da família e das amigas é essencial para que a mulher reconheça a relação abusiva e tenha coragem de romper o ciclo. A denúncia pode ser feita em delegacias especializadas, delegacias comuns ou pelo Disque 180. Desde a criação da Lei Maria da Penha, que está completando 20 anos, avançamos muito, mas ainda precisamos combater a desinformação com educação e prevenção.
 
Quais as diferenças e semelhanças entre a violência financeira sofrida pela mulher rica e pela mulher pobre?
A violência contra a mulher atinge todas, independentemente de classe social. O padrão costuma ser o mesmo: começa com ciúmes e controle disfarçados de cuidado, evolui para dominação psicológica, controle financeiro e pode chegar à agressão física. A diferença é que, em geral, a mulher com independência financeira tem mais condições práticas de sair da relação, embora muitas permaneçam por status ou padrão de vida. Já a mulher pobre, muitas vezes, depende diretamente do agressor para sobreviver. Mas, reforço: nenhuma está imune. Violência não é apenas agressão física; há também a violência moral e psicológica, silenciosa e adoecedora.
 
Como o caso Eliza Samudio e o julgamento do goleiro Bruno marcaram sua vida profissional? Que relação há com o cenário atual?
O assassinato de Eliza Samudio, em 2010, foi um marco na minha trajetória. Conduzi um processo complexo, com múltiplos réus, incluindo o ex-goleiro Bruno Fernandes. Foi um grande desafio profissional, considerando a qualidade de um dos réus, ou seja, o goleiro da maior torcida do Brasil. Este crime marcou o início das discussões que levaram à inclusão do feminicídio no Código Penal pela Lei 13.104/2015 e, mais recentemente, à sua transformação em crime autônomo pela Lei 14.994/2024, com penas de 20 a 40 anos.
 
Vejo relação direta com o cenário atual: Eliza buscava o reconhecimento da paternidade e apoio financeiro para o filho. Sua vulnerabilidade econômica foi um fator central. Hoje percebo avanços na legislação e maior conscientização social, mas ainda precisamos fortalecer a união, a informação e a autonomia das mulheres. Relações saudáveis promovem felicidade; relações abusivas geram sofrimento e adoecimento.
 
Penso que, na atualidade, as mulheres têm mais informações a seu dispor. Há uma nítida evolução social e querência coletiva de que as meninas e mulheres não sejam mais vítimas de violência de gênero. E isso é muito bom e positivo. Precisamos nos unir nesse propósito. Relações saudáveis fazem as pessoas felizes, relações abusivas trazem sofrimento e adoecimento do corpo e da alma.

Romper ciclos de dependência financeira exige atitude e coragem

Educação financeira: processo pelo qual os indivíduos melhoram sua compreensão do dinheiro, tornando-os mais conscientes dos riscos e oportunidades na gestão de seus recursos e despesas. A definição está no site da Financial Experts, uma escola dedicada ao tema criada pela empresária e consultora Luciana Ballesteros, em 2019. 
 
Luciana Ballesteros, empresária e consultora, fundadora da Financial Experts(foto: Divulgação)
Luciana Ballesteros, empresária e consultora, fundadora da Financial Experts (foto: Divulgação)
Infelizmente, o Brasil ocupa a 74ª posição no ranking global do nível de educação financeira, de acordo com Global Financial Literacy Excellence Center. Segundo a organização, apenas 33% dos adultos em todo o mundo são educados financeiramente. E nesse quesito, as mulheres ficam ainda mais atrás, diz a empresária. 
 
Ao comentar a pesquisa apresentada no Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra, que aponta que 61% das mulheres não denunciam agressões por dependência financeira, ela afirma que o dado reflete a realidade brasileira. “Dinheiro está diretamente ligado à liberdade. É o que permite escolher sair de um casamento, investir na própria saúde e oferecer melhores oportunidades aos filhos”.
 
Embora tenha nascido com foco em adolescentes, a Financial Experts viu, com o tempo, a demanda de mulheres adultas crescer fortemente. “Muitas mães procuraram a instituição ao perceber que os filhos estavam aprendendo algo que elas próprias nunca tiveram oportunidade de estudar. Hoje, além dos programas para jovens, a escola oferece cursos específicos voltados às mulheres, com foco em autonomia e segurança financeira”, diz a empresária.
 
Ela alerta que essa dependência não surge de repente, mas é construída ao longo de anos de afastamento das decisões financeiras. Por isso, defende que a mulher precisa correr atrás antes da urgência, colocar as finanças como prioridade e não deixar esse aprendizado para momentos de crise, como viuvez ou divórcio — situações em que muitas procuram ajuda já fragilizadas emocionalmente.
 
Para começar do zero, ensina a empresária, o caminho é assumir o controle: saber quanto ganha, quanto gasta e onde investe. Não é necessário se tornar especialista, mas é fundamental dominar o básico. “Ferramentas simples, como planilhas, cursos online ou presenciais, já fazem diferença. A partir do conhecimento, a mulher ganha confiança, evita investimentos inadequados, questiona decisões bancárias e passa a construir patrimônio com estratégia”.
 
Luciana Ballesteros faz um apelo às mulheres: autonomia financeira exige atitude. “É preciso buscar informação, aprender, participar das decisões e não terceirizar a própria liberdade. Quanto antes essa consciência começa, maiores são as chances de romper ciclos de dependência — inclusive os que sustentam relações abusivas.”
 
Campanha 

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Projeto %u201CCartoons Contra a Violência%u201D (foto: Divulgação)
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou o projeto "Cartoons Contra a Violência”. Ele tem o objetivo de conscientizar a sociedade brasileira sobre a violência contra a mulher por meio da veiculação de cartoons em diversos veículos de comunicação espalhados pelo Brasil, entre eles, jornais, revistas, sites e redes sociais. A ilustração acima é da artista Cecília Ramos.

 
Automonia financeira é proteção 
 Por onde começar se você depende financeiramente do marido e vive uma relação abusiva

1. Reconheça: dinheiro também é liberdade
Ter acesso e controle sobre recursos financeiros amplia suas possibilidades de escolha, proteção e segurança.
2. Comece pelo básico (mesmo que discretamente)
Saiba quanto entra e quanto sai de casa.
Anote despesas fixas e variáveis.
Observe padrões de gastos.
Mesmo sem controlar toda a renda, informação é poder.
3. Crie uma reserva, ainda que pequena
Guardar valores de forma segura pode ser decisivo em situações de emergência.
4. Abra uma conta em seu nome (se for seguro fazê-lo)
Ter uma conta individual é um passo importante para autonomia.
5. Busque informação gratuita
Cursos online e organizações especializadas ajudam a entender orçamento, crédito, direitos e planejamento financeiro.
6. Não espere a crise chegar
Quanto antes começar a organizar sua vida financeira, maior sua margem de proteção.

Rede de apoio: você não está sozinha
A autonomia financeira é fundamental, mas sair de uma situação de violência exige apoio institucional e emocional.
 
Emergência
  • 190 – Polícia Militar
    Se estiver em risco imediato, ligue imediatamente.
  • Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180
    Serviço gratuito, 24 horas, sigiloso e disponível em todo o Brasil.
    Oferece orientação jurídica, acolhimento e encaminhamento para serviços especializados.
    Responsável: Ministério das Mulheres
  • Disque 156 ou 156 Mulher (em algumas capitais)
    Informações sobre serviços municipais de atendimento à mulher.
  • Portal de Educação Empreendedora | Educação Financeira para Mulheres Empreendedoras
    Atendimento especializado para registro de ocorrência e medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha
  • Defensoria Pública do Estado
    Oferece orientação jurídica gratuita para pedido de pensão, guarda, separação e medidas protetivas.
    Procure a unidade da sua cidade.
  • Apoio e orientação especializada
    Instituto Maria da Penha
    Site: institutomariadapenha.org.br
  • ONU Mulheres
    Site: unwomen.org
Onde aprender educação financeira
 
Confira opções gratuitas ou acessíveis
 
- Brasil — Portal de Educação Empreendedora | Educação Financeira para Mulheres Empreendedoras
Curso online e gratuito com foco na organização das finanças pessoais e do negócio, planejamento de metas, gestão de custos e uso de ferramentas financeiras.
Site: portaleducacaoempreendedora.com.br
 
- Brasil — Aliança Empreendedora / Tamo Junto | Educação Financeira para Mulheres Empreendedoras
Curso online gratuito que aborda metas financeiras pessoais, gestão do negócio, registros e custos, com certificação digital ao final.
Sites: aliancaempreendedora.org.br
tamojunto.aliancaempreendedora.org.br
 
- Clever Girl Finance (internacional, em inglês)
Plataforma gratuita com dezenas de cursos voltados exclusivamente para mulheres, incluindo orçamento, quitação de dívidas, poupança, investimentos e construção de confiança com o dinheiro.
Site: clevergirlfinance.com
 
- Savvy Ladies (internacional, em inglês)
Organização que oferece cursos gratuitos de finanças pessoais, além de orientação sobre orçamento, dívidas e planejamento financeiro em diferentes fases da vida.
Site: savvyladies.org
 
- Fundação Getulio Vargas (FGV) — Cursos gratuitos de educação financeira
Cursos digitais abertos ao público sobre orçamento familiar, planejamento financeiro e fundamentos de finanças pessoais.
Site: educacao-executiva.fgv.br/cursos/gratuitos
 
- InfoMoney — Rota da Autonomia Financeira
Série de aulas online gratuitas voltadas especialmente às mulheres que desejam iniciar sua jornada rumo à independência financeira.
Site: infomoney.com.br
 
- Financial Experts — Programa de Autonomia Financeira para Mulheres
Curso direcionado ao público feminino, com foco em organização financeira, planejamento de metas, investimentos e construção de patrimônio. Oferece aulas online e presenciais, com aplicação prática.
Site: financialexperts.com.br
E-mail: contato@financialexperts.com.br
Instagram: instagram.com/financialexpertsbr

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