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Marcas chinesas aceleram e redesenham o mercado automotivo no Brasil

Em um ano, número de montadoras chinesas no país quase quadruplica, pressiona fabricantes tradicionais e impulsiona eletrificação, parcerias e produção local


postado em 26/01/2026 07:52 / atualizado em 26/01/2026 08:00

A Leapmotor chega em parceria com a Stellantis: aposta em SUVs elétricos(foto: Divulgação)
A Leapmotor chega em parceria com a Stellantis: aposta em SUVs elétricos (foto: Divulgação)
Voltando de viagem de 40 dias ao Japão, Coreia do Sul e China, um amigo chileno, que mora nos Estados Unidos, ligou contando maravilhas do que viu na China e impressionadíssimo sobre a força dos carros elétricos. Curioso, descobriu em suas pesquisas por lá que hoje são mais de 150 marcas de carros chineses, incluindo 97 marcas nacionais chinesas e 43 marcas de joint venture. Há um ano, no fechamento de 2024, nossa última matéria do ano aqui na Encontro dava ênfase ao agressivo avanço de duas marcas chinesas no mercado brasileiro, a BYD (principalmente) e a GWM. O ano terminava com as marcas tradicionais meio que desorientadas sobre como enfrentar a concorrência chinesa e 2025 teve início com uma enxurrada de lamentos e pedidos de aumento nos impostos de importação para os veículos eletrificados.

Os pedidos de socorro foram parcialmente atendidos, com a aceleração do fim dos incentivos aos importados elétricos e com o programa do “automóvel sustentável”, que, no frigir dos ovos, só fez cócegas e muito pouco ajudou no propósito fazer frente aos chineses. O tempo, sempre senhor da razão, mostrou que a estratégia do choro estava equivocada e as montadoras tradicionais, para não perder mais mercado, concluíram que o melhor seria concorrer trazendo os seus próprios chineses, em parcerias e/ou joint ventures, com outras marcas do país oriental.

O resultado é que hoje, 12 meses depois, as marcas chinesas presentes no mercado brasileiro saltaram de quatro para 15; algumas chegando de forma independente e outras em parceria com os fabricantes tradicionais. Entre as parcerias destacam-se a Leapmotors com a Stellantis; o Spark produzido na China pela SAIC-GM-Wulling (SGMW) com a Chevrolet; e a Geely com a Renault. A justa e compreensível cobrança pela nacionalização desses importados chineses ecoa em Brasília, principalmente pela voz da Anfavea, a associação dos fabricantes. A BYD e GWM inauguraram suas linhas de montagem na Bahia e São Paulo, nas antigas unidades industriais da Ford e Mercedes Benz, respectivamente. A Chevrolet escolheu o galpão industrial que era da Troller/Ford no Ceará, onde, segundo anunciou, já iniciou a montagem do Spark. A Stellantis, por sua vez, anunciou que irá montar os modelos da Leapmotor na fábrica pernambucana da Jeep em Goiana. Agora é acompanhar a evolução e cumprimento desses anúncios e promessas.

Spark: produzido na China pela SAIC-GM-Wulling (SGMW) com a Chevrolet (foto: Divulgação)
Spark: produzido na China pela SAIC-GM-Wulling (SGMW) com a Chevrolet (foto: Divulgação)
O bom desempenho e crescimento das marcas chinesas no Brasil é facilmente verificado nos números de emplacamentos do acumulado do ano até o mês de novembro, segundo dados divulgados pela Fenabrave, a associação dos revendedores. No ranking das marcas mais vendidas a BYD já ocupa do 7º lugar com 96.167, ou 5,38% (automóveis leves). A GWM, com 36.363 unidades emplacadas está no 12º lugar.

No balanço do ano até o mês de novembro, a Anfavea revela que as previsões do início do ano para o fechamento de 2025 terão de ser revistas, com resultados inferiores ao crescimento previsto inicialmente. “Ainda estamos com uma produção acumulada 4,1% mais alta do que nos primeiros onze meses de 2024, mas esse crescimento está muito abaixo do que havíamos projetados para 2025, o que vem nos colocando em estado de alerta nos últimos meses”, afirmou Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

Dedução no IRPF  

O preço dos veículos automotores no Brasil é elevado, principalmente em decorrência dos altos impostos incidentes que, em alguns casos, representam quase 50% do valor final pago pelo consumidor. Em recente reunião com líderes da indústria automotiva no Salão Oval da Casa Branca, com a presença inclusive de Antonio Filosa, da Stellantis, entre outros, que lá estavam em sinal de apoio e agradecimento às medidas adotadas por Donald Trump para alavancar a produção e venda de veículos nos Estados Unidos, o presidente comentou uma criativa medida adotada de incentivo às vendas. A iniciativa permite que os valores dos juros pagos pelos consumidores que compram seus carros com financiamentos sejam deduzidos na declaração do imposto de renda anual dos norte-americanos. É um incentivo que afeta minimamente a política fiscal e pode aliviar de forma representativa no bolso do consumidor. Fica a ideia para o governo brasileiro.

Principais marcas chinesas presentes no Brasil:
  • BYD: líder em vendas de carros elétricos e híbridos, com modelos como Dolphin, Song, Yuan Plus e Seal.
  • GWM (Great Wall Motors): com modelos como Haval H6, Ora 03 e Tank, focando em SUVs híbridos e elétricos.
  • Caoa Chery: com modelos como Tiggo 5X, Tiggo 7 e Arrizo 6
  • JAC Motors: presente no Brasil desde 2011, com modelos como E-JS1 e Hunter
  • Geely: retornando ao Brasil em parceria com Renault 
  • Leapmotor: em parceira com Stellantis, prometendo trazer SUVs elétricos
  • Omoda e Jaecoo: marcas do grupo Chery, focando em SUVs e elétricos.
  • Neta: com modelos elétricos, mas com futuro incerto no Brasil.
  • Zeekr: marca premium do grupo Geely, com elétricos sofisticados.
  • GAC: com modelos como GS4 e Aion V, focando em SUVs e elétricos
  • Denza: marca premium da BYD com o Z9GT, D5 e D9
Geely: marca retorna ao Brasil em parceria com a Renault (foto: Divulgação)
Geely: marca retorna ao Brasil em parceria com a Renault (foto: Divulgação)
 
BYD entra no segmento premium com a Denza

Os modelos da Denza, marca premium da BYD, que é uma das novas entrantes no mercado brasileiro, se diferenciam pela adoção de materiais nobres, acabamento premium, plataformas inteligentes, suspensões ativas inteligentes e sistemas envolventes de interação com a tecnologia acessível na ponta dos dedos. O primeiro modelo disponível no país é o Denza B5, por R$ 436 mil, um SUV off-road híbrido premium. Com uma motorização combinada de 1.5 turbo a gasolina e dois motores elétricos, o SUV híbrido plug-in entrega até 677 cv e 760 Nm de torque, acelerando de 0 a 100 km/h em cerca de 4,8 segundos. O modelo, que se qualifica como um verdadeiro off-road, é apoiado pela plataforma híbrida DMO e oferece tração integral 4x4, três bloqueios de diferencial e 16 modos de condução diferentes. A marca também anunciou, durante o Salão do Automóvel de São Paulo, os preços de futuros modelos, Denza Z9 GT, por R$ 650 mil e a van executiva de luxo D9, por R$ 800 mil.

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