
Após 23 anos dedicados a uma única companhia – a mineira Cedro Têxtil, na qual teve uma trajetória exitosa que perpassou da área industrial ao comando executivo –, Branquinho assumiu, logo após a jornada de 100 quilômetros a pé que fez ao lado da esposa, Juliana, o cargo de CEO da Vicunha, empresa multinacional brasileira líder na indústria têxtil na América Latina.
QUEM É:
- Empresário de 53 anos assumiu, em setembro de 2025, o cargo de CEO da Vicunha, uma das maiores empresas de têxteis da América Latina
- Ida para multinacional se dá após trajetória de 23 anos na companhia mineira Cedro Têxtil
- Executivo tem metas de aumentar fortemente faturamento de sua nova companhia e aposta na produção de workwear
Quando conversou com a Encontro, o empresário estava completando três meses na nova empreitada. Falava de Belo Horizonte. Havia chegado na madrugada anterior, mas já retornaria a São Paulo, sede administrativa da Vicunha, dois dias depois. A vida mudou. Antes executivo de uma empresa de grande porte, centenária, mas com operações locais e sede na capital mineira, agora comanda uma companhia de forte operação internacional, com presença na Europa e fábricas no Equador, Argentina, além, claro, do Brasil.
Mas, desafio é sua verdadeira zona de conforto, como conclui ao longo da entrevista. “Minha mãe brinca: ‘ô, sagitariano que não fica quieto!’”, diverte-se o executivo. “Falo muito com as pessoas que trabalham comigo: ‘não seja vítima de ser indispensável’. Se você é indispensável, você está condenado a ficar no mesmo lugar para o resto da vida. Quer crescer? Viver novas aventuras? Seja, entre aspas, dispensável. No seguinte sentido: Você está com a casa arrumada, tem as coisas sob controle, aquele mundo ali não depende mais de você, já cumpriu a sua missão? Se a resposta for sim, você está liberto para buscar novos desafios”.
E eles têm sido grandes. A começar pelos números. Hoje, a Vicunha fatura, segundo o CEO, cerca de R$ 3,5 bilhões por ano, emprega aproximadamente 6 mil colaboradores no mundo e está entre as cinco maiores têxteis globais. Opera cinco fábricas em três países e consome cerca de 10% do algodão utilizado no país. Embora não revele metas específicas de crescimento, Branquinho afirma que a empresa, referência em jeanswear e brim, pretende crescer de forma significativa e agressiva. E o investimento em workwear será o principal vetor dessa expansão.
No cenário micro, também são desafiadores para ele os novos ambientes, tão diferentes dos que a sempre esteve acostumado. Aquela sensação mineira de maior proximidade, de resolver as coisas com uma boa conversa regada a um bom café, não existe mais. Em terras paulistanas, tudo é mais corporativo. Não melhor nem pior, segundo Branquinho, apenas diferente. No entanto, ele tem impregnado seu jeito “mineiro do interior paulista” aos negócios, já que é nascido em Franca (SP), mas veio para BH aos 16 anos. E pretende imprimir uma liderança baseada em coerência entre discurso e prática. Por isso, tem estado próximo da operação, ajudando equipes a identificar oportunidades e fornecendo os recursos necessários. “Pessoas seguem o que o líder faz, não o que ele fala. Essa presença gera credibilidade”.
A este ponto da trajetória da vida, Branquinho faz questão de destacar que seu “currículo começa com o nome dos pais”, Marco Antônio e Carmen, que hoje vivem na capital mineira, no bairro São Bento: “Reconheço neles a base de tudo”. E faz questão de agradecer à parceira, Juliana, companheira de 35 anos de vida e de trekking – já percorreram desde o Monte Roraima, na Venezuela, às Dolomitas, na Itália, e Chapada Diamantina, no Centro-Oeste brasileiro – e aos filhos, Beatriz, de 23 anos, e Pedro, 19. “O caminho da vida é uma coisa que devemos traçar juntos, não é?”, finaliza.