Estado de Minas MINEIROS DE 2025 - AÇÃO SOCIAL

Marco Antônio Leite conduz reconstrução do Mário Penna com foco social

Gestor assumiu a instituição em colapso financeiro e deu início a uma virada baseada no fortalecimento do SUS


postado em 16/01/2026 10:57 / atualizado em 16/01/2026 11:07

Marco Antônio Viana Leite, presidente da Rede Mário Penna(foto: Instituto Mário Penna/Divulgação)
Marco Antônio Viana Leite, presidente da Rede Mário Penna (foto: Instituto Mário Penna/Divulgação)
Forjado no seio de uma típica família mineira, filho de agricultores e educado entre valores de religiosidade e comunidade, Marco Antônio Viana Leite cresceu entre as cidades mineiras de Piumhi e Capitólio, sempre à vista do “Mar de Minas”. Nas viagens da zona rural para a escola, uma placa mudou seu olhar para o mundo: “não dê esmolas, ajude a Sociedade São Vicente de Paulo”. A frase ecoou na formação do menino que observava a desigualdade ao redor. “Meu olhar social nasceu ali e me marcou para sempre. Viver esta experiência na infância me definiu e aflorou a sensibilidade de enxergar o outro”, lembra.
 
Hoje, aos 53 anos, pai de Helena e Cauã, ele preside a Rede Mário Penna — que reúne hospitais, núcleos de pesquisa, ensino e apoio a pacientes — e se tornou referência na gestão em saúde com propósito social. A dedicação de Leite ao Sistema Único de Saúde (SUS) também nasce de uma experiência marcante: um grave acidente de carro que o deixou 131 dias internado. “Fiquei com uma dívida de gratidão com o SUS. O menino de Piumhi jamais imaginou conduzir uma instituição filantrópica e de câncer. Sonhava em ser empresário, mas a vida nos encaminha”. O Instituto Mário Penna é, hoje, o maior prestador de serviços oncológicos do SUS em Minas Gerais.
 
QUEM É 
  • Diretor-presidente do Instituto Mário Penna reergue finanças da entidade e celebra transição do Hospital Luxemburgo para atendimento 100% SUS 
  • Sob seu comando, rede vai inaugurar uma nova unidade na avenida Raja Gabáglia, com 200 leitos, em 2026 
  • Executivo defende que hospitais filantrópicos se unam e trabalhem em conjunto para melhorar condições de compras
 
 
Quando assumiu a função, há seis anos, encontrou uma instituição em colapso. “A primeira prioridade foi pagar salários atrasados. Depois, reestruturamos tudo, com ética e compliance. Agora, entramos na fase de crescimento. Sempre priorizando uma gestão humana e técnica, que pense, sobretudo, na coletividade dos pacientes. O objetivo é atender pessoas de forma célere e com qualidade. Não existe o financeiro, o ter lucro”.
 
Em 2025, Marco Antônio implementou a visão de rede no Mário Penna. O passo mais ousado foi a compra de um prédio na avenida Raja Gabaglia, que permitirá inaugurar, no primeiro semestre de 2026, um hospital com até 200 leitos, estrutura de 18.500 m² e 16 andares, pronto atendimento moderno, centro cirúrgico com 10 salas e tecnologia de ponta, incluindo cirurgia robótica de próstata. A unidade atenderá pacientes de planos de saúde, depois da conversão do Hospital Luxemburgo para atendimento 100% SUS. “Vamos buscar o lucro da Saúde Suplementar para investir no SUS”, diz.
 
E a mudança no Hospital Luxemburgo já traz resultados: a ampliação da mamografia para 3.000 exames mensais em 2025 e a abertura de outras especialidades pelo SUS, como cardiologia e ortopedia. Em paralelo, Marco Antônio assume outro desafio histórico: a gestão do Hospital Regional de Teófilo Otoni, o maior do interior de Minas, com mais de 2.000 funcionários. “O Vale do Mucuri é uma das regiões mais desassistidas do Estado. E a segunda em número de pacientes que recebemos em BH, depois da Região Metropolitana. Agora, vamos até nossos pacientes”. O hospital será aberto em 2026.
 
Com grandes parceiros — como Supermercado BH, Verdemar, Droga Raia e Lojas Rede —, e contando com as doações dos mineiros no dia a dia, Marco Antônio reforça a união de forças em torno do Mário Penna. Para ter dinheiro e investir, outra ação implementada em 2025 é a compra conjunta com outras instituições filantrópicas, como o Hospital da Baleia. “Entendo que os hospitais filantrópicos precisam se unir, trabalhar em conjunto. Não somos concorrentes. O concorrente não é o vizinho de porteira, mas os grupos que têm 90 hospitais”.
 
Com dedicação integral, outra missão assumida por Marco Antônio que se concretiza a partir de 6 de janeiro de 2026 é a gestão da oncologia do principal hospital de Betim e mais 18 municípios em torno: atendimento de quimioterapia, cirurgia e internação, só parte oncológica.
 
Em meio à complexidade da saúde pública, ele guarda um lema que o guia e, segundo ele, resume sua forma de trabalhar: “A vida é para frente, para trás nem para tomar impulso”. Olhar o horizonte, encontrar soluções e seguir adiante. “Sou a pessoa que olha a vida sempre com um copo meio cheio. É o tenho de fazer e acreditar para ajudar o Mário Penna, um patrimônio do mineiro, a se manter e seguir, mesmo que a conta não feche. A vida se vive para frente, ainda que seja importante olhar no retrovisor para perceber o que ficou para trás”.

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