Estado de Minas MINEIROS DE 2025 - ENERGIA

Reynaldo Passanezi: austeridade, investimento e um novo ciclo da Cemig

À frente da estatal desde 2020, o economista imprimiu uma gestão enxuta, ampliou investimentos em Minas e levou a companhia a resultados recordes


postado em 07/01/2026 08:35 / atualizado em 07/01/2026 08:58

"Saímos de um investimento de R milhões em 2018, que era menos do que a depreciação do ativo, para R$ 6 bilhões nos últimos doze meses", conta Reynaldo Passanezi Filho (foto: Divulgação)
Quando assumiu a presidência da Cemig, no início de 2020, o economista paulista Reynaldo Passanezi Filho tomou um susto. Sua secretária à época lhe chamou e disse: “Quando o senhor quiser ir a São Paulo, o avião da presidência está à disposição”. Chamado pelo governador Romeu Zema, em 2019, para implantar uma política mais austera e fazer com que a companhia voltasse a ser indutora do desenvolvimento de Minas, ele tratou de afastar o que chamou de tentação. “Logo anunciei que iríamos vender o avião”, afirma. A aeronave, avaliada em R$ 16 milhões, ficava abrigada em um hangar na Pampulha que custava cerca de R$ 3,5 milhões por ano. A concretização da venda significou não apenas economia de milhões, mas uma sinalização ao mercado e à própria companhia de que os ventos estavam mudando. Outras ações implementadas – que, se não garantiram mais dinheiro no caixa, tiveram um significado enorme – foram o fim do elevador exclusivo para a presidência e a diminuição do tamanho das salas de toda a diretoria. “A minha sala era do tamanho de um apartamento”, lembra Reynaldo. “Não fazia o menor sentido.”

Sob a gestão de Reynaldo, de 60 anos, a Cemig vem comemorando números bastante animadores. A companhia anunciou investimentos de R bilhões entre 2019 e 2029. “Saímos de um investimento de R milhões em 2018, que era menos do que a depreciação do ativo, para R$ 6 bilhões nos últimos doze meses”, conta. A previsão para 2026 é R$ 6,7 bilhões. Em 2024, o Ebitda (sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi recorde: R$ 11,25 bilhões. O lucro líquido alcançou R$ 7,1 bilhões e o valor de mercado da companhia, R bilhões. Esses números só foram possíveis por causa de duas ações: a diminuição de perdas no dia a dia da empresa e a decisão de focar todos os investimentos em Minas Gerais. A Cemig vendeu participações minoritárias em Rondônia, Pará, Rio de Janeiro e Bahia. “Quando cheguei aqui, o (Cleodorvino) Belini, meu antecessor, disse que 75% do tempo dele era gasto para tratar de participação acionária. Hoje, é zero”, diz Reynaldo. 
 
QUEM É 
  • Aos 60 anos, é, desde 2020, presidente da Cemig, principal grupo integrado de energia elétrica do país, que atingiu em 2024 o recorde de R bilhões em valor de mercado.
  • Em sua trajetória profissional, passou pela Isa Energia Brasil, banco BBVA e Governo do Estado de São Paulo, onde foi assessor do Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização.
  • Nascido em Araçatuba (SP), é formado em Economia pela USP e em Direito pela PUC-SP, com mestrado e doutorado em Economia. Tem especialização em Gestão, Liderança e Inovação pela Universidade de Stanford (EUA). 

Pai da médica Bruna, de 29 anos, e da engenheira Beatriz, de 26, que moram em São Paulo, Reynaldo já se adaptou bem a Belo Horizonte, nesses quase sete anos. Morador do icônico Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade, ele conta que gosta de sair de sua casa e ir a pé ao Palácio das Artes, cujo teatro leva o nome da companhia de energia. Também é frequentador da Casa Minas Gerais, sede da orquestra filarmônica do estado. “Eu brinco que o tempo gasto para ir da minha casa à Pampulha é o mesmo que eu gastava para sair de um estacionamento de uma grande casa de espetáculos em São Paulo”, afirma Reynaldo. Aos finais de semana, aproveita o tempo livre para pedalar na orla da lagoa ou passear nos corredores do Mercado Central. “Já me considero amigo de um monte de gente lá. Converso com o cara da frutaria, bebo um caldo de cana ou aquela limonada famosa, como uma broa na Comercial Sabiá…”

Como bom migrante, também procura se aventurar pelo interior do estado. É um apreciador das vesperatas de Diamantina, mas se derrete mesmo é por paisagens deslumbrantes como as cachoeiras do Cânion Peixe Tolo, em Conceição do Mato Dentro; a natureza de Lapinha da Serra; e as trilhas dos parques do Ibitipoca e de Aiuruoca. “Gosto muito de natureza, mas também de cidades que ajudam a contar a nossa história, como Ouro Preto, Congonhas e Tiradentes. Minas Gerais tem essa mistura que me atrai.” Reynaldo, aliás, já se considera um pouco mineiro. Tanto que fala com orgulho do título de Cidadão Honorário de Belo Horizonte que recebeu da Câmara Municipal, em 2023. “Sou naturalizado”, diz. 

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