Estado de Minas TURISMO

5 motivos para passear de barco na Pampulha

Programa no Capivarã, gratuito e com duração de uma hora, é experiência que une natureza e arquitetura privilegiadas da capital mineira em um só olhar


postado em 20/03/2026 07:45 / atualizado em 20/03/2026 08:09

A Pampulha vista de dentro do Capivarã: a lagoa é novamente navegável desde dezembro de 2025 (foto: Paulo Marcio)
A Pampulha vista de dentro do Capivarã: a lagoa é novamente navegável desde dezembro de 2025 (foto: Paulo Marcio)
O mais famoso cartão postal de Belo Horizonte tem nova atração desde o fim de dezembro de 2025, com o projeto de retomada da navegação na Pampulha, possibilitado por um acordo da PBH e Marinha do Brasil, que declarou a famosa lagoa navegável novamente. A lagoa, como é conhecida, na verdade é a represa do ribeirão Pampulha e recebe outros córregos, como o Sarandi. Foi construída entre 1936 e 1943 para abastecer de água a capital, valorizada pela criação do conjunto arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer, a convite do então prefeito Juscelino Kubitschek, e inaugurado em 1943.
 
O passeio, inteiramente de graça, dura uma hora e passa pelos pontos mais significativos da Pampulha. O Capivarã é um catamarã para 30 pessoas sentadas, incluindo guia de turismo e tripulação, e sua estrutura permite a visibilidade durante toda a visita. O embarque e o desembarque são feitos no Centro de Atendimento ao Turista Veveco (CAT), ao lado da Casa do Baile, na orla. Até o fim de março, o programa contempla três horários por dia, às 19h, 13h e 15h, de quinta a domingo, quando são disponibilizados 26 ingressos por saída. Cada pessoa tem direito a até quatro convites, com retirada pela plataforma Sympla. Para se ter uma ideia do funcionamento do passeio, os ingressos para 28 de março, por exemplo, estarão disponíveis a partir das 12h do dia 24. 
 
Durante todo o percurso, que passa pelo Conjunto Arquitetônico, o guia Matheus Costa, da agência Desbrava Minas, dá uma verdadeira aula e informa sobre todos os monumentos, curiosidades e dados. Ele conta, por exemplo, que o ponto mais fundo da represa tem 116 metros de profundidade e fica perto do vertedouro. Também relata momentos pouco lembrados, como o período (de 1954 a 1958) em que a represa ficou vazia, depois de um rompimento, em 1954, que provocou muitos danos. Até voltar a ser declarada navegável, no ano passado, a Pampulha sofreu por décadas com a poluição do lixo e dos esgotos descartados em suas águas e com o desassoreamento, além da proliferação de plantas aquáticas que tomavam conta da lagoa. 
 
Impossível não se encantar com a beleza do entorno e o sucesso do projeto, inicialmente programado para durar três meses, prova que a iniciativa da Belotur, responsável pela organização, é muito acertada, com os ingressos se esgotando rapidamente e filas de espera de até 40 pessoas nas três edições diárias. Às quintas-feiras, as três edições são dedicadas aos alunos da rede pública estadual. Por conta da procura, durante o carnaval os passeios foram estendidos por 11 dias consecutivos, para atender moradores e turistas. Foi o que mostrou uma pesquisa do Observatório do Turismo de BH, depois do primeiro mês de operação, em que o público deu nota de 9,8 (10 é o máximo) à atração.
Mais um bom motivo – além dos cinco que listamos aqui – para não perder a oportunidade de fazer esse passeio, ver a beleza da capital mineira com novo olhar e aproveitar a ida à região para apreciar tudo o que ela nos oferece.  
 
Paisagem cheia de árvores e colorida por flores, como as quaresmeiras roxas, também faz da lagoa um cenário para ver e se encantar(foto: Paulo Marcio)
Paisagem cheia de árvores e colorida por flores, como as quaresmeiras roxas, também faz da lagoa um cenário para ver e se encantar (foto: Paulo Marcio)
 
 
1 – Ver a Pampulha sob novas perspectivas, dentro do Capivarã, com o espelho d’água menos poluído e lugar de vida para bichos como jacarés, cágados e peixes. A paisagem que a circunda, cheia de árvores e colorida por flores, como as quaresmeiras roxas, também faz da lagoa um cenário para ver e se encantar. Para tornar a Pampulha ainda mais verde, em fevereiro deste ano, mais de 100 mudas de árvores de seis espécies diferentes – como jacarandá-de-minas, mulungu, manacá-da-serra e ipês roxos, amarelos – foram plantadas no Parque Ecológico Francisco Lins do Rego. O parque não faz parte do passeio porque está em uma área não navegável, mas merece uma visita também. 

Apreciar os monumentos do Conjunto Arquitetônico tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2016, é uma das possibilidades do passeio (foto: Paulo Marcio)
Apreciar os monumentos do Conjunto Arquitetônico tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2016, é uma das possibilidades do passeio (foto: Paulo Marcio)
 
2 – Apreciar os monumentos do Conjunto Arquitetônico tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2016. Da Casa do Baile ao Museu Casa de JK, os monumentos modernistas foram pensados e construídos com a inventividade e talento do arquiteto Oscar Niemeyer, do artista plástico Cândido Portinari e do paisagista Roberto Burle Marx. Com seus azulejos, pinturas, esculturas e jardins, e suas formas arredondadas, o conjunto é parada obrigatória para quem visita BH. São quatro construções em volta da lagoa: a Igreja de São Francisco de Assis, o Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube. Enquanto o Museu de Arte passa por uma ampla reforma, os outros três prédios podem ser visitados. Em frente à Museu Casa de JK fica o Mirante Bandeirantes, com as esculturas de Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, Cândido Portinari e Burle Marx, outro destaque do passeio de barco.

Mineirão, um dos maiores estádios do Brasil, também é um dos atrativos da Pampulha(foto: Paulo Marcio)
Mineirão, um dos maiores estádios do Brasil, também é um dos atrativos da Pampulha (foto: Paulo Marcio)
 
3 – Aproveitar a ida à Pampulha e desfrutar de esportes e do lazer, seja indo ao Mineirão para ver uma partida de futebol; andar de bicicleta, de patins, caminhar e correr nas calçadas da Otacílio Negrão de Lima, com seus mais de 18 quilômetros de extensão, ou curtir o Parque Guanabara, com sua imensa roda-gigante. Palco de corridas e maratonas, a avenida que contorna a lagoa, é ideal para um passeio a pé. Por isso mesmo, suas calçadas, praças, parques e jardins são bons espaços para os praticantes de esportes e cenários para o simples descanso ou para as crianças brincarem. O Mineirão, que acaba de completa 60 anos, é o maior estádio de futebol de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil, com capacidade para 62 mil pessoas. Além de jogos dos times mineiros, ele é palco de grandes shows nacionais e internacionais e ainda possui uma esplanada com 80 mil metros quadrados. Quem visita o estádio também pode conhecer o Museu Brasileiro do Futebol, aberto em 2013.     
Al Mar, que fica em uma esquina da lagoa, é uma das opções de gastronomia da região (foto: Victor Schwaner/Divulgação)
Al Mar, que fica em uma esquina da lagoa, é uma das opções de gastronomia da região (foto: Victor Schwaner/Divulgação)
 
 
4 – Desfrutar da enogastronomia no entorno, com seus bares e restaurantes, que oferecem comida e bebida de primeira. Da premiada cozinha mineira do Xapuri, que fica no bairro Braúnas, região da Pampulha, à culinária genuinamente italiana do Anella Ristorante, no Santa Amélia, há opções como o Bebedouro Bar e Fogo, bem na orla, bom lugar para degustar um menu variado, com destaque para os frutos do mar, e sua carta de vinhos, chopes e drinques. Outra boa opção é o Al Mar (foto), em uma esquina da lagoa, com decoração que lembra o litoral. A cozinha do gastrobar é chefiada por Fabrício Marcelino e apresenta um cardápio com pratos para compartilhar, como o arroz com camarão, lula, polvo e mexilhão, que pode ser acompanhado por um bom drinque ou uma cerveja gelada.

Passeio no Capivarã é uma boa opção de lazer em família(foto: Paulo Marcio)
Passeio no Capivarã é uma boa opção de lazer em família (foto: Paulo Marcio)

5 – Fazer um passeio turístico de barco gratuito, agradável e seguro em família ou com amigos e desfrutar da natureza à volta e da bela paisagem arquitetônica da Pampulha. As memórias que ficam de um tempo dedicado ao lazer, as fotografias e vídeos vão guardar. Que o diga a família Cruzeiro! Ao lado de Edson Cruzeiro, a filha Beatriz, a nora Flávia, as netas Gabriela e Paula, e o namorado de Paula, João de Alvarenga, eles viram um lugar que tanto conhecem com olhares diferentes e sob novos ângulos. Moradores da orla da Pampulha, os Cruzeiro foram atraídos ao passeio depois de ler sobre o Capivarã e já programavam o retorno.      

O que pode melhorar

Sugestões para que a Pampulha fique ainda mais atrativa
  • Maior divulgação do passeio de barco, uma conquista para os belo-horizontinos que clamam por mais opções de lazer gratuitas. Apesar da lotação do programa, muita gente ainda desconhece a possibilidade de ver a Pampulha de dentro do Capivarã.
  • A represa ainda precisa de um programa de limpeza que devolva a ela os tempos em que suas águas eram menos poluídas, servindo de palco de competições náuticas e passeios de lancha e outros veículos aquáticos. 
  • Há muito lixo nas margens, com objetos plásticos jogados inclusive por passageiros do Capivarã. Uma boa campanha de conscientização e até mesmo a cobrança de multa, para quem for flagrado sujando a região. Mas, sem fiscalização, campanhas e multas não funcionam.
  

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