
O passeio, inteiramente de graça, dura uma hora e passa pelos pontos mais significativos da Pampulha. O Capivarã é um catamarã para 30 pessoas sentadas, incluindo guia de turismo e tripulação, e sua estrutura permite a visibilidade durante toda a visita. O embarque e o desembarque são feitos no Centro de Atendimento ao Turista Veveco (CAT), ao lado da Casa do Baile, na orla. Até o fim de março, o programa contempla três horários por dia, às 19h, 13h e 15h, de quinta a domingo, quando são disponibilizados 26 ingressos por saída. Cada pessoa tem direito a até quatro convites, com retirada pela plataforma Sympla. Para se ter uma ideia do funcionamento do passeio, os ingressos para 28 de março, por exemplo, estarão disponíveis a partir das 12h do dia 24.
Durante todo o percurso, que passa pelo Conjunto Arquitetônico, o guia Matheus Costa, da agência Desbrava Minas, dá uma verdadeira aula e informa sobre todos os monumentos, curiosidades e dados. Ele conta, por exemplo, que o ponto mais fundo da represa tem 116 metros de profundidade e fica perto do vertedouro. Também relata momentos pouco lembrados, como o período (de 1954 a 1958) em que a represa ficou vazia, depois de um rompimento, em 1954, que provocou muitos danos. Até voltar a ser declarada navegável, no ano passado, a Pampulha sofreu por décadas com a poluição do lixo e dos esgotos descartados em suas águas e com o desassoreamento, além da proliferação de plantas aquáticas que tomavam conta da lagoa.
Impossível não se encantar com a beleza do entorno e o sucesso do projeto, inicialmente programado para durar três meses, prova que a iniciativa da Belotur, responsável pela organização, é muito acertada, com os ingressos se esgotando rapidamente e filas de espera de até 40 pessoas nas três edições diárias. Às quintas-feiras, as três edições são dedicadas aos alunos da rede pública estadual. Por conta da procura, durante o carnaval os passeios foram estendidos por 11 dias consecutivos, para atender moradores e turistas. Foi o que mostrou uma pesquisa do Observatório do Turismo de BH, depois do primeiro mês de operação, em que o público deu nota de 9,8 (10 é o máximo) à atração.
Mais um bom motivo – além dos cinco que listamos aqui – para não perder a oportunidade de fazer esse passeio, ver a beleza da capital mineira com novo olhar e aproveitar a ida à região para apreciar tudo o que ela nos oferece.

1 – Ver a Pampulha sob novas perspectivas, dentro do Capivarã, com o espelho d’água menos poluído e lugar de vida para bichos como jacarés, cágados e peixes. A paisagem que a circunda, cheia de árvores e colorida por flores, como as quaresmeiras roxas, também faz da lagoa um cenário para ver e se encantar. Para tornar a Pampulha ainda mais verde, em fevereiro deste ano, mais de 100 mudas de árvores de seis espécies diferentes – como jacarandá-de-minas, mulungu, manacá-da-serra e ipês roxos, amarelos – foram plantadas no Parque Ecológico Francisco Lins do Rego. O parque não faz parte do passeio porque está em uma área não navegável, mas merece uma visita também.

2 – Apreciar os monumentos do Conjunto Arquitetônico tombado pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade, em 2016. Da Casa do Baile ao Museu Casa de JK, os monumentos modernistas foram pensados e construídos com a inventividade e talento do arquiteto Oscar Niemeyer, do artista plástico Cândido Portinari e do paisagista Roberto Burle Marx. Com seus azulejos, pinturas, esculturas e jardins, e suas formas arredondadas, o conjunto é parada obrigatória para quem visita BH. São quatro construções em volta da lagoa: a Igreja de São Francisco de Assis, o Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile e o Iate Tênis Clube. Enquanto o Museu de Arte passa por uma ampla reforma, os outros três prédios podem ser visitados. Em frente à Museu Casa de JK fica o Mirante Bandeirantes, com as esculturas de Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, Cândido Portinari e Burle Marx, outro destaque do passeio de barco.

3 – Aproveitar a ida à Pampulha e desfrutar de esportes e do lazer, seja indo ao Mineirão para ver uma partida de futebol; andar de bicicleta, de patins, caminhar e correr nas calçadas da Otacílio Negrão de Lima, com seus mais de 18 quilômetros de extensão, ou curtir o Parque Guanabara, com sua imensa roda-gigante. Palco de corridas e maratonas, a avenida que contorna a lagoa, é ideal para um passeio a pé. Por isso mesmo, suas calçadas, praças, parques e jardins são bons espaços para os praticantes de esportes e cenários para o simples descanso ou para as crianças brincarem. O Mineirão, que acaba de completa 60 anos, é o maior estádio de futebol de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil, com capacidade para 62 mil pessoas. Além de jogos dos times mineiros, ele é palco de grandes shows nacionais e internacionais e ainda possui uma esplanada com 80 mil metros quadrados. Quem visita o estádio também pode conhecer o Museu Brasileiro do Futebol, aberto em 2013.

4 – Desfrutar da enogastronomia no entorno, com seus bares e restaurantes, que oferecem comida e bebida de primeira. Da premiada cozinha mineira do Xapuri, que fica no bairro Braúnas, região da Pampulha, à culinária genuinamente italiana do Anella Ristorante, no Santa Amélia, há opções como o Bebedouro Bar e Fogo, bem na orla, bom lugar para degustar um menu variado, com destaque para os frutos do mar, e sua carta de vinhos, chopes e drinques. Outra boa opção é o Al Mar (foto), em uma esquina da lagoa, com decoração que lembra o litoral. A cozinha do gastrobar é chefiada por Fabrício Marcelino e apresenta um cardápio com pratos para compartilhar, como o arroz com camarão, lula, polvo e mexilhão, que pode ser acompanhado por um bom drinque ou uma cerveja gelada.

5 – Fazer um passeio turístico de barco gratuito, agradável e seguro em família ou com amigos e desfrutar da natureza à volta e da bela paisagem arquitetônica da Pampulha. As memórias que ficam de um tempo dedicado ao lazer, as fotografias e vídeos vão guardar. Que o diga a família Cruzeiro! Ao lado de Edson Cruzeiro, a filha Beatriz, a nora Flávia, as netas Gabriela e Paula, e o namorado de Paula, João de Alvarenga, eles viram um lugar que tanto conhecem com olhares diferentes e sob novos ângulos. Moradores da orla da Pampulha, os Cruzeiro foram atraídos ao passeio depois de ler sobre o Capivarã e já programavam o retorno.
O que pode melhorar
Sugestões para que a Pampulha fique ainda mais atrativa
- Maior divulgação do passeio de barco, uma conquista para os belo-horizontinos que clamam por mais opções de lazer gratuitas. Apesar da lotação do programa, muita gente ainda desconhece a possibilidade de ver a Pampulha de dentro do Capivarã.
- A represa ainda precisa de um programa de limpeza que devolva a ela os tempos em que suas águas eram menos poluídas, servindo de palco de competições náuticas e passeios de lancha e outros veículos aquáticos.
- Há muito lixo nas margens, com objetos plásticos jogados inclusive por passageiros do Capivarã. Uma boa campanha de conscientização e até mesmo a cobrança de multa, para quem for flagrado sujando a região. Mas, sem fiscalização, campanhas e multas não funcionam.